Ponto Vermelho
Não há decisões?
4 de Julho de 2014
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Como se previa, começam a extinguir-se ecos da fraquíssima prestação da Selecção Nacional no Campeonato do Mundo e nesse particular o regresso ao trabalho dos principais clubes tem dado uma ajuda preciosa. Enquanto que se vão discutindo transferências, umas que já estavam alinhavadas e outras que não passam de meros desejos e auto-promoções, não se fala da Selecção, das insuficiências registadas e dos erros cometidos, e nesse particular a Direcção federativa e em particular o seu presidente Fernando Gomes agradece pois a sua guerra parece ser de facto outra. Para isso conta também com a indiferença da grande maioria dos adeptos que só têm olhos para os seus clubes.

Não se tratava propriamente de uma caça às bruxas e de, à boa maneira tuga, encontrar um culpado e nele concentrar todas as culpas que têm obviamente mais destinatários. Sendo inquestionável até para o mais desatento dos adeptos que algo correu mal, era vital que os adeptos e a opinião pública tivesse a verdadeira noção dos porquês de tão fraca prestação. Para isso a estrutura federativa que viveu por dentro todas as incidências, era sem dúvida a entidade melhor colocada para de forma serena e ponderada, analisar todas as circunstâncias envolventes que deram origem à situação que nos desiludiu e tomar as medidas adequadas para corrigir o que se revelou incorrecto. E dar disso nota pública dentro de parâmetros aceitáveis, porquanto não estamos a falar de um clube mas sim da Selecção que representa todo um País.

Debalde. Salvo algumas declarações avulsas do Presidente e do Vice-Presidente para as Selecções, as justificações que caberiam à Direcção da Federação e em particular ao seu presidente ficaram, até ver, na gaveta. Coube ao Seleccionador assumir essa tarefa que, como se esperava não se afastou um milímetro do seu habitual discurso monolítico, pelo que a grande maioria dos adeptos ficou com a convicção de que nada de substancial mudará no futuro a não ser o que for estrictamente obrigatório. E isso não é o que a Selecção do futuro precisa mas sim de uma renovação profunda e não apenas e só no capítulo dos jogadores. Compare-se, por exemplo, com o que aconteceu com a Selecção transalpina para se perceber melhor esta temática…

Se repararmos, não foi apenas e só a nossa participação na fase final que correu mal. Foi todo o percurso na fase de apuramento em que incluídos num grupo bastante acessível, conseguimos a proeza de obter resultados impossíveis com os adversários mais fracos e ainda por cima em casa. E, nessa altura, aquele que foi considerado o melhor jogador do Mundo e de quem alguns esperavam agora que resolvesse sózinho todos os problemas que caberiam à equipa, nem estava fatigado nem lesionado. Os resultados e as exibições paupérrimas que Portugal produziu deviam ter servido para se reflectir profundamente sobre a questão. Nada se fez e, mais uma vez, o benquisto playoff aliado à veia altamente concretizadora de Cristiano Ronaldo contra a Suécia mascararam os males profundos existentes e transportaram-nos para a ilusão.

Causou alguma confusão e surpresa para muitos, que o contrato de Paulo Bento tivesse sido renovado nas vésperas da partida para o Brasil. Se por um lado foi encarado como um factor positivo e revelador da confiança que a Direcção federativa depositava no Seleccionador numa versão decalcada de Pinto da Costa que na última se ficou apenas pela promessa com Paulo Fonseca… , por outro não deixou de revelar precipitação porquanto a possibilidade de algo correr mal no Brasil era já uma forte probabilidade tendo em contas as numerosas incidências que íam desde lesões em jogadores nucleares como Ronaldo, regressos de jogadores sem ritmo de jogo, baixas de forma, cansaço extremo, etc, etc. Ao fazê-lo, a Direcção da Federação ficou amarrada a um compromisso que, no caso de algo correr mal e de ter que avançar para uma medida extrema, para ser desfeito, obrigava desde logo a choruda indemnização partindo do princípio que Bento não abdicaria como ele fez logo questão de sublinhar ao afirmar que não se demitia.

É pois perante estes dados pouco aliciantes que se vai partir para uma nova aventura que começa já o seu percurso em Setembro. As coisas vão certamente acalmar com a época clubística, mas os problemas continuam a existir e não é varrendo-os para debaixo do tapete que eles se resolvem. Assim sendo, é legítimo pensar que dentro de 2 meses voltaremos a falar do assunto. Portugal está inserido num grupo de apuramento teoricamente ainda mais fácil que o do Mundial, pelo que, à partida, não há razão para que não consigamos um apuramento tranquilo até porque até pode acontecer que o 3.º lugar nos chegue. Mas, apesar de todas as nossas insuficiências, é crucial que sejamos competentes e capazes desde o início. É o mínimo que se deve exigir.








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