Ponto Vermelho
Personagens da história do futebol portoguês-I
19 de Julho de 2014
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Por EagleView

"E lembrem-se que quando temos uma concentração de poder em algumas mãos, frequentemente os homens com mentalidade de gangsters conseguem manter o poder"- Lorde Acton

À boa maneira portuguesa e contando com a tradicional memória curta dos Homens, tem havido ao longo dos tempos em todos os sectores da vida nacional uma sucessão de casos e factos gravíssimos que, apesar de terem sido focados (na maior parte ao de leve para não causar mossa), têm-se diluído no tempo até terem sido encerrados de vez no baú do esquecimento, sem que daí tenham resultado sérias punições para os seus autores (directos e indirectos). No futebol também e, tal como nos outros sectores, factos incontroversos são apurados e chegam à opinião pública mas os alegados arguidos acabam sempre por escapar pelos intervalos (largos) da lei como que a transmitirem-nos que isto é um Estado de Direito mas não obrigatoriamente para todos…

Porque me indigna que os cidadãos não sejam todos iguais perante a lei, esforço-me por contribuir, ainda que modestamente, para que determinados temas não caiam definitivamente no cesto roto das coisas esquecidas por um lado, e certos personagens com um percurso acidentado e repleto de manigâncias e golpes palacianos sejam merecedores e credores de um mérito inatacável por outro. Jorge Nuno Pinto da Costa entra, por muito estranho que possa parecer nessa categoria, quando ”Grande parte do currículo de 30 anos que tem, devia ser apresentado como cadastro e não como currículo”. É longuíssima a lista de crimes de que tem vindo a ser acusado durante o seu consulado os quais, por uma razão ou por outra acabaram por não ser provados em Tribunal e consequentemente não foram objecto de qualquer punição. Aparte aqueles que nem lá chegaram ou chegando prescreveram…

Seria pois fastidioso enumerar a longuíssima lista de situações e casos que têm envolvido Pinto da Costa. Opto por isso, por apenas tipificar alguns de forma aleatória:
* Apologia pública a um crime * Incitamento à desobediência colectiva * Tráfico de influência * Usurpação de funções * Falsidade de depoimento ou declaração * Favorecimento pessoal * Branqueamento de capitais * Violação de segredo de justiça * Corrupção passiva para acto ilícito * Ofensa à integridade física qualificada * Ameaça * Coacção * Difamação * Injúria * Fuga ao Fisco e * Falsificação de documentos.

Marinho Neves (MN), como muitos sabem, é filho de futebolista e desde cedo apaixonado pela coisa desportiva. Esse entusiasmo conduziu-o ao jornalismo desportivo e sobretudo ao jornalismo de investigação, uma área relevantíssima que infelizmente tem vindo a rarear na profissão. Ao longo da sua carreira teve oportunidade de investigar e denunciar vários casos de corrupção no futebol português e, por via disso, sofreu na pele essa afronta aos senhores impunes. O seu livro ”Golpe de Estádio” editado em 2007 pela Terramar constitui uma peça importantíssima na compreensão e divulgação dos factos e na denúncia da corrupção. Nele são reportados inúmeros casos com vários a envolverem Pinto da Costa.

Escreve MN sobre o apogeu pintista: «O clube de Pinto da Costa tinha atingido o auge tanto em termos nacionais como europeus. Era o apogeu, o delírio e o júbilo de um povo que nunca se tinha visto em tamanha aventura. PC fez esquecer o seu velho e grande amigo Pedroto, evitando qualquer comentário que pudesse recordar o velho mestre. A glória tinha de ser só sua e de mais ninguém. A cidade caiu-lhe aos pés e foi a partir dessa altura que PC tomou consciência do poder que tinha e que Reinaldo Teles começou a alimentar a sua grande esperança de um dia vir a ser alguém no seu clube».

E acrescenta: «Reinaldo tinha Pinto da Costa quase na mão, através dos assíduos encontros deste último com as suas miúdas. As amantes sucediam-se e até entravam em lista de espera. PC sentia-se um Don Juan e conhecia uma vida totalmente diferente daquela a que sempre estivera habituado. O poder alimentou ainda mais a sua ambição e começaram aí as traições aos seus melhores amigos. Umas como pura defesa pessoal, outras para abrir caminho para os que iam chegando e prometiam uma maior subserviência, o que lhe dava a garantia de poder governar sozinho e principalmente sem ter de dar muitas explicações».

Refere ainda MN: «Os títulos traziam muito dinheiro para os cofres do clube e Pinto da Costa já tinha esquecido os momentos em que era apenas um vendedor de fogões, muito embora continuasse ligado à mesma firma, onde mantinha uma posição superior. Os milhares com que tinha de lidar começaram a toldar-lhe a mente e a aumentar a sua ambição. O seu clube era um grande chamariz para os grandes negócios e não faltaram oportunistas para tirar partido disso. Foi nessa altura que surgiu um empresário italiano muito ligado à venda de jogadores, mas com negócios ilícitos à mistura. Luciano D´Onofrio já tinha jogado futebol em Portugal e acabou por criar raízes no nosso país, mais propriamente a sul, aproveitando uma grande parte do seu tempo para entrar nas redes ligadas ao tráfico de droga... e era mesmo vital aquele ponto geográfico para o negócio!»






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