Ponto Vermelho
E siga a dança…
5 de Julho de 2014
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Prosseguem sem desfalecimentos nem interrupções as notícias que dão conta que o plantel do Benfica está em vias de desmantelação. De facto, são tantas e tão variadas as notícias e as informações que abordam essa questão que estão a causar efeitos nefastos nalgumas franjas mais sensíveis de adeptos e simpatizantes encarnados que ainda não se habituaram a este incessante vai-vem especulativo de pré-época. Este ano com preocupação acrescida se considerarmos a projecção mediática a que ficaram sujeitos todos os jogadores do Benfica. É o preço de terem chegado a um dos grandes clubes mundiais que teve uma época quase sublime e fez mais uma vez história.

Por variadíssimas vezes tem sido abordada a temática que versa o actual desapego à camisola que existe hoje em dia um pouco por todo o lado e não exclusivamente em Portugal. Os jogadores chegam e partem sem terem muito tempo para se habituarem ao clube e ao País porque o vil metal chama-os de outros locais em que a carteira está bem mais recheada, para além de lhes oferecer a possibilidade de uma muito maior competitividade nos seus campeonatos. Jorge Jesus disse recentemente e nós assinamos por baixo que o que neste momento distingue o Benfica dos chamados colossos europeus é essencialmente o poder financeiro. Aí não há de facto comparação.

Ninguém ignora, por exemplo, que as receitas televisivas obtidas pelos clubes europeus de primeiro plano não têm a mínima comparação com as que recebem os principais clubes portugueses. Para estes, implica uma enorme diferença nos seus orçamentos e por via disso cria desigualdades acentuadas com uma muito menor capacidade aquisitiva, para além de não poderem competir em termos de condições remuneratórias. Hoje em dia existe uma nova via de grandes clubes com o aparecimento de vários novos-ricos que se dão até ao luxo de esbanjar dinheiro, por vezes de proveniência duvidosa, para esmagar a concorrência e naturalmente pelo prazer pessoal. Isso faz com que a décalage de plantéis seja notória e origine inevitavelmente valores mais fracos na maioria das circunstâncias, ressentindo-se com isso a competitividade da Liga Portuguesa.

Esta é uma fria realidade que é fácil constatar e cuja tendência parece ser crescente aumentando as assimetrias que já são pronunciadas. Questão que tem levado vários observadores a considerar que, a manter-se este padrão, seria doravante quase impossível aos grandes do nosso futebol aspirarem a voltar a vencer uma Liga dos Campeões. Não seremos tão radicais nessa previsão, mas que se tem tornado cada vez mais difícil às equipas portuguesas fazerem bons percursos na prova isso parece ser um facto incontroverso. Será que caminhamos inexoravelmente para a introdução de uma segunda Liga Europeia?

Com esses dados em equação, o Benfica vive presentemente uma fase de alguma incerteza sem poder definir com exactidão a composição do seu plantel. Sendo um facto real, importa que não se perca muito tempo na expectativa a avaliar uma situação de forte componente exógena para a qual só existe um antídoto para a estrutura encarnada que está a acompanhar de perto esta situação: – estar atenta às movimentações do mercado e tentar colmatar eventuais saídas com eventuais novas entradas. Sendo um pouco LaPaliciana esta conclusão, a realidade é que não é de modo nenhum uma tarefa fácil porquanto a partir do momento em que existem fragilidades torna-se complicado prever quando poderá haver um novo ataque de qualquer endinheirado da praça europeia. Mesmo que a vontade seja preservar.

Tudo indica que estamos ainda longe de poder vislumbrar a composição final do plantel, mas isso não deve constituir de forma nenhuma para os adeptos e simpatizantes um drama insolúvel. A estrutura está atenta e pelo que se tem visto tem actuado de forma assertiva na sua recomposição dentro das limitações que se conhecem. É verdade que é sempre complicado substituir jogadores como por exemplo Garay. Não só pela sua categoria e influência, como pela assimilação das rotinas de jogo da equipa. Contudo, ao longo dos últimos anos temos assistido à partida de elementos muito importantes e não foi por isso que o Benfica deixou de ser uma equipa forte e competitiva. Estamos crentes que mais uma vez tal voltará a suceder. Torna-se no entanto imprescindível que os adeptos compreendam que neste ou naquele caso poderá haver individualmente maiores dificuldades de adaptação, pelo que não devem começar desde logo a assumir julgamentos definitivos que podem tornar-se virais e limitativos para jogadores que mal acabaram de chegar!








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