Ponto Vermelho
Atenção à caravana…
1 de Agosto de 2014
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Pelos vistos os adeptos e simpatizantes benfiquistas estão condenados a sofrer de dúvidas e incertezas em todas as pré-épocas embora nem sempre pelas mesmas razões. Por exemplo, no pontapé de saída da época passada, ainda a digerir as fortes emoções e desenganos registados, as críticas dos plumitivos centravam-se em dois aspectos tidos para eles como fundamentais: o afastamento de Jorge Jesus que segundo as suas sempre abalizadas opiniões não tinha mais espaço de manobra para continuar a determinar os destinos da equipa do Benfica e, quase no mesmo patamar, a revolta por olharem para um plantel numerosíssimo que só iria atrapalhar e muito não só o planeamento dos treinos e da gestão da equipa, como pulverizar a folha salarial encarnada.

É justo reconhecer que a decisão final de Luís Filipe Vieira de manter Jorge Jesus e resistir a vender jogadores contra ventos e marés foi uma decisão corajosa mas ao mesmo tempo muito arriscada. Correu bem, a época foi extremamente proveitosa e única, mas tivesse corrido menos bem e está-se mesmo a ver o que iria suceder: Vieira seria trucidado por todos aqueles que com as habituais visões premonitórias só ao alcance de mentes predestinadas, iriam promover um alarido sem precedentes com a habitual expressão de "nós bem tínhamos avisado" ou então em alternativa: "estava-se mesmo a ver que iria dar em fracasso".

Sublinhe-se todavia que para além de outros aspectos, foi justamente a extensão do plantel no binómio qualidade-quantidade uma das chaves que abriu as portas do sucesso. Porque a vaga de lesões que atingiu a equipa de uma maneira brutal, fosse o plantel normal e provavelmente criaria problemas de muito difícil resolução por terem acontecido em ciclos de jogos decisivos e de elevado grau de dificuldade. Pelo que tinha ficado implícito das declarações de Vieira, parecia evidente que a situação não seria para manter tendo em conta compromissos que seria necessário respeitar. Afinal, devido ao sucesso que deu grande visibilidade aos jogadores e motivou a procura pelos endinheirados, conjugado com a crise que atingiu o principal credor bancário, tem-se verificado uma debandada de proporções inimagináveis e vamos lá ver se ficaremos por aqui. O que, convenhamos, não é líquido…

Articular solvência de compromissos financeiros (agravados pelo ano de carência da última época) com a constituição de um plantel forte e competitivo que possa corresponder ao desafio que os êxitos potenciaram, não era quaisquer que fossem as circunstâncias, tarefa fácil. E quando se tem assistido à partida da maior parte dos obreiros então as dificuldades aumentam exponencialmente. Porque mesmo que todas as aquisições fossem sonantes e consagradas, ainda assim faltaria sempre o indispensável tempo para que o entrosamento, a criação de rotinas e a habituação às ideias que o treinador pretende para o futebol encarnado se processassem em tempo útil. Acresce, por outro lado como inúmeros jogadores já o têm afirmado, vestir a camisola do Benfica traz sempre um maior padrão de exigência e um maior nível de pressão e responsabilidade. Que nem todos conseguem aguentar.

Estas são questões das quais não se pode fugir e têm que ser encaradas com o pragmatismo indispensável perante uma realidade incontornável. Mais do que perdermos tempo a lamentar-nos sobre o que poderia ter sido e não foi, é preciso concentrarmo-nos no que pode e deverá ser, torneando as dificuldades que não sendo insuperáveis estão a arrastar-se para além dos limites do razoável, se considerarmos que o primeiro jogo oficial da época ocorre já de Domingo a oito dias. Visto de fora tem havido de facto situações difíceis de compreender pelos adeptos, habilmente exploradas pela comunicação social mais especuladora e isso não ajuda em nada à manutenção de um clima sereno e de acalmia que seria desejável nestes tempos algo conturbados.

Haverão, por certo, fundadas razões para que isso esteja a acontecer e é compreensível que não transpirem em detalhe para a praça pública, pelo que se aguarda que em tempo julgado oportuno a estrutura consiga transmitir as razões possíveis para negócios que sendo necessários e urgentes têm-se prolongado por tempo indefinido com pormenores a surgirem na imprensa e que depois de semanas de avanços e recuos, acabam por abortar com o natural desgaste de imagem do Clube. Face a nova epidemia de lesões em jogadores importantes (uma malapata que teima em não desligar), são conhecidas necessidades prementes para que a situação não se agrave. No entanto, as possibilidades vão-se esgotando e o início da época está aí. Aguardemos pois novos desenvolvimentos enquanto prossegue a pré-época que continua a preocupar muita gente. Voltamos a repetir que é prematuro tecer grandes considerações, mas há uma verdade que não pode ser adiada – as competições oficiais estão a começar e por mais competente que seja o treinador, milagres são cada vez mais difíceis…








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