Ponto Vermelho
Constatações, interrogações e incertezas
27 de Julho de 2014
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No desenvolvimento de uma pré-época um pouco atípica, o Benfica realizou ontem o seu 4.º jogo no âmbito da Eusébio Cup que serviu simultaneamente de apresentação da equipa aos sócios e simpatizantes ainda que sem a pompa e os formalismos que pelos vistos já fazem parte do passado, ao mesmo tempo que permitiu a vários jogadores acabadinhos de chegar, pisar e sentir o pulsar da Luz num ambiente de jogo ainda que morno. Compareceram pouco mais de 25 mil pagantes o que é manifestamente pouco para o significado de um jogo cujo objectivo principal era homenagear Eusébio que pela primeira vez não esteve fisicamente presente.

Tratava-se da 7.ª edição da prova que, a exemplo das anteriores, tem tido sempre adversários de gabarito. Desta vez também não fugiu à regra pois esteve presente o histórico Ajax que, ainda que já tenha conhecido melhores dias, é detentor de um impressionante palmarés tendo tido oportunidade de conquistar todos os troféus continentais e intercontinentais inter-clubes, dos quais se destacam 4 Taças dos Campeões Europeus. Do ponto de vista estatístico e por curiosa coincidência, nas 6 edições anteriores registava-se um empate: 3 vitórias para o Benfica e igual número para as equipas estrangeiras convidadas, pelo que, com a vitória do Ajax, o score ficou desempatado a favor dos forasteiros. Apenas uma simples constatação, ainda que Eusébio onde quer que se encontre, tivesse gostado que a sua equipa de sempre tivesse arrecadado o troféu instituído em sua homenagem.

Ao não ser possível, aumentaram os decibéis sobre as prestações dos encarnados. Os que evocam as estatísticas por tudo e por nada não deixaram de registar que o Benfica registou a 3.ª derrota consecutiva em 4 aparições, empolando a algazarra e a histeria que por esta hora se manifesta de forma exuberante em boa parte da minoria imberbe e ruidosa que já realizou o filme e o está a tentar projectar na convicção de que o ruído de fundo é a melhor forma de resolver de imediato uma questão que, dada a sua complexidade composta também por factores exógenos não controláveis, pode vir a causar ainda maior mossa e instabilidade. Mas o tempo não é o que a gente quer fazer dele e há que lidar com certezas e incertezas momentâneas que se poderão vir a alterar a qualquer instante. O fundamental é saber ligar com a crise na convicção de que ela pode abrir uma janela de oportunidade. Pensar positivo num conjuntura negativa só está ao alcance dos que são realmente capazes e que acreditam que é sempre possível ultrapassar as adversidades.

Ao contrário dos anos anteriores, a estrutura encarnada desta vez optou por seleccionar adversários fortes. Com excepção do próximo adversário (Sion), todos os contendores que o Benfica irá encontrar nesta pré-época são equipas fortes e com história. E o facto de isso coincidir com a integração apressada de vários jogadores novos que têm vindo a chegar para colmatar tantas e importantes saídas tem dado origem a que sejam mais evidentes e sobrelevadas as diversas lacunas e insuficiências detectadas nos vários sectores, até porque a equipa técnica tem previlegiado a rodagem de praticamente todos os jogadores disponíveis em cada desafio para poder aquilatar do seu valor e poder ir seleccionando aqueles que, em seu entender, mais possibilidades demonstram para integrarem a equipa no futuro que começa oficialmente já no próximo dia 10.

É evidente que o tempo começa a escassear e ainda existem indefinições em lugares determinados, mas é bom de ver que os mundialistas com excepção de Enzo só agora regressaram e começaram a treinar e, ao contrário dos outros, têm as rotinas assimiladas mas falta-lhes fulgor físico. Isso, conjugado com a integração dos novos elementos, tinha que fatalmente provocar efeitos negativos numa fase que é essencialmente de habituação a uma nova realidade para muitos. Se porventura a equipa encarnada já apresentasse nesta altura altos índices técnico-tácticos e um vigor físico inabitual, então estaríamos perante um milagre inexplicável. E no futebol embora não se possam de todo excluir, eles muito raramente acontecem… Neste momento o grande problema será, outrossim, ocuparmos um modestíssimo lugar no campeonato pontual da pré-época…

Como as diferenças temporais começam perigosamente a encurtar, é compreensível que o treinador comece a ser cada vez mais conservador nas escolhas e nas substituições na tentativa de, dentro dos condicionalismos com que terá de lidar, ir dando gradualmente corpo e forma à equipa que mais próxima irá estar daquela que se apresentará em Aveiro na disputa da Supertaça. O plantel não está fechado nem pode estar, até porque o mercado continuará aberto muito para além do próprio campeonato se iniciar, pelo que até ao último suspiro temos que esperar para ver o que ele nos reserva, quer nas entradas quer nas saídas. Até lá, há que ter confiança no trabalho que está a ser realizado e concentrarmo-nos no futuro que esse sim é que é realmente importante…








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