Ponto Vermelho
Críticas & Insultos-I
12 de Julho de 2014
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Por EagleView

O inexorável desfilar do tempo trouxe com ele a evolução inevitável. De tão rápida que aconteceu que provavelmente não se deu conta de que durante todo o processo evolutivo, arrastou e deu azo a alguns aspectos condenáveis que merecem ser assinalados. Utilizando estereótipos, dir-se-ia que em democracia, pela liberdade de pensamento que ela concede a todos os cidadãos, nenhum, seja qual for o lugar ou posição que ocupe na sociedade está imune a críticas, porque enquanto ser humano não é perfeito e comete erros ou imprecisões.

A explosão das redes sociais conferiu-lhe outra dimensão, porque veio permitir a qualquer cidadão, por mais anónimo que seja, exprimir o que lhe vai na alma ou lhe foi encomendado, bastando para isso apenas ter acesso à rede. A utilização em roda livre desse importante instrumento é que pode e deve ser questionada, não pelas críticas em si que são legítimas aparte de serem ou não justas, mas pelo uso recorrentemente indevido de teorias inventivas, calúnias e insultos sem sentido a coberto do livre direito à crítica e se quisermos até à indignação. Entra-se por caminhos lamacentos com despautérios e mesmo ofensas pessoais que ultrapassam tudo o que seria legítimo admitir. É este, infelizmente, o panorama que temos hoje em dia.

No futebol, em que bastas vezes o extravasar das emoções leva à perda sistemática da racionalidade que devia estar sempre presente no comportamento de qualquer ser humano (é quase impossível alguém poder dizer desta água não beberei…), conduz a uma situação corriqueira e chega por vezes a ser confrangedor observar como se chega tão longe na falta de educação, de respeito, na baixeza e na mediocridade da linguagem. É o que temos e não nos parece que saiamos desse atoleiro tão rápido como seria desejável. É uma constatação que nos entristece porque não será certamente assim que faremos prevalecer as nossas opiniões, porque como se sabe, ninguém é detentor exclusivo da verdade.

Todos nós, adeptos do desporto e do futebol com maior incidência, temos uma concepção muito pessoal do nosso clube preferido. O adepto equilibrado, deve criticar sempre que o ache conveniente ou aplaudir quando vê razões para o fazer. Aqui e ali, devido às emoções irracionais exagera para um lado e para outro sem contudo extravasar os mais elementares deveres que a ética, a educação e a sua condição de adepto lhe impõem. Estou a falar de uma percentagem significativa de adeptos e, de igual modo, da outra massa crítica que perora sobre o futebol e em particular sobre os clubes e sobre as pessoas que os dirigem, numa comunicação social que está há muito infectada e que é, hoje em dia, o maior antro de coscuvilhice que se conhece.

Não posso por isso deixar de reagir sempre que as calúnias ultrapassam as compreensíveis críticas, ou os insultos se sobrepõem à pobreza de argumentos. Insultar um presidente eleito pela grande maioria dos benfiquistas é insultar o Benfica. Mentir e inventar calúnias sobre o presidente é o mesmo que inventar e mentir sobre o Benfica. Ele foi eleito para ser o representante máximo do clube. Insultar um colaborador do Benfica, seja ele treinador, jogador ou funcionário, é insultar o Benfica. Mentir e inventar calúnias sobre essas pessoas é o mesmo que mentir e insultar o Benfica. Quem trabalha em e para o Benfica merece o máximo respeito de todos os verdadeiros benfiquistas. Tratem os outros como gostariam de ser tratados se estivessem na mesma situação.

Quem insulta os outros arrisca-se a ter o mesmo tratamento. E não se pode nem deve queixar por isso. Só que essa via nunca será a mais adequada aos seus próprios objectivos, na medida em que o insulto, a calúnia e a linguagem rasca nunca foram nem nunca serão argumentos sérios, válidos e contundentes para fazer prevalecer argumentos. O velho e estafado slogan do falar mais alto já não colhe e perde-se em monólogos arrastados que definem a personalidade dos seus autores. Mas, por mais que se sublinhe este estado de coisas tristes, continua sempre a haver aqueles que nunca conseguem aprender as lições da vida e que insistem em teorias desbragadas que, longe de amachucar, me arrancam um sorriso fugidio nos lábios de desprezo. Contudo, por muito que me custe, o silêncio e a indiferença por vezes têm que ser rompidos sob pena de permitirmos demasiado tempo de antena a desbragados que por insuficiências próprias se entretêm a descarregar os seus desencantos e frustrações. Quase sempre da pior forma.








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