Ponto Vermelho
Música do costume
21 de Julho de 2014
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Qualquer adepto benfiquista ainda que não despido de paixão mas que fizesse da racionalidade o seu ponto de partida, terminada a final do Jamor teria ficado consciente que, a época inédita e verdadeiramente brilhante ainda que ensombrada por uma única mácula devido a erros próprios e alheios, só muito dificilmente seria repetida. Mesmo que o Benfica mantivesse todo o plantel, os jogadores continuassem motivadíssimos e fossem adquiridos novos reforços de categoria indiscutível. É pois suspeito e controverso este contínuo apelo de identificados plumitivos à exigência dos sócios e simpatizantes encarnados para esta época. Nenhum adepto de boa fé e em consciência se atreveria a exigir uma época semelhante, pois sabe que numa conjuntura como a actual essa situação tende a ser rara. Embora, curiosamente, pudesse ter sido duplicada…

Esteve pois bem Jorge Jesus a sublinhar o óbvio, para mais quando uma intensa debandada de jogadores do plantel encarnado motivada por uma situação dupla – cobiça do mercado vs necessidade de vender para satisfazer compromissos – está a acontecer de forma intensa para os lados da Luz. Por esse motivo é natural que exista alguma apreensão nos adeptos que os promotores da especulação desenfreada tentam explorar por vezes de forma obtusa, sempre com o intuito de retirar proveitos e espalhar a confusão nas hostes benfiquistas. A despeito de ser uma situação que sucede época após época e a ela estarmos habituados, há sempre no universo benfiquista quem lhe conceda algum crédito. Até às notícias mais disparatadas.

O facto do plantel encarnado ter trabalhado durante duas semanas sem permitir aquelas manifestações de folclore que se verificaram noutras paragens e não ter garantido o acesso aos plumitivos para consumação daquelas rábulas habitualmente usadas com opiniões e relato de pormenores de carácter muito duvidoso, causou algum enfurecimento nalguns locais onde todos os dias e a toda a hora se procura algo que possa constituir motivo de especulação. E quando vimos comparar uma SAD e o plantel de um clube de futebol com o funcionamento de uma empresa normal, confessamos que não sabemos o que pensar: se foi a azia descontrolada que se sobrepôs à racionalidade e ao bom senso, se é a interpretação por alguns do actual profissionalismo que roça as ruas da amargura.

O ano passado, por esta altura, o Estádio Coimbra da Mota foi palco previlegiado do regresso da velhinha Taça de Honra. Nessa altura, com o Benfica a ressacar de uma época que esteve tão próxima da glória mas que se transformou num quase desastre absoluto sobretudo em termos psicológicos, também os encarnados baquearam perante o velho rival então por 2-1 ainda que no jogo inaugural. A composição das equipas era diversa e sabe-se durante quanto tempo prevaleceu o pessimismo dos adeptos benfiquistas que viram uma pré-época na mesma linha com resultados pouco ou nada conseguidos, em conjugação com as más prestações da equipa. Quase ninguém, nem sequer os habituais entendidos que adoram falar hoje do que se desenrolou ontem com a firme certeza de que já o tinham previsto, se atreveu a vaticinar a temporada de sonho que a equipa acabou por realizar.

Mais uma vez, inebriados pelos jogos de preparação da pré-época com uma enorme complexidade de situações, alicerçados no que vêem ou julgam ver nas prestações individuais e na composição dos plantéis a 40 dias do encerramento de um mercado tão volátil como é o actual, já conseguem desenvolver teses muito concretas, opiniões muito fundamentadas e certezas quase absolutas. Excluímos como é óbvio desta algazarra conspurcada, as de alguns que continuam a seguir fielmente os ditames da sua consciência isenta e independente e a honrar a profissão que escolheram. Infelizmente, são uma gota de água no oceano com tendência a desaparecer. Os interesses pessoais e de grupo estão a ganhar velozmente terreno contra a cruzada da honestidade intelectual, da ética e do bom senso.

Por todos os factos e tendências que pareciam ser e afinal acabaram por revelar o inverso, manda a prudência que não prossigamos por caminhos de que não conseguimos vislumbrar as curvas e prever todos os obstáculos. Uma coisa é o que vivemos neste momento e que parece ser, outra completamente diferente é aquilo que será realmente num horizonte que está já ao virar da esquina. Não queremos com isso contrariar entusiasmos bacocos por iberismos (que diferença para a então balcanização do plantel do Benfica!), ou por avanços irreversíveis motivados pela manutenção e alargamento de Etares…. Todos, sem excepção, devem seguir a sua consciência e não se deixarem afectar por estórias de embalar que, como se viu há um ano, conseguiram prever tudo e o seu contrário… sem qualquer pudor. Mas não sabemos já isso?








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