Ponto Vermelho
Pré-épocas penosas
25 de Julho de 2014
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Numa retrospectiva ao consulado de Jorge Jesus na equipa de futebol do Benfica que acaba de entrar na 6.ª época consecutiva e está a bater todas as tradições no que à longevidade dos treinadores à frente da equipa da Luz diz respeito, poder-se-á afirmar com propriedade que, talvez com excepção de duas, as pré-épocas têm sido, pelas mais variadas razões, alvo da desconfiança de parte dos adeptos encarnados que não têm conseguido ultrapassar a frustração acumulada no presente século em que têm visto fugir o título quase sistematicamente com as excepções conhecidas. Sobretudo as novas gerações que sentiram isso com particular acuidade devido a pouco terem visto o Benfica campeão, objectivo supremo interno de sempre.

Se excluirmos a primeira pela curiosidade e expectativa da chegada e pelas declarações afirmativas e prenhes de entusiasmo de Jesus que se materializaram com a conquista do campeonato sem dúvida uma muito agradável novidade para muitos desses jovens adeptos e por motivos óbvios a segunda, em mais nenhuma outra desde então teve lugar a confiança e o entusiasmo que costumava caracterizar todos os defesos e pré-épocas do passado, sobretudo pelas expectativas que existiam sobre eventuais novas aquisições que eram normalmente trutas, fruto da conjuntura económica-financeira que se vivia. Nessa altura, para além das regras ainda não terem atingido o estado selvagem do presente no panorama futebolístico internacional, não tinham também chegado ao futebol europeu Sheik’s árabes, oligarcas russos ou extravagantes singapurianos…

Depois do descalabro na temporada pretérita em que os adeptos desde muito cedo constataram o que iria acontecer com situação agravada devido à excelente prestação do FC Porto de André Villas-Boas, a terceira pré-época iniciou-se sob o signo da desconfiança e do pessimismo com algumas vozes, até internas, a deixarem de conceder crédito a Jesus. Ainda assim a equipa manteve uma boa performance interna, tendo soçobrado nas jornadas finais quando dispunha de bom avanço, depois de derrota comprometedora em Guimarães após compromisso europeu, empate em Coimbra e derrota na Luz com os portistas mas, nestes dois últimos casos, para além dos erros próprios que sempre existem em qualquer desafio, a música foi outra pois foi interpretada pelos apitadores Hugo Miguel e pelo inevitável Pedro Proença…

Não estranhou portanto que a quarta pré-temporada se regesse dentro dos mesmos parâmetros. De novo os mesmos argumentos mas desta vez com maior veemência. Os resultados até não foram desanimadores mas o empate caseiro registado logo da 1.ª jornada (cumprindo uma tradição que já durava há 6 épocas) acentuou a frustração. No entanto, a recuperação encetada criou uma vaga de esperança ainda que os mais cépticos mantivessem a ideia de S. Tomé… que acabou por vingar nas derradeiras jornadas mas aí sem poder imputar culpas a quem quer que fosse a não ser à própria equipa. O que se seguiu como se sabe foi doloroso e difícil de ultrapassar pois em escassos 12 dias tudo o vento levou; a esperança, a possibilidade de ganhar e a recuperação psicológica tão premente quanto necessária.

Como seria expectável a quinta pré-época, depois de intensa especulação sobre a permanência de Jesus em que acabou por prevalecer a decisão presidencial, decorreu sob a desconfiança generalizada dos adeptos e não foi positiva. A derrota inaugural ainda complicou mais a tarefa e não faltou quem previsse o desastre. Assim continuou até ser atingido o 1.º terço da prova em que depois da vitória sobre o FC Porto, os encarnados avançaram decididamente, começando a praticar um futebol mais calculista, mais consistente ainda que menos vistoso. E, contrariando todos os arautos da desgraça, o Benfica realizou uma época inédita ganhando tudo o que havia para ganhar internamente e falhando a Liga Europa por um triz.

Após tantos começos em que a desconfiança dos adeptos esteve sempre presente, parecia que a presente pré-época teria reunidas as condições para decorrer com calma e tranquilidade por forma a preparar uma época rumo ao bi-campeonato. Debalde. Devido à conjuntura económica, à assumpção de compromissos e ao sucesso anterior, tem-se assistido à debandada de parte significativa dos melhores elementos que, ainda que proporcionando encaixes significativos, têm desfalcado sobremaneira a equipa e tem obrigado à aquisição de novos elementos que, aparte o seu maior ou menor valor, necessitam de tempo e oportunidade para se afirmarem… ou não.

Não surpreende pois a preocupação que chegou aos adeptos que, com o passado em mente, estão a enveredar pelo pessimismo. A esses, ainda que compreendendo a sua reacção, gostaríamos de dizer que ainda é um pouco cedo para factos consumados atendendo a que ainda falta praticamente um mês para o fecho do mercado. Nas duas vertentes é claro, mas acreditamos que a estrutura estará atenta e dentro do quadro de possibilidades ao seu alcance não deixará de reforçar a equipa nos lugares mais sensíveis, de forma a dotá-la do necessário e indispensável equilíbrio para que o Benfica possa fazer uma temporada à altura dos seus pergaminhos. A partir do dia 10 começar-se-á a ver em que ponto está a capacidade de reacção da equipa a todos estes tumultos. Antes disso afigura-se-nos ser prematuro alinhar em teses alarmistas com o seu quê de definitivas…






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