Ponto Vermelho
Personagens da história do futebol portoguês-VII
2 de Agosto de 2014
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Por EagleView

Relatos eternecedores dados à estampa pelo o "Independente" continuavam a demonstrar a quem tivesse dúvidas que Pinto da Costa era, sem sombra de dúvida, uma personalidade de grande versatilidade e polivalência. Qual camaleão, a suas várias personalidades desdobravam-se em função das circunstâncias e das necessidades pessoais do momento. Olhemos então para mais uma delas – a de "Valentão" muito embora os direitos de autor do cognome fossem depois atribuídos a Valentim Loureiro: «"Pinto da Costa, na altura em que a ofendida Carolina se encontrava manietada por Afonso Ribeiro, desferiu duas bofetadas no rosto da assistente, uma em cada face".» Para equilibrar!

A esta «conclusão chegou a Juíza Luísa Trovão, do Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Porto que decidiu em despacho levar a julgamento Pinto da Costa assim como o seu motorista Afonso Ribeiro e o segurança Nuno Santos. O líder portista e Afonso Ribeiro foram pronunciados por um crime de ofensa à integridade física cada um. Nuno Santos responderia por dois crimes do mesmo tipo. Tudo aconteceu em 6 de Abril de 2006 pelas 15:30 no átrio da residência de Carolina Salgado, na Madalena em Gaia. A ex-companheira envolveu-se numa troca de insultos com Afonso Ribeiro quando tentava impedir que este levasse o faqueiro de sua casa. Na sequência, Afonso Ribeiro atirou o faqueiro ao chão e passou a agarrar a Carolina pelo pescoço, tendo-lhe ainda exibido, junto à face uma chave colocada entre os dedos referindo-lhe que a "f… toda", lê-se na decisão.»

De referir que «No local, Ana Salgado, então grávida, tentou defender a irmã, mas foi projectada pelo segurança Nuno Santos que logo de seguida deu "três empurrões" a Carolina Salgado, levando-a também a cair. Enquanto Ana Salgado continuava prostrada, a irmã foi manietada por Afonso Ribeiro. É aí que (o valente) Pinto da Costa se aproxima de Carolina, desferindo-lhe duas bofetadas, uma em cada face, resultando daí lesões na face direita e lábio superior descritas pelo Instituto de Medicina Legal (IML). Para a juíza, em nenhum outro momento do incidente aquelas lesões poderiam ter acontecido. Os depoimentos de todos os arguidos, incluindo Pinto da Costa, "não merecem qualquer credibilidade, pois são contrariados não só pelas testemunhas inquiridas como pelo teor do relatório do exame pericial do IML", conclui a juíza. O relatório pericial do IML, que foi peça-chave na decisão, detectou escoriações e equimoses na face, no pescoço, na zona do abdómen e nos dois braços. Se várias mazelas poderão ser justificadas pelas agressões de Afonso Ribeiro e Nuno Santos, as escoriações na face direita e no lábio superior apenas encontram explicação nas duas bofetadas de Pinto da Costa.»

E ainda: «Ana Salgado confirmou as agressões dos três arguidos à irmã. Em contraponto com os depoimentos dos arguidos, a Juíza considerou compatíveis os factos descritos por Carolina Salgado, o depoimento de Ana Salgado e o exame do IML do Porto. Interrogado, Pinto da Costa disse não ter assistido a qualquer agressão. O MP decidiu levar o caso a julgamento mas o magistrado responsável decidiu arquivar o caso do envolvimento do presidente do FC Porto por falta de provas, dado tratar-se de ser palavra contra palavra.» Verdadeiramente sintomático e estarrecedor! Apenas faltou Pinto da Costa ter pedido uma indemnização por perdas e danos e afectação da sua imagem impoluta…

Voltemo-nos agora para mais uma metamorfose, desta vez a assumir o papel de "Fugitivo", numa imitação do Dr. Richard Kimble protagonizada pelo actor Harrison Ford: «Como dissemos acima, Carolina Salgado confessa ao pormenor como Pinto da Costa geriu a sua vida quando o processo "Apito Dourado" rebentou. "Foi o doutor Lourenço Pinto quem, às sete da manhã, nos telefonou para casa avisando que o major, o doutor Pinto de Sousa e alguns funcionários da Câmara de Gondomar tinham recebido a visita da PJ. O Jorge Nuno ficou deveras perturbado com o que estava a acontecer ao major. Receava que o major ou Pinto de Sousa falassem de mais. Esta era a sua preocupação", relata. Na véspera prevista para a sua detenção, que nunca chegou a acontecer, Pinto da Costa contou com uma preciosa ajuda, nada mais nada menos que Lourenço Pinto, advogado do major Valentim Loureiro. Tendo em conta o acontecimento, o conhecido advogado, segundo Carolina Salgado, marcou um almoço no restaurante Boucinha, em Vila Nova de Gaia. "À mesa fomos informados com pormenor da situação. Na manhã do dia seguinte, uma brigada da PJ iria entrar na nossa casa e na casa de Reinaldo Teles com mandados de busca e de detenção (…)".» Assim se processavam as coisas naquela altura, assim se escrevia a história de harmonia com os interesses de Pinto da Costa e respectiva entourage










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