Ponto Vermelho
Lógica consequente
11 de Janeiro de 2013
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Sem mais jogos de permeio e com a contagem decrescente já iniciada, quase todos os opinadores se estão a concentrar no próximo clássico, com uma pequena minoria a debruçar-se sobre a crise perene do leão e a inevitabilidade de devolver a palavra aos associados tal o estado a que se chegou em Alvalade. Justifica-se a focagem num tema que tendo sempre importância acrescida, esta temporada ganhou particular relevância com os dois primeiros classificados já muito destacados na frente e com a concorrência a milhas quando estamos quase a atingir o fim da primeira volta. Daí o maior destaque.

Se observarmos a carreira de ambos os contendores, constatamos que o trajecto é muito similar e (sem contar com o jogo em atraso dos azuis e brancos no dia 23 em Setúbal), qualquer um deles apenas cedeu 2 empates. No caso dos azuis e brancos ambos fora de casa e no do Benfica um caseiro e outro fora de portas, por curiosa coincidência os dois marcados por erros de arbitragem. Aparte esse pequeno pormenor que no fundo faz parte do quotidiano dos encarnados nas últimas décadas, os dois clubes têm provado que de facto não têm concorrência, muito embora o SC Braga ainda esteja a esboçar uma ténue reacção mas sem fazer perigar de nenhum modo o vencedor final do campeonato.

Duas linhas estão a marcar as opiniões: a que defende de que se trata de um jogo importante mas não decisivo, e a outra linha que aponta para o facto de quem vencer terá bastas hipóteses de vir a ser campeão. Sobretudo se for o FC Porto. Como invariavelmente acontece nestas alturas são chamadas à colação estatísticas e tradições que no fundo não passam de isso mesmo, e são evocados os resultados das últimas épocas em que os portistas levaram de vencida os encarnados. Só que por muito que respeitemos esses factos reais, tudo isso já faz parte do passado e a tendência é sempre para que não hajam dois jogos disputados em circunstâncias rigorosamente idênticas.

Levando em linha de conta o que cada um dos conjuntos apresentou esta época até ao momento, os factos apontam para que não haja um favorito claro. Mas atendendo ao presente momento de forma de ambas as equipas e considerando as potencialidades de cada um, a considerar um favorito terá que ser por maioria de razão o Benfica. Porque apresenta um futebol mais atractivo e sobremaneira mais compacto, porque tem demonstrado maior dinâmica, porque tem um ataque que tem marcado em todos os jogos, ainda porque joga no seu reduto perante o seu público, e finalmente porque desta vez o jogo até conta com um árbitro que não parece fazer particular questão em decidir jogos a favor do FC Porto. Se a lógica funcionasse, todos esses factores seriam suficientes para o Benfica estar mais perto do triunfo. Mas do outro lado existe uma equipa que revelando porventura maior conservadorismo, torna-se matreira e joga com a vantagem psicológica de ter vencido as últimas partidas na Luz ainda que beneficiando de situações marginais que inclinaram a balança a seu favor.

Não cremos todavia que a equipa do Benfica no tempo presente se deixe impressionar por isso. As últimas remontadas demonstram, sem sombra de dúvida, que o plantel respira saúde psicológica, e essa componente tem sido decisiva no virar dos resultados. Por sua vez o FC Porto apesar das frequentes queixas de Vítor Pereira que tem um plantel curto, tem obviamente as suas chances que se alicerçam no referido factor psicológico e numa maior consistência defensiva apoiada num meio-campo compacto que permite contrariar a natural dinâmica ofensiva dos encarnados que precisa de bola para ser a equipa que é. E não é de nenhuma forma de excluir que Izmailov seja a grata surpresa e se apresente completamente refeito daquelas misteriosas mazelas no joelho que o afectavam recorrentemente em Alvalade. Para provar a bagunça que se vive em Alvalade...

Curioso é observar o argumentário portista. Tentativas cautelosas de desvalorizar alguns elogios que a equipa do Benfica tem recebido, e refugiando-se na tese que o FC Porto está desfalcado de elementos importantes. Tudo isso faz parte de uma campanha de algum receio mas ao mesmo tempo de adormecimento e que poderia levar os benfiquistas a pensar que a vitória era favas contadas. É um jogo psicológico como outro qualquer que cremos não venha a ter influência na forma como a equipa encarnada se mostra disposta a abordar o encontro. Tratando-se de um jogo importante que poderá permitar uma embalagem fundamental para o resto do campeonato sobretudo se forem os portistas a conseguir um resultado positivo, esperamos que o Benfica na linha do que tem vindo a fazer até aqui, marque a diferença e vença o jogo.

Bem sabemos que o futebol é aleatório e nem sempre a lógica funciona. Poderá ser um jogo em que os detalhes venham a fazer a diferença e assim sendo basta um erro de um jogador numa altura crucial para fazer pender a balança para um dos lados. Além de que os jogadores nem sempre estão inspirados e pode acontecer que este ou aquele não venha a atingir o nível a que nos habituou. Não vamos, por ora, falar da outra equipa para além do que já fizemos, mas esperamos que venha a ter um bom desempenho e se dissocie de algum protagonismo como é hábito acontecer nos jogos entre as duas equipas. Isso seria uma excepção que viria contrariar a tendência do que normalmente acontece no futebol português mas que a esmagadora maioria dos desportistas portugueses certamente muito agradeceria...






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