Ponto Vermelho
Alguém se admira?
13 de Janeiro de 2013
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Sendo de primordial importância fomentar os jogos de bastidores, a estrutura do FC Porto tem sabido movimentar-se numa zona que para si é de conforto tendo em conta a experiência adquirida ao longo dos anos, jogando com os trunfos que tem e preservando o generalato para melhores ocasiões, dado que a infantaria tem-se encarregado de encetar as primeiras escaramuças. Com excepção do treinador por motivos óbvios, ninguém da estrutura em termos oficiais ajuntou o que quer que fosse, o que contraria procedimentos anteriores. Não adianta especular demasiado sobre essa aparente acalmia, quando todos sabemos que a habitual motivação suplementar portista costuma advir da provocações e do confronto directo.

Demonstrando uma atitude de bom senso e sobretudo de inteligência, a estrutura benfiquista soube gerir o silêncio e apesar de algumas provocações avulsas soube resistir e manter a prudência. Tal significou, como vimos, idêntico procedimento da sua congénere portista, podendo dizer-se que até ao momento, a projecção do clássico tem-se mantido em níveis tranquilos e apenas o treinador portista lançou umas farpas provocatórias que não encontraram eco do lado encarnado. Fez bem Jorge Jesus que enxergou bem o objectivo e não alinhou nos objectivos portistas. O que revela que a estratégia está consolidada ao ponto de qualquer intervenção funcionar sempre com definição dos seus próprios timings e não necessariamente numa base reactiva. Depois de tantos anos, parece finalmente percebida a estratégia azul e branca.

Uma das vantagens do lado portista é a possibilidade de desenvolver qualquer estratégia sem que isso signifique ter de envolver publicamente qualquer figura grada do seu universo. Pelo contrário, as coisas acontecem com a maior das naturalidades, pois após o alinhamento nos bastidores, existe sempre uma legião de pregoeiros pronta a aplicar no terreno o que foi previamente definido e porque importa agradar ao patrão. Eles prestam-se sem problemas a implementar a estratégia e isso, para além de proteger, preserva a estrutura para outros voos que requeiram maior intervenção e savoir faire. Os pormenores ganham cada vez maior relevância e são bastas vezes decisivos para que seja possível alcançar as vitórias.

Não havendo outros motivos, não se estranhou portanto a sequência de acontecimentos com o objectivo último de criar instabilidade no plantel encarnado. Ainda que em mês de oportunidades, a melhor altura seria a fase pré-clássico tentando transferir para a Luz o que se estava a passar no Dragão, desde a insatisfação de jogadores até à transferência de um dos expoentes do Benfica. Solícitos, os meios do costume têm vindo nestes últimos dias a matraquear a opinião pública com todo o tipo de notícias sobre a matéria, sabendo de antemão que isso é uma forma de vir a fragilizar os encarnados. Não por que não sejam factos habituais, mas porque a sensibilidade do ser humano varia consoante as alturas em que tal se processa.

Em simultâneo, os mesmos que acusam o Benfica quando utiliza o direito à indignação por ser espoliado, lançaram anátemas sobre a arbitragem e isso é evidente, que só pode ter uma interpretação: é que se trata de um árbitro que não parece ser do agrado portista desde que teve o descaramento de elaborar um relatório onde constavam os desmandos portistas e a de alguns dos seus atletas que tiveram oportunidade de exibir outros atributos que vieram a provar-se sem a menor dúvida a despeito do estrebuchar portista, como aliás um dos intervenientes (Sapunaru) veio a confirmar publicamente através do arrependimento, ao contrário daquele rapaz entroncado e forte que costumava cair na área adversária desde que soprasse qualquer ligeira brisa.

Outro dos vectores que importa referir é a tentativa descarada de atribuir claro favoritismo ao Benfica numa manobra para o desfocar e anestesiar, tentando a todo o custo acrescer pressão ao lado encarnado como que situando-o num patamar em que a vitória seria quase obrigatória. Estamos convencidos que os encarnados não se deixarão embalar por esses cantos de sereia e estarão focalizados no objectivo principal que é o de vencer o encontro. Mas tendo em conta o potencial de ambas as equipas é admissível que possamos pensar que o jogo poderá vir a ser decidido através de simples detalhes como aliás tem acontecido a maioria das vezes quem se encontram.

Comungamos da tese que alguns defendem de que o Benfica terá boas hipóteses de chegar ao fim na frente do marcador. Mas isso é a lógica a funcionar e como sabemos nem sempre a mesma se aplica. Como benfiquistas a nossa convicção, como não poderia deixar de ser, é a de que o Benfica tem condições objectivas para vencer porque acreditamos que no momento, os encarnados se encontram mais fortes de que o FC Porto, estão moralizados e sabem que a vitória poderá ser o ponto de partida para um arranque vitorioso numa segunda volta repleta de dificuldades. E também porque, caso atravessem este ciclo terrível incólumes, o efeito psicológico será um tónico decisivo no enfrentar do resto da época em todas as frentes. Que assim seja!






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