Ponto Vermelho
Oblak: Um caso para reflexão
18 de Julho de 2014
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1. De todos os jogadores que fizeram parte do plantel benfiquista da pretérita temporada e em particular daqueles que foram titulares, nenhum como o jovem guarda-redes esloveno Jan Oblak originou tantas parangonas nos jornais e tanta confusão entre os adeptos com o óbvio aproveitamento da comunicação social sempre na mira de explorar até à exaustão qualquer notícia que seja facilmente vendável. E as relacionadas com o Benfica, se não forem vitórias retumbantes, enquadram-se no padrão de interesse jornalístico de vários desses órgãos.

2. Mas, em boa verdade, terá sido para alguns uma verdadeira surpresa a ida para Madrid (ou para qualquer outro lado) de Oblak? Provavelmente não se atendermos aos antecedentes e por Oblak manifestar pressa de viver. Como todos estamos recordados, já o ano passado foi ensaiada uma tentativa de fuga do jogador apoiada no pretexto de invalidade do contrato assinado com o Benfica, que resultou infrutífera dada a falta de argumentação jurídica para levar por diante essa intenção do guarda-redes e dos seus mentores.

3. Na altura, como também se recordam, um dos fundamentos evocados teria sido as afirmações do treinador Jorge Jesus que teria manifestado algum cepticismo sobre a possibilidade de Jan Oblak ser de imediato o titular da baliza encarnada, não pelas potencialidades que já eram inquestionáveis, mas pela sua juventude e por alguma falta de experiência ao nível da alta competição. Além de que, defender a baliza de uma equipa como o Benfica requer um conjunto alargado de aptidões que acabam por pesar no desempenho dos atletas.

4. Outro pormaior que não pode ser menosprezado é o facto de que, desde que o Benfica teve na baliza um monstro chamado Michel Preud’homme, todos os seus sucessores têm ficado a perder na comparação, ao mesmo tempo que se criam dúvidas e incertezas no espírito dos adeptos numa situação complicada de ultrapassar como são todas as questões de índole psicológica. Todos os guarda-redes têm vindo a enfrentar essa desconfiança, e como as últimas são as que estão mais frescas na memória, Artur Moraes depois de uma primeira época num patamar muito aceitável, acabou por ser de alguma forma afectado para o que muito contribuiu a desconfiança vinda das bancadas.

5. Tal como o então jovem e inexperiente David Luíz (curiosamente de regresso às origens), também Oblak foi lançado de forma inesperada devido à infelicidade de Artur. No tempo que mediou até ao fim do desafio eram vários os cenários, tendo acabado por prevalecer o melhor; para o próprio e para o Benfica. As reacções que se vinham manifestando contra algumas das prestações de Artur a atravessar uma fase menos conseguida, tiveram efeito contrário engrossando o apoio a Oblak. E, por coincidência, mas sobretudo por mérito da equipa técnica, da equipa que passou a ser mais eficaz a defender e, naturalmente de Oblak, o Benfica passou a sofrer golos com muito menor regularidade, situação que foi enfatizada por alguns como sendo apenas de natureza individual. Não foi.

6. Rapidamente foi esquecido o comportamento do jovem esloveno cujas culpas pela sua não comparência no início da época foram distribuídas salomonicamente por Jorge Jesus (por não estar a contar com ele para titular) e pelos empresários que o teriam aconselhado mal. Seja como for, tudo isso foi ultrapassado com o regresso e o aumento do vínculo contratual conseguido por Luís Filipe Vieira. Face a todo o enquadramento e apesar de se saber que a época tão conseguida pelo Benfica aumentaria a exposição dos seus jogadores aliada à necessidade de realizar encaixes, não era à partida expectável a saída de Oblak por ser considerado um elemento importante para a nova época.

7. Quem pensava assim estava enganado. Oblak voltou a repetir a gracinha e desta vez não colhe a eventual pressão do empresário (um dos principais interessados) ou o desejo manifestado de querer jogar no futebol espanhol desde pequenino. Sabendo-se que o cumprimento da totalidade da cláusula de rescisão impedia o Benfica de ter possibilidades de o manter e acabando o Atlético de Madrid por estar disposto a assumi-la, tudo poderia e deveria ter sido feito com ética e lisura por ambas as partes. Por Oblak que não pode esquecer que foi o Benfica que o projectou e pelo Atlético de Madrid cujas relações com os encarnados são constantemente enaltecidas e traduzidas na consumação de vários negócios. Sabemos que o futebol (como tudo, aliás) está cada vez mais selvagem, mas será assim tão difícil manter alguma ética e urbanidade nestes negócios?






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