Ponto Vermelho
Tempo de olhar em frente
28 de Junho de 2014
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1. Agora sim, finalizada a campanha da Selecção no Campeonato do Mundo, é tempo para se debitarem todas as opiniões e expender teorias e, como faz parte dos genes, alguns darem largas à maledicência, à azia, e a revelar a forma como se afadigam em descobrir bodes expiatórios para justificar aquilo que foi, realmente, uma desilusão na prestação do seleccionado luso. É sempre obrigatório descarregar a frustração em alguém em vez de tentar procurar razões sérias, objectivas e plausíveis para perceber porque Portugal não atingiu o objectivo mínimo dos oitavos-de-final.

2. Nunca é fácil gerir desilusões. Sobretudo em povos cuja cultura de extremos é hiperactiva nos êxitos e nos fracassos. Os mais avisados, conscientes e equilibrados disseram antes do campeonato se iniciar que Portugal, caso não houvessem as surpresas sempre tão presentes no futebol, não tinha condições para ter uma prestação por aí além. A meta dos oitavos era perfeitamente exequível mas depois disso era o jogo a jogo não podendo ser estabelecidos quaisquer objectivos dadas as condicionantes da prova e da forma física/recuperação de lesões que atingia alguns dos jogadores mais influentes do onze nacional.

3. No entanto essas limitações que eram reais terão sido de alguma forma menosprezadas e mal geridas pela estrutura comunicacional em que inclusivamente o capitão Ronaldo (um dos mais afectados por esse handicap) fez declarações assaz optimistas que espalharam alguma euforia nas hostes e, como se viu, acabaram por criar expectativas infundadas. Mas, não há como ignorá-lo, a pesada derrota com a Alemanha veio pôr a nu fragilidades que resultaram pura e simples de erros individuais estranhos que não se esperavam de jogadores com tanta experiência internacional e que trouxeram o desespero e a desorientação ao seio da Selecção.

4. Bastava que esses factos algo anormais não tivessem acontecido e com toda a probabilidade estaríamos agora a festejar o apuramento e a definir as perspectivas do jogo com a Bélgica. É certo que ninguém está imune a esse tipo de erros, mas também é evidente que eles têm mais tendência a acontecer quando não estão reunidas todas as condições. E não estavam. Pode-se agora dissertar sobre tudo e procurar razões para justificar o fracasso. É salutar que seja feito mas é igualmente importante que ao fazê-lo, quem quem que seja, use a serenidade e a objectividade como pontos de partida e não enverede por questões laterais para justificar as razões para o insucesso.

5. Sendo, por princípio, todas as opiniões respeitáveis concordemos ou não com elas, a verdade é que as que são expressas tendo como fundamento Paulo Bento não ter convocado este ou aquele jogador do seu agrado ou do seu clube soam a ajustes de contas e, por isso, perdem desde logo objectividade. Por outro lado, os que estão de fora, mesmo os mais habilitados e conhecedores de processos idênticos não terão certamente todos os dados da equação e, tendo porventura razão neste ou naquele reparo e nesta ou naquela crítica, ainda assim poderão a estar a ser parciais ainda que involuntariamente.

6. Seja como for, todos os contributos objectivos e feitos de boa fé são válidos e deverão servir para toda a estrutura da Selecção, sem excepção, reflectir. E, conjuntamente com os dados que recolheu da parte de dentro, encontrar as razões para o que terá corrido mal, melhorando todos os aspectos e redefinindo novos objectivos que começam a traçar-se já em Setembro. Visto de fora a renovação da Selecção parece um facto premente e inadiável, significando isso que esse importantíssimo aspecto, sendo urgente, deve ser gradual e efectuado sem sobressaltos. Sem as desculpas rebuscadas do escasso campo de recrutamento, do despontar de novos valores, etc. Não há, um país com apenas 3,5 milhões de habitantes que já foi campeão do Mundo e está por sistema presente nas fases finais?

7. Tem sido colocada por alguns, a questão se é com esta Federação e com este Seleccionador que poderemos aspirar a outros voos, nomeadamente se é a estrutura indicada para levar a cabo a empreitada de renovar a base da Selecção. Não há situações ideais pelo que temos que fazer o possível por acreditar que estarão à altura da tarefa. É prioritário que se extinga a desilusão e se concentre o foco no essencial da tarefa. Sem que isso nos sirva de consolação, a Espanha, a Inglaterra e a Itália foram chutadas borda fora todas alcançando menos pontos que Portugal. Querem apostar que reaparecerão fortes e pujantes no próximo Campeonato da Europa?






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