Ponto Vermelho
Uma outra visão dos bastidores do Futebol-I
3 de Agosto de 2014
Partilhar no Facebook

Por EagleView

Como se sabe, Carlos Deus Pereira foi eleito Presidente da MAG da Liga de Clubes na lista de Mário Figueiredo. Passada a fase de encanto inicial, o actual presidente da Liga (resta saber por quanto tempo!), passou a sofrer ataques vindos de diversas áreas bem determinadas e o resto da história está bem fresco na memória de todos os que acompanham mais de perto estes rocambolescos episódios. Carlos Deus Pereira que nunca escondeu que é do Benfica tem sido acusado por tudo e por nada, nomeadamente do facto de através de expedientes (os do costume sabem melhor do que ninguém do que falam!), ter mantido Figueiredo no poder (1.ª fase) e de eliminar as listas concorrentes numa 2.ª fase.

Com a decisão do Conselho de Justiça da FPF tudo voltou à 1.ª forma, o que significa que as eleições vão ter que ser repetidas muito embora não se saiba quando e como, até porque ainda existe pendente um recurso de Rui Alves que ainda não foi apreciado e decidido pelo CJ. Numa oportuna entrevista ao jornalista Carlos Rias do diário desportivo A Bola, Carlos Deus Pereira diz de sua justiça e dá-nos uma outra visão do que está em jogo neste futebol português que continua a viver num poço escuro onde se recorre a frequentes truques para eliminar qualquer adversário que seja incómodo e nos faça sombra. Entrevista muito importante que fazemos questão de transcrever hoje a 1.ª parte e nos ajuda a perceber as movimentações que ocorrem nos bastidores da Liga e FPF pelos suspeitos do costume.

Comecemos então:
CR: - Não sai muito bem visto da decisão do Conselho de Justiça (CJ) da FPF quando às eleições na Liga. Foi mesmo beliscado...
CDP - Na verdade, ainda que não esperasse outra decisão. Não esperava é que o conteúdo do acórdão contemplasse tanta agressividade em relação à minha pessoa. Aborrece-me, mas não fico magoado porque já não tenho idade para isso. Ao mesmo tempo lisonjeia-me, pois há uma norma destes últimos vinte anos, a de que quem aparece a combater o sistema das trevas e da corrupção é imediatamente fustigado e vai direitinho para a fogueira. O último foi Ricardo Costa, logo colocado em cima dos paus para lhe pegarem fogo.

E sempre no mesmo tom: «Estou na senda. Isso significa que as minhas decisões e a minha postura estavam correctas e na direcção certa. É necessário limpar tudo isto e afastar de vez as trevas. Foi nesse sentido que fui decidindo enquanto estive no cargo de presidente da Mesa da Assembleia-Geral da Liga. Eu vou continuar por cá, e vou continuar no futebol, sem medo de ninguém. Mas não posso deixar de dizer que estão a esturricar uma grande senhora do direito do trabalho em Portugal, professora na Universidade Católica do Porto, a professora Catarina Carvalho, minha vice-presidente na Liga, que esteve a meu lado sem qualquer fervor clubístico e sempre firme, como só uma grande mulher sabe ser. Normalmente os bons, tal e qual como no tempo da inquisição, vão direitinhos para a fogueira.
CR: - Vamos lá analisar o acórdão...
CDP - O acórdão é uma grande encomenda!, estava encomendado.

Uma afirmação sem dúvida forte. Questiona CR: - Como explica isso?
CDP - O acórdão, para ir em determinado sentido, contém erros. Na minha opinião o CJ é absolutamente incompetente para apreciar esta matéria. Essa competência pertenceria ao Tribunal de Trabalho do Porto. Tanto a Lei de Bases como o Regime Jurídico das Federações estabelecem os poderes públicos que a Liga exerce por delegação da FPF, que por sua vez os recebe do Estado. Só no âmbito destes poderes públicos é que o CJ poderia conhecer dessas matérias. A Liga é uma associação de empregadores e a matéria a julgar tem que ver com a eleição numa associação de empregadores, não tem que ver com matérias relativas aos poderes públicos conferidos pela FPF à Liga. Como é que o CJ deu a volta à situação? Entendeu que os estatutos da FPF lhe permitem conhecer de quase todas as matérias e isto assenta num princípio absolutamente inconstitucional, o de que os estatutos da FPF em termos de valoração de diploma legal, se sobrepõem à Lei de Bases, à Constituição e ao Regulamento Jurídico das Federações. Chama-se a isto a hierarquia legislativa, que se aprende no 1.º ano de direito e que aqui está a ser vilipendiada grosseiramente. Significa que esta excepção, que foi apreciada no acórdão de incompetências foi do plano de vista jurídico muito mal apanhado e não convencerá ninguém. E depois continua mal, julga o meu despacho quanto às listas e mal. Fala sobre a indevida aceitação da candidatura D, a de Mário Figueiredo e fala da indevida rejeição da candidatura C, a de Fernando Seara.

Constata CR: - Houve unanimidade nos juízes...
CDP - E isso significa que a unanimidade está certa?! Este acórdão é uma coisa inacreditável. Relativamente à candidatura D, diz que ela não devia ter sido aceite, diz o acórdão, porque a declaração do Farense de apoio à candidatura não era em papel timbrado. Em nenhum sítio do mundo diz que o papel do clube tem de ser timbrado! Isso não existe. A Liga tem legitimidade e capacidade para reconhecer a assinatura dos clubes que são associados. Foi público quem subscreveu as listas. É ridículo dizer aquilo. É inacreditável. Podiam ter sido 500 juízes a assinar isto que direi sempre: isto é inacreditável e é feito de encomenda!








Bookmark and Share