Ponto Vermelho
Coisas que nunca se alteram...
1 de Julho de 2014
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1. Estamos ainda um pouco longe da conclusão do Campeonato do Mundo e já se perfila o reinício da época futebolística com o regresso paulatino das várias equipas aos treinos, com natural antecipação para aquelas que iniciam primeiro a época fruto de terem que disputar pré-eliminatórias europeias e terem desde logo que acelerar a forma e os automatismos para poderem estar à altura das exigências imediatas que se lhes colocam. Oficialmente a época doméstica inicia-se em Aveiro a 10 de Agosto com a disputa da Supertaça Cândido de Oliveira entre os finalistas da Taça de Portugal, Benfica e Rio Ave.

2. Muitos antes, três dias após o regresso do campeão nacional ao trabalho, terão lugar os sorteios das competições profissionais (I e II Liga) para a época 2014/2015. Os clubes aguardam o sorteio com a tranquilidade de sempre pois todos têm que jogar contra todos, mas é inegável que os caprichos das bolinhas podem determinar situações curiosíssimas e que poderão vir a ter alguma influência na planificação da época. Nos últimos anos temos tido situações em replay como seja o FC Porto-Benfica sorteado para as duas últimas jornadas, aguardando-se com natural curiosidade se desta vez voltará a haver as mesmas coincidências.

3. Estando ainda a assentar as cinzas da insuficiente prestação portuguesa no Brasil e enquanto se aguarda se chegaremos alguma vez a ter divulgação pública ainda que parcial das conclusões internas a que chegará a estrutura federativa depois da análise e reflexão obrigatórias que terão inevitavelmente que ser feitas, para variar, a época ainda está longe de começar mas já se perfilam no horizonte próximo núvens mesmo muito carregadas que poderão pôr em causa o normal arranque das competições. Aliás, sem surpresa e em repetição do que sucedeu recentemente, a arbitragem promete estar agitada nos próximos tempos.

4. No seguimento da notícia que já tinha sido dada à estampa há pouco tempo no diário desportivo Record, as classificações dos árbitros da 1.ª categoria correm de novo sérios riscos de virem a ser impugnadas. É estranho e motivo para reflexão profunda que depois de todos os recentes problemas gerados à volta dessas mesmas classificações o assunto não tenha sido resolvido atempadamente de forma global e definitiva, e volte à ribalta desta vez através do recurso com efeito suspensivo para o Conselho de Justiça do árbitro Rui Silva da AF de Vila Real que acabou de ser desprovido à 2.ª categoria.

5. Ainda segundo o mesmo diário, «Rui Silva que ficou classificado em 3.º na época 2012/13, apitou 25 jogos dos campeonatos profissionais e em todos eles teve grau de dificuldade básico (0,20), facto que considera ”manifestamente decisivo” para a sua despromoção. Ao contrário, árbitros com notas piores acabaram por ver as mesmas subirem por terem tido graus de dificuldade mais altos nos seus jogos. O que “originou que os árbitros que erraram mais vezes ficassem melhor classificados”, tendo por isso, o Conselho de Arbitragem (CA) dado “benefício ao erro em detrimento da consistência de quem erra menos”.

6. Nesse contêxto, Rui Silva ”considera que o CA violou uma série de normas regulamentares, lembrando que para os jogos de maior dificuldade são designados preferencialmente árbitros internacionais ou os 12 melhores do ranking.” Por isso entende que a secção de classificações do CA agiu com desvio de poder e abusou do mesmo, tendo sido violados princípios básicos do direito administrativo. Esta é base do recurso que o Conselho de Justiça irá agora analisar dando-lhe ou não provimento. De qualquer forma, aconteça o que acontecer é mais uma acha para a fogueira em que vive de forma permanente o sector da arbitragem.

7. Com estes sobressaltos e agitações no sector é de alguma forma compreensível que os árbitros sejam afectados e lhes falte tranquilidade nas suas prestações. Isto evidentemente para além de todos os outros problemas que são por demais conhecidos e que têm levado a frequentes decisões bizarras e comprometedoras que têm gerado intensa polémica por adulterarem a verdade dos jogos e até de campeonatos como tem sido nítido e patente de há várias épocas a esta parte. Este tipo de situações gera nos adeptos e na opinião pública um clima de suspeição permanente e isso contribui para que não haja qualquer tranquilidade na arbitragem e no futebol. Será que alguma vez deixaremos de assistir a estas vergonhas?






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