Ponto Vermelho
Críticas & Insultos-II
13 de Julho de 2014
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Por EagleView

É inteiramente verdade que o desejo de protagonismo não tem muros nem fronteiras e faz com que, nos órgãos de comunicação social e nas redes sociais, seja permitida toda a espécie de aleivosias. Por motivos óbvios, dado que qualquer pessoa ansiosa por se fazer ouvir e cumprir a tarefa de his master’s voice, aprecia sobremaneira ver reproduzido o seu nome escrito algures, por mais devedora que esteja da inteligência e do bom senso. Para a consecução desse objectivo, dá largas à sua formação deficiente e vai espalhando toda a espécie de tiradas tonitruantes que encontram eco nos seus pares que navegam nas mesmas águas turvas e poluídas. Com a satisfação dos mentores e dos mandantes…

Nesse enquadramento abandono um pouco a questão mais abstracta para me situar em situações mais concretas. A esse propósito poderia falar de um qualquer Carlos Mendes, como poderia também falar de um qualquer José Silva ou ainda de um qualquer João Tavares. Os nomes são ficcionados e pouco importam, mas sim a teorização que é feita a partir de nenhuma coisa substantiva, com o desejo de apenas protagonizarem um pseudo direito à crítica sem bases sérias, sólidas e coerentes. Porque todos sabemos que qualquer situação, seja ela qual for é sempre passível de crítica, porque por mais bem intencionada que seja nunca é perfeita porque protagonizada por humanos!

Alguém uma vez disse que a democracia está muito longe de ser um sistema perfeito mas que até hoje nunca tinha sido encontrada uma situação alternativa que a substituísse com vantagens de forma inquestionável. Logo, enquanto isso não acontecer, teremos que viver com o menos mau por exprimir com mais verdade a soberana vontade dos povos... e dos adeptos. Mesmo que por vezes existam desvios e manipulações grosseiras e aqui e ali hajam tremendos equívocos. Só para citar dois casos mais flagrantes, na política Adolf Hitler assim subiu ao poder na Alemanha e no futebol João Vale e Azevedo conquistou a presidência do Benfica.

Não sei nem importa agora fulanizar porque de nada adiantaria. Mas talvez fosse importante perguntar se esse género de talibans pertence à classe etária que teve oportunidade de presenciar a trajectória ínvia e deprimente do referido ex-presidente do Benfica. E se sim, qual o seu posicionamento ao longo do seu consulado. Mas a prova que a democracia no universo encarnado sempre funcionou, foi que os adeptos encarnados tiveram a oportunidade de corrigir ainda que com pesada factura, um colossal erro nas urnas. Felizmente que preencheu apenas um mandato mas os danos causados foram consideráveis, porque não só não adicionou o que quer que fosse ao património encarnado como delapidou a vertente desportiva. E da financeira não se fala...

Não tenho a mais pequena dúvida que se porventura os agora tão críticos estivessem na altura tão activos como agora se revelam, que o Benfica teria sido dispensado da grande travessia no deserto que teve que efectuar. Tudo teria sido tão diferente! Mas há algo que esses espécimes nunca conseguirão compreender e aceitar: é o espírito democrático que é a imagem de marca do Benfica que tem permitido desde sempre eleições livres e democráticas que permitem corrigir eventuais erros nas urnas como o que atrás referi. Não aceitar vitórias expressivas em sucessivas eleições parece indiciar sérios tiques ditatoriais e um regresso ao século XVII de Luís XIV com o seu célebre L’état c’est moi.

Uma relação de identidade? Mas é óbvio que tem de existir! Vieira o Presidente do Benfica identifica-se tanto com o clube como se identifica o Presidente da República com Portugal, ou o Rei de Espanha ou a Rainha de Inglaterra com os seus países. Independentemente do juízo que cada um dos cidadãos possa fazer. E no entanto os reis não foram eleitos por escrutínio público! São aquilo a que se chama símbolos para os quais uns são eleitos e outros escolhidos. Aliás, não é preciso procurar muito pois nos nossos maiores rivais temos tido com frequência cooptações e também dinastias. Mas em que é que isso tolhe ou impede a crítica? A crítica é sempre um meio e nunca um fim. A crítica é bem vinda quando é construtiva e feita de boa fé. Mas do que falamos aqui, dos talibans, é da crítica ignorante, pois pensam que fazendo barulho e um ruído ensurdecedor podem mudar as coisas conforme as suas pretensões.

O Benfica é toda a gente, do presidente ao último sócio. Criticar quem trabalha para o Benfica sem conhecimento e sem fundamento não é uma questão de estarmos a exercer um direito mas de estarmos a prejudicar o clube porque esse tipo de crítica infundada é sempre uma forma objectiva de agressão. E quando não tem razão de ser e envolve teorias de conspiração, passa a ser imprudente, mentirosa, mal intencionada, de má fé, faz mal e prejudica o objecto ou as pessoas agredidas. Para além de ser imoral!






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