Ponto Vermelho
Normalidade dentro da anormalidade
30 de Julho de 2014
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Os desenvolvimentos que têm sucedido a uma velocidade vertiginosa em algumas cúpulas do futebol português depois do processo estapafúrdio que culminou com a decisão bizarra que considerou a lista de Mário Figueiredo como a única que reunia as condições para ser sufragada pelos clubes-eleitores, fazem suspeitar que algumas eminências pardas dos clubes estão, em face do rumo que as coisas estão a tomar, seriamente preocupadas com o futuro que não poderá continuar igual e a ser constantemente adiado sob pena de alguns virem a ser riscados do mapa, como aliás tem acontecido a tantos e tantos clubes históricos que estiveram anos e anos na ribalta do futebol.

Mesmo assim, nem as tenebrosas lições do passado que atingiram com os xitos o seu máximo expoente de desfaçatez e de golpada impediram que o processo fosse todo ele inquinado, começando pelas tentativas desesperadas de destituição do presidente em exercício na Liga quando o processo eleitoral se aproximava a grande velocidade, passando pela forma hilariante e deprimente de reuniões em locais de abastecimento de combustível protagonizadas pelos opositores que, para além da habitual distribuição de lugares e influência no futuro elenco, nada de concreto que se conhecesse tinham para apresentar de novo que indiciasse que, pela primeira vez em muitos anos, havia um projecto sério, estruturado e com pessoas credíveis para o liderar que dissesse ao mundo do futebol que finalmente havia fumo branco rumo ao progresso e ao desenvolvimento.

Consumada a eleição de Mário Figueiredo (por exclusão de partes) numa assembleia eleitoral que deixou mais dúvidas do que certezas, era fácil concluir a qualquer observador mediano que apenas estava a ser adiado o inevitável, pois era manifestamente impossível ao presidente eleito por um número irrisório de clubes entre os quais o Sporting, dispôr de um mínimo de condições para governar os destinos da Liga perante problemas tão graves que são do domínio público, como sejam o organismo estar tecnicamente falido e não dispôr de patrocinadores que, face à bagunça reinante, só se fossem de todo inconscientes é que iriam associar o seu nome a provas sob a égide de um organismo totalmente descredibilizado. E as duas grandes esperanças de rentabilização – a centralização dos direitos televisivos e a regulação das apostas on-line estão para durar, ainda que a última esteja no estádio final da burocracia para avançar.

Com a rapidez que costuma caracterizar as decisões do Conselho de Justiça (CJ) que pretende demonstrar em cada decisão que o direito e os regulamentos desportivos não estão prisioneiros dos timings e dos interesses do futebol ou se quisermos do normal desenvolvimento das competições em particular o início normal do campeonato nacional, veio agora decidir antes de entrar de férias, que as eleições para a Direcção da Liga de Clubes terão que ser repetidas. Mais; considerou que a lista do presidente eleito enfermava de vícios que a deviam ter impedido de ser aceite, ao mesmo tempo que considerou que a lista de Fernando Seara (como foram entregues duas não percebemos qual delas…), ao invés, reunia todos os requisitos para ser aceite e poder concorrer. O recurso interposto pelo presidente (suspenso) do Nacional – Rui Alves – não foi apreciado e terá sido transferido, estranhamente, para depois das férias.

Esta decisão atempada do CJ (e a outra que há-de acontecer à posteriori), tem implicações com o normal desenvolvimento da época futebolística que desde logo não começa sob os melhores auspícios (o contrário é que surpreenderia…) e pode vir a criar focos de instabilidade, até porque para além do mais, há a questão dos árbitros que ainda mexe e consta que está longe de ser resolvida a contento. Também aqui nada de surpreendente pois como estamos todos recordados, na temporada passada aconteceram rigorosamente os mesmos problemas. Quando em vez de se resolver se opta por adiar, é inevitável que eles voltam a aparecer logo na primeira oportunidade e com maior volume.

Foi então constituído um triunvirato constituído por representantes do FCP-SCP-SLB que com o peso institucional que os caracteriza têm por missão descobrir a fórmula mágica que contribua de forma assertiva para encontrar uma solução que consiga meter o Rossio na Rua da Betesga. Está longe de ser fácil mas, antes de serem anunciadas as conclusões, não é lícito nem desejável entrar por caminhos pessimistas ou derrotistas, até porque olhando em redor não abundam as soluções alternativas. Será agora, finalmente, que iremos ter um programa estruturado, sólido, ambicioso e a apontar para o futuro para ser levado a cabo por uma personalidade consensual e com enorme capacidade de realização e que consiga ser agregadora da multiplicidade de interesses que gravitam no futebol português?








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