Ponto Vermelho
Personagens da história do futebol portoguês-V
29 de Julho de 2014
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Por EagleView

No seguimento de anteriores artigos prossigo com as revelações que na altura foram sendo divulgadas pela imprensa nomeadamente pelo já extinto Semanário o "Independente" que foi para as bancas pela última vez no dia 1 de Setembro de 2006. Foi extensa a prosa publicada que, pela soma de pormenores terá surpreendido até alguns mais avisados. Mas isto prova que o ser humano, enquanto tal, pode ter sempre a capacidade de ir mais além para atingir os fins que tem em mente e que invariavelmente revertem a seu favor na implementação de um poder o mais possível alargado para que aos outros seja retirada a hipótese de competir com as mesmas armas.

Pinto da Costa, justiça lhe seja feita, sempre foi uma personalidade multifacetada e com uma extraordinária capacidade de se adaptar ao meio-ambiente e conseguir ler e interpretar as fraquezas humanas. Eis a sua faceta de "Empresário": «Foi gerente de uma empresa chamada Pincor do ramo das tintas, que terminou os seus desgraçados dias com avultadas dívidas à banca. Aliás como todas as empresas onde se meteu. Algumas de electrodomésticos. Todas faliram. Devido às muitas falcatruas que fez, incluindo passar cheques sem cobertura, foi condenado e proibido de passar cheques e de constituir empresas.»

Siga a dança: «Para deixar a empresa onde trabalhava, Pinto da Costa ainda teve que pagar sete mil contos e ficou sem carro por uns tempos. O milhão e tal de contos das transferências de Futre e Rui Barros tinha desaparecido sem deixar rastos e tinha deixado de... rastos PC, a contas com a justiça, por cheques sem cobertura e penhoras a bens pessoais. Foi um momento difícil, mas que não abateu o presidente, levando-o antes a pensar que o seu negócio era o futebol. Esteve sem ir a Aveiro durante 5 anos por causa de alguns processos por falências fraudulentas. Os seus sócios dessas empresas tiveram que fugir para o Brasil. Mas a ele alguém lhe pagou as dívidas, alguns poderosos do Norte, como Belmiro de Azevedo, Artur Santos Silva, Amorim, etc.»

Primórdios: «No princípio chegou a investir muito do dinheiro que tirava do FC Porto, nas empresas de familiares seus mas faliram todas. Depois passou a ficar com tudo. Criou a Cosmos, agência de viagens que lucrou imenso com as viagens dos clubes, obteve exclusivos com a Federação que obrigavam os clubes a viajar nessa agência. Esteve metido no negócio da droga, com Luciano D'Onofrio ("Aveiro Connection"). Com a Olivedesportos fez muito dinheiro, como com todos os negócios do FC Porto, vendas e compras de jogadores, corrupção de árbitros, etc. Assim enriqueceu e tem hoje uma considerável fortuna.»

No papel de um «conceituado gerente comercial, Pinto da Costa não pagou um empréstimo de 20 mil contos e teve de responder em tribunal. Na altura o Fonsecas & Burnay exigiu juros e tudo. E dizia-se que os empréstimos só tinham sido concedidos à conta de pressões políticas. O Banco Fonsecas & Burnay (BFB) tinha acabado de interpor uma acção judicial contra Jorge Nuno Pinto da Costa, presidente do FC Porto e a IGE, Indústria Geral de Electrodomésticos, empresa da qual o lider portista era sócio. Em causa estava o facto da IGE ter faltado ao compromisso de saldar nos prazos estabelecidos um empréstimo solicitado àquele banco por JNPC e sua mulher Manuela Carmona Graça e o sócio Fernando Vasconcelos. O BFB exigiu nos tribunais dinheiro e juros, enquanto decidia se havia ou não de colocar igualmente na mãos dos juízes uma outra dívida de Jorge Nuno.»

E mais: «É que além dos 2 mil contos da IGE, o dirigente devia ainda ao banco cerca de 9 mil contos que a IGE era na altura do empréstimo uma empresa não só falida mas também com fracas perspectivas de recuperação. Um dinheiro que foi conseguido obter por obra e graça de fortes pressões políticas. "Não se percebe muito bem porque é o BFB acedeu a um empréstimo", confessou fonte da instituição, já que o próprio nome da empresa dava azo a grandes dúvidas. De facto, a 24 de Agosto de 1990 os proprietáros da IGE apresentaram junto da PJ de Aveiro uma queixa de burla agravada contra JNPC alegando que o líder portista não entregou letras no valor de 12 mil contos que concluiriam a venda da empresa iniciada em maio passado. Na altura a única base de acordo possível entre as partes passava pela revenda da empresa, por parte de PC, aos antigos donos o que não veio a acontecer.»

De facto «o interesse de PC na aquisição da IGE pareceu, no mínimo, inexplicável. O presidente do FC Porto arriscou dar 30 mil contos por uma empresa falida a ponto de não valer 15 mil. Mais. Predipôs-se a pagar 40 mil contos de dívidas de uma sociedade situada num lugar recôndito, nos arredores de Aveiro, mais propriamente em Junqueira, no lugar do Paço, freguesia da Esgueira. Ao isolamento somava-se o aspecto exterior precário e quase decadente do edifício. Um bloco em cimento mal pintado foi aquilo que o "Independente" pôde ver em janeiro último.
(Teria isto algo a ver com a preparação do terreno para o caso "Aveiro Connection"?)»

Revela ainda o "Independente" «que teve acesso ao texto da acção que o líder moveu contra o Semanário em consequência de um artigo daquele jornal no qual se ligava o dirigente a assuntos de droga. Fernando Fonseca, advogado de PC, escreveu, "Ponto 12: Acresce que PC é conceituado gerente comercial". Contudo, nem sempre parece ter sido feliz; esteve na "Segrobe" de onde saiu zangado com Manuel Borges. Trabalhou numa filial desta empresa no Sul, a "Sulgrobe", mas por muito pouco tempo. Com a mulher e um cunhado abriu a "Pincosoli", empresa de produtos químicos que acabou por falir. Constituiu uma sociedade em Vila Nova de Gaia que já não existe. Comprou a IGE, etc.»




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