Ponto Vermelho
Agarra que se faz tarde…
23 de Julho de 2014
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1. As constantes investidas para levar o futebol português ao caos e à miséria (ainda mais do que seria suposto…) têm sido tantas ao longo dos tempos que quando volta a acontecer a qualquer hora e a qualquer momento novo episódio caricato ou burlesco, a opinião pública e os adeptos encolhem os ombros como se tal fosse uma situação inevitável. Tem sido sempre assim e até agora nunca foi possível reunir um consenso ainda que mínimo que fosse capaz de inverter um estado de coisas que tem mergulhado o nosso futebol na triste realidade que vivemos. Ninguém pode dizer que não tem culpas no cartório, seja por intervenções pífias, seja pela inércia confrangedora de assobiar para o lado a fingir que não percebeu…

2. Federação, Liga de Clubes, Clubes, Ministério da Tutela e Assembleia da República (embora com diferentes graus de responsabilidade), têm contribuído para as circunstâncias aterradoras actuais em que, a despeito de intervenções pontuais e desfasadas no tempo, pouco têm feito para que o nosso futebol dê o tão desejado salto em frente, através de uma aposta firme e consciente na melhoria da organização de todo o edifício do futebol, no estabelecimento, definição e clareza das regras, na sua aplicação e controle para que se discuta menos, por forma a que todos os agentes envolvidos trabalhem de forma mais profícua com objectivos comuns: o progresso e o desenvolvimento do futebol.

3. Normalmente assiste-se ao alijar de responsabilidades atirando a culpa para cima dos outros. Os umbigos são enormes e os egos ainda maiores, pelo que mais tarde ou mais cedo este velho problema terá que ser invertido sob pena de chegarmos a um ponto em que ou se ataca rápida e decididamente o problema de sempre, ou caminhamos de forma definitiva para um mundo de trevas e para um atoleiro de onde teremos tarefa muito complicada, quiçá impossível, para sair. Neste momento estamos a atingir esse ponto fatídico e daí terem os sinos tocado a rebate.

4. Dir-se-á então se tudo isto era previsível porquê chegar a este estado? O egoísmo, o desejo de protagonismo e fundamentalmente o tentar marcar pontos a nosso favor e para o clube dos amigos, dos que podem servir de trampolim para montarmos a nossa estratégia, ajudam de alguma forma a explicar este marasmo que se instalou a todos os níveis. Afinal, o que interessa verdadeiramente, é defender os interesses egoístas para ajudar a dominar e a controlar mesmo que isso colida frontalmente com os interesses dos outros e do futebol no seu todo.

5. A lei que foi implementada e tem vigorado desde há 3 décadas, tem levado o futebol português a definhar satisfazendo um pequeno núcleo cujo pivot tem estado centralizado no pintismo, sem que os outros clubes (e estamos a falar em particular do Benfica e do Sporting) tenham conseguido inverter a situação. Aliás, é bom recordar que só com a actual Direcção os nossos vizinhos de Alvalade romperam com a subalternidade e a vassalagem ao FC Porto que durou mais de uma década com os resultados devastadores que se conhecem.

6. Nos últimos anos, por um conjunto de circunstâncias variadas, têm-se notado ligeiras melhorias. Mas, no essencial nada mudou, porque as estratégias e actuações da grande maioria dos clubes têm-se mantido inalteráveis nas reuniões e das assembleias da Liga de Clubes com cada um puxa a brasa à sua sardinha, não atingindo assim o objectivo mais óbvio do ponto de vista do interesse do futebol nos seus aspectos globais. Os interesses sectoriais têm prevalecido e assim tem sido impossível atingir outros patamares de desenvolvimento e de progresso. Aparte isso, o poder legislativo tem-se mantido silencioso e ao mesmo tempo ocioso, pois questões essenciais como o estudo da revisão do IVA na bilhética, a legalização das apostas desportivas on-line, a entrada em funções do Tribunal Arbitral do Desporto , etc, tem-se arrastado muito para além do que seria desejável. Já sem falar na questão dos direitos televisivos…

7. A rábula das eleições da Liga de Clubes de onde não emergiu um líder forte e consensual que se apresentasse com um programa de progresso e de desenvolvimento que pudesse ser sufragado pela grande maioria dos clubes, não fazia prever nada de bom. Que se acentuou com as acções em tribunal solicitando a anulação do acto eleitoral. Os últimos desenvolvimentos são perigosos pois trouxeram à luz do dia, de forma peremptória, o estado financeiro caótico em que se encontra a Liga de Clubes e que coloca em risco o início das competições profissionais. Em desespero de causa, foi eleito um triunvirato constituído pelos 3 grandes para desbloquear uma situação de eminente ruptura. Passada a surpresa, urge pôr mãos à obra e apresentar trabalho o mais rapidamente possível. Mas, é decisivo que muitos dos clubes abandonem a postura que os tem caracterizado sob pena de ser mais uma tentativa vâ de colocar alguma ordem neste caos em que se encontra o futebol português. Esperamos para ver!






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