Ponto Vermelho
Personagens do futebol portoguês-VI
31 de Julho de 2014
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Por EagleView

Para que a memória não esqueça, continuo a relembrar cenas da investigação a que procedeu o então "Independente" e o "CM" sobre o decano dos dirigentes do futebol português, e a configuração das suas várias facetas. Começo pela de "Branqueador de Capitais". «São várias as cartas rogatórias e foram enviadas para diversos locais da Europa. Há suspeitas de que elevadas quantias provenientes de luvas pelas transferências de jogadores tenham sido transferidas para paraísos fiscais, voltando Pinto da Costa, presidente do FC Porto, a estar no centro da investigação. Anos depois de o inquérito ter sido iniciado, por branqueamento de capitais e fraude fiscal, na sequência da extracção de uma certidão do ‘Apito Dourado’, a PJ tentou dar-lhe um novo fôlego. Foram detectados vários casos de fuga ao pagamento de impostos – usando a Imobiliária de Cedofeita – e a informação aguardada dos bancos é determinante para a conclusão da investigação de branqueamento.»

Pormenores: «No rescaldo de uma festa portista e após mais um título, Filomena Pinto da Costa, numa crónica escrita no "CM", alertava para a existência dessas mesmas luvas. E garantia conhecer os beneficiários das transferências, dizendo mesmo tratar-se sempre dos mesmos elementos. A PJ não descartava a hipótese de inquirir a ex-companheira do presidente dos portistas, podendo esta fornecer elementos mais concretos sobre a forma e o destino que era dado ao dinheiro. Recorde-se, aliás, que este inquérito começou também após a denúncia por outra ex-mulher de Pinto da Costa – Carolina Salgado –, que disse haver contas bancárias na Suíça. Segundo o "CM" apurou, a investigação estava nesse momento num ponto crucial. A contabilidade da Imobiliária de Cedofeita – na qual Pinto da Costa era sócio maioritário – foi toda passada a pente fino. Os peritos financeiros ultimavam também os relatórios que indiciavam a prática de crimes fiscais. Faltava apenas determinar a titularidade de algumas das contas situadas em diversos paraísos fiscais, sobretudo em Inglaterra e na Suíça, por onde o dinheiro circulou. E descobrir também qual era efectivamente a origem dessas quantias para se poder determinar se provinham da transferência de atletas.»

O multifacetado Pinto da Costa e o sem número de possibilidades. Continuo pois: «Pinto da Costa tinha a consciência de que era ele quem mandava no futebol. Aos poucos, apoderou-se dos centros de decisão mais importantes, oferecendo lugares a pessoas da sua inteira confiança cuja personalidade era marcada pela ausência de escrúpulos, dignidade e vergonha, transformando-as em autênticas marionetas. A Olivedesportos e a Agência de Viagens (Cosmos) sobrefacturavam tudo o que estava ligado ao futebol, e ninguém se queixava. Os contratos federativos eram assinados sem que a concorrência fosse levada em linha de conta e como Pinto da Costa falira todas as suas empresas, queimando milhares de contos ganhos à custa do seu clube, tinha de apostar forte nesta sua nova estrutura financeira. Mas os inimigos que fora deixando atrás de si, principalmente aqueles que discordavam da forma pouco honesta como ele geria esta situação, procuravam todas as provas com o sentido de o desmascarar.»

Consequências: «Devido às imensas vigarices que fez, Pinto da Costa estava impedido de passar cheques e constituir qualquer empresa, mas rodeou-se de gente da sua inteira confiança para lhe dar cobertura para os seus negócios e não deixar rastos para qualquer acusação. Já tinha organizado o seu braço armado, cuja chefia do sector entregou ao irmão de Reinaldo Teles. O medo silenciava os que tinham vontade de falar. Constituiu depois o braço jurídico, rodeando-se de advogados de poucos escrúpulos, mas peritos em matéria de crime, que lhe davam todos os conselhos necessários à gestão da situação, bem como as fórmulas para camuflar todas as provas capazes de pôr a nu os processos marginais utilizados para a soma dos dividendos. A cobertura política fechava o círculo.»

Retrata-se agora a versatilidade de Pinto da Costa enquanto Ourives: «Franck Muller, o mais famoso relojoeiro do mundo, desenhou uma edição especial limitada de 50 exemplares com o nome «F.C. Porto/Jorge Nuno Pinto da Costa», uma edição limitada baseada no último modelo da conhecida companhia Suíça de alta relojoaria, o «Conquistador». O interesse pela criação desta edição limitada justificava-se pela louca paixão que Franck Muller tem pelo futebol e pelo facto dos azuis e brancos terem andado nas bocas do mundo. A ideia terá nascido quando foi conquistada a Taça UEFA. O facto chamou a atenção de Franck Muller, a partir daí tornou-se simples chegar a um entendimento que permitisse concretizar o desejo. O relógio era um modelo desportivo, em tons brancos e com os ponteiros e algarismos em azul. A caixa era esculpida em aço e exibia a gravação do nome «F.C. Porto», da assinatura de Pinto da Costa no verso e do número da edição no verso. Faltava apenas dizer que cada exemplar custava a módica quantia de 18.950 euros.
PS: Isto sim era um relógio, 18.950 euros, muito melhor do que o que ele deu ao Valentim. Os 50 relógios já davam para comprar o titulo de campeão das próximas épocas, se corresse bem para o "Pintinho", se corresse mal e ele fosse parar à (prisão) Custóias, eu já sabia a quem e porquê ele iria ter de subornar com estes relógios. Ora 50 Relógios de ouro a 19.000 euros/cada dá uma conta redonda de 950.000 Euros. Já se ia sabendo para onde iria o dinheiro…. Ainda não se sabia era a quem seriam oferecidos…










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