Ponto Vermelho
Falemos sobre o Benfica…I
6 de Agosto de 2014
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1. Por diversas vezes afirmámos que era ainda cedo para falar sobre a versão final do Benfica apesar dos factos estarem a acontecer de forma iniludível e os indícios no pior sentido estarem a suceder em catadupa. No contraponto com há um ano atrás em que passámos do oito para o oitenta, regredimos a patamares tão ilógicos que por não serem sequer imaginados tornaram-se abrasivos. Ao contrário do que se imaginava e do que tinha sido anunciado numa lógica evolutiva aliás, tudo, mas tudo, passou a ser notícias pouco animadoras para não dizer deprimentes que levaram ao desencanto, à desilusão e ao desespero de uma grande parte dos adeptos e simpatizantes que quando já imaginavam o Benfica na senda de poder alcançar o bi-campeonato que seria um acontecimento inédito para as novas gerações, olham com a maior apreensão para os dados em equação e no que eventualmente se seguirá, pelo menos perante os dados que neste momento estão em cima da mesa.

2. Como sempre, face à dimensão do Benfica e ao papel insubstituível que ocupa na sociedade portuguesa (e não estamos, é claro, apenas a circunscrevermo-nos ao futebol na mera lógica clubística), todas as notícias com ele relacionadas são minuciosamente escalpelizadas e atingem grande aparato nos mais diversos fóruns pois é sempre um tema deveras apetecível. E então quando as coisas não estão a correr pelo melhor, não há jornalista, comentador ou simples opinador que não sinta a tentação de dar os seus bitaites que se propaga aos adeptos e simpatizantes de outros clubes que obviamente sentem uma especial predilecção por enveredar pela ironia de bas fonds copiada de outras paragens, para tentarem através da especulação e de invencionices espalhar a confusão para daí retirar óbvios dividendos.

3. Daí que compita a cada um dos associados, adeptos ou simples simpatizantes benfiquistas, saber encarar os factos de frente sem alinhar em teorias ainda mais pessimistas do que os factos conhecidos nos parecem querer transmitir, mas sem igualmente enterrar a cabeça na areia como se nada de anormal se passasse. Sem cair na tentação de apontar alvos julgando-os em antecipação e condenando-os sem remissão, mas também igualmente sem seguir qualquer teoria seguidista que assimila tudo mesmo os maiores disparates estratégicos. Teremos tempo para isso se for o caso, devendo ter sempre presente que o único que está ilibado é o Benfica pois é ele a única razão da nossa paixão e das nossas agruras sempre que a principal equipa de futebol não parece atravessar o melhor caminho como parece ser agora o caso. Mas, nunca poderemos esquecer que o Benfica é dirigido por homens e, como tal, sujeito a erros ou a tácticas mal concebidas ou deficientemente realizadas, sejam elas de natureza estratégica, financeira ou desportiva. Além de que, é preciso não ignorar que o futebol é uma indústria extremamente volátil para mais em tempos de crise que há muito deixou de ser apenas conjuntural.

4. Perante o presente estado de coisas e face ao silêncio que tem imperado na estrutura encarnada ao seu mais alto nível, o caminho da especulação sobre tudo e sobre nada tem-se vindo a alargar ao ponto de ter começado com uma vereda muito estreita e neste momento se situar numa autoestrada de 8 faixas. As mais diversas teses explicativas têm sido avançadas, sendo de assimilação fácil dado não ter havido por ora contraditório e reclamando os plumitivos, cada vez em maior número, a intervenção rápida e urgente de Luís Filipe Vieira para explicar a sucessão de factos aparentemente estranhos que estão a acontecer. E não só, porque mesmo do lado de dentro há quem se sinta demasiado preocupado ao ponto de o expressar de forma pública, o que prova que o Benfica mantém a matriz genuinamente democrática em que cada um dos seus adeptos mesmo os que ocupam postos de relevo, pode expressar livremente a sua opinião sem correr o risco de ter atrás de si qualquer guarda pretoriana que o avise solenemente que verdade só há uma…

5. É indiscutível que até o mais optimista dos adeptos está preocupado porque o que lhe é dado observar não o convence. O Benfica sempre habituou os adeptos a ter equipas de expressão competitiva na verdadeira acepção da palavra, e o que se tem visto é apenas um conjunto de jogadores à procura de descobrir uma nova realidade que se apresenta perante os seus olhos atónitos porque sentem a dimensão e o peso da camisola encarnada e a desconfiança dos adeptos que habituados a outras andanças não compreendem o paupérrimo futebol apresentado, a dimensão de alguns futebolistas e a escassez de opções para determinadas posições-chave há muito carenciadas. É certo que estamos a falar da pré-época onde as experiências se sucedem para poder avaliar o potencial de cada um dos novos atletas. É verdade que tem havido atenuantes a começar pelas lesões que coincidentemente continuam a fustigar o plantel não sendo nada normal que, por exemplo, os três centrais mais habilitados tenham ficado de fora durante toda a pré-época dando azo ao descalabro num sector vital para a estabilização de uma equipa. Continuaremos a falar disto!










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