Ponto Vermelho
Travão no entusiasmo
28 de Julho de 2014
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1. Quando ainda faltam cerca de duas semanas para a abertura oficial da época 2014/2015 com a disputa da Supertaça Cândido de Oliveira entre os finalistas da última Taça de Portugal e três para o início do Campeonato Nacional, muitas opiniões têm sido avançadas sobre a forma como os principais candidatos ao título têm lidado com a pré-temporada. Efectivamente há muito para dizer, para especular e para prever, porquanto os denominados três grandes têm seguido estratégias diametralmente opostas que, segundo a perspectiva dos altos comandos de cada um, melhor serve os seus interesses. Tudo, é claro, com base num suporte financeiro periclitante, consequência imediata da alteração de 180º na política dos seus parceiros bancários de há muitos anos. O FC Porto pela campanha publicitária e quantidade das aquisições leva a primazia, logo seguido do Sporting forçado a ser conservador a contragosto...

2. Os fortíssimos condicionalismos que lhes estão a ser impostos pela conjuntura recessiva e por alguns acontecimentos inesperados a nível dos seus principais financiadores que têm constituído as manchetes de todos os órgãos de comunicação social, estão a obrigar a alguns ajustes antecipados e para os cumprir, torna-se necessário realizar capital que, como tem sido práctica dos últimos anos, têm forçado à alienação de activos para a realização de receitas extraordinárias ainda que paradoxalmente e salvo algumas excepções com menor volume no encaixe líquido, atendendo a que as percentagens detidas dos passes são cada vez menores. Uma consequência dos tempos que tende a agravar-se sem apelo nem agravo.

3. Por muito estranho que possa parecer, os três grandes (sem esquecer o SC Braga…) têm vindo a seguir até ao momento uma tendência assaz diversificada. No caso do FC Porto que ficou assustado com a possibilidade de voltar a marcar passo e ver fugir o seu maior rival tem actuado em contra-ciclo e optou por tentar fintar a crise ensaiando a fuga para a frente. Sendo que a crise existe de forma muito acentuada a nível do Dragão, a solução que está a acontecer pela primeira vez na história pintista com o breve interlúdio de Mourinho, é a escolha do plantel ser da responsabilidade do treinador e do empresário, com a espanholização acelerada do plantel azul e branco com elementos da inteira confiança de Lopetegui.

4. É uma estratégia como outra qualquer, sobressaindo a interrogação de como vai ser o futuro. Numa situação em que existe um novo treinador que necessita de tempo para conhecer os cantos à casa e ser necessário que a quantidade enorme de novos jogadores que demandaram o dragão (ainda ontem Lopetegui se deu ao luxo de anunciar que vêm aí mais!), vários pontos de interrogação se colocam, uma vez que depois de semanas e semanas a fio a ouvirmos e a lermos na imprensa os maiores encómios sobre a excelência das aquisições portistas, a consequência imediata é a criação de enormes expectativas pelos adeptos e simpatizantes portistas com a fasquia a subir quiçá demasiado numa altura em que sobram demasiadas dúvidas.

5. Por tudo isso não se esperava que ontem no dia da apresentação oficial do plantel azul e branco acontecesse uma noite épica no que diz respeito ao aspecto específico do futebol jogado. Mas a prova de que os adeptos e simpatizantes azuis e brancos estavam expectantes e confiantes de que iriam assistir a uma noite à moda antiga esteve nos mais de 46 mil espectadores presentes que no final, pelos vistos desagradados com o que tinham acabado de ver, lembraram aos responsáveis que ainda tinham bem afinados os assobios estridentes da temporada passada que então eram frequentes.

6. Nesse particular os adeptos têm pontos de contacto com os de todo o lado, pois são de tal modo exigentes que não aceitam prestações (e sobretudo resultados que como se observou foi lisonjeiro para os dragões valendo na circunstância o seu guarda-redes que parece não ter a confiança de Lopetegui), que não sejam exibições convincentes e resultados inquestionáveis. Para além de que, é necessário praticamente encaixar uma equipa quase totalmente nova, e ter de adaptá-la a um novo tipo de futebol. Tudo leva o seu tempo e será ele que dirá se a política azul e branca não foi demasiada arriscada para uma conjuntura tão adversa. É que nem sempre as estratégias vitoriosas do passado podem resultar num presente tão diferente e tão volátil…








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