Ponto Vermelho
Falemos sobre o Benfica…II
8 de Agosto de 2014
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1. Abordámos há dias a temática da situação presente da equipa de futebol do Benfica de forma generalista, tendo em conta que para além daquilo que ainda não foi dito de forma oficial, restar-nos-ia enveredar por outro caminho que não pretendemos, do diz que diz-se, do parece que, ou então da manifestação de indícios sólidos de que, talvez tenha sido assim… Aliás, a esse respeito, tivémos recentemente ensejo de ouvir uma das melhores situações anedotárias neste País protagonizada em directo e na primeira pessoa pelo Governador do B.P. que em Setembro de 2013 dispunha de indícios fortes de irregularidades praticadas pela Administração do ex-‘Banco Bom’, mas só agiu 11 meses depois devido aos obstáculos que a lei lhe impunha… No entretanto, quem se tramou foram os milhares de pequenos accionistas que incentivados pelo próprio Governador e não só… se viram, de um dia para o outro, espoliados das suas poupanças de anos porque, infelizmente, não dispunham de informação previlegiada e, ao contrário de venderem, investiram mais… Assim vai o que resta deste País…

2. Contudo, no que respeita ao Benfica, enquanto não forem explicadas algumas situações que têm causado alguma perplexidade nos adeptos, é natural que existam acentuadas doses de especulação da parte de alguns que gostariam de ver tudo esmiuçado e divulgado na praça pública, esquecendo-se da velha máxima de que o segredo é a alma do negócio e que estamos perante uma sociedade cotada em Bolsa que obriga a regras bem definidas. E esquecendo também, porventura involuntariamente, que estão a contribuir para o aumento do ruído, pois algumas das notícias e dos comentários publicados nos media são justamente baseados em comentários avulsos e irresponsáveis de alguns intitulados benfiquistas. Qualquer um pode constatar isso.

3. Mas também não podemos cair no exagero contrário. Os adeptos benfiquistas, ao contrário do que temos visto noutros lados, nunca foram uma massa amorfa que dê o amém a qualquer Presidente ou a qualquer Direcção, mesmo àqueles que pelas razões mais positivas ficaram na história do Benfica. Apontar erros, dar sugestões, fazer reparos ou criticar de forma objectiva desde que haja lisura de processos é não só positivo, como uma boa contribuição para que o Benfica possa ser corrigido e melhorar a sua trajectória nos seus múltiplos objectivos, sejam eles de que natureza forem. Desde que observados esses pressupostos, todas as questões são admissíveis e até necessárias, restando depois constatar até que ponto as respostas (as possíveis obviamente) satisfazem ou respondem ou não à preocupação dos adeptos. Anunciada que está para a próxima 5.ª feira uma entrevista a Luís Filipe Vieira que como é normal está a causar grande expectativa, esperam os adeptos saciar a sua curiosidade e compreender um conjunto de decisões e incertezas do universo encarnado.

4. Qualquer pessoa medianamente atenta e informada sabia de antemão que face à carreira da equipa, da teia em que estavam enredados alguns dos direitos económicos de atletas e da premente necessidade de satisfazer inadiáveis compromissos de tesouraria, o Benfica teria de ver partir alguns dos seus principais jogadores. A conjuntura de crise e o apertar (ou fecho da torneira?) do crédito bancário em que a crise provocada no BES contribuiu ainda mais para um horizonte que, embora já fosse apresentando sinais em tons negros, não era de modo nenhum expectável atingir esta magnitude que acabou por criar um cenário quase dantesco.

5. Percebe-se essa movimentação. Sendo esperada, seria natural que a estrutura tomasse providências de forma a salvaguardar as partidas que eram mais do que previsíveis. Dentro obviamente das limitações financeiras existentes. Contudo, visto de fora, tem sido aqui onde têm existido decisões com o seu quê de incompreensível, pois não se percebe como ainda não foi adquirido um médio-defensivo para suprir a falta de Fejsa, um guarda-redes para substituir o desertor Oblak, ou um avançado prevendo a bem possível partida de Cardozo. Além de que, ainda a SAD está a sonhar em contratar e já todo o mundo sabe dessa intenção. E quando passa a actos, as negociações arrastam-se por tempo indefinido cujo fim já está, quase invariavelmente anunciado… É essa, pelo menos, a imagem que transparece.

6. Ao invés, foram adquiridos jogadores para lugares que não estavam de todo carenciados e logo atirados para a fogueira devido às lesões sucessivas na zona defensiva vs. atrasos motivados pelo Mundial que, como seria de esperar, acabaram por demonstrar que não estavam preparados para assumir de pronto as responsabilidades de que foram incumbidos, dando uma imagem ainda mais pálida do seu valor. Como se isso não bastasse, foram adquiridos jogadores que nem sequer aqueceram o lugar (o que aliás não é caso virgem) rumando de pronto a outras paragens o que leva a interrogar do porquê de ter sido dado aval à sua contratação.

7. As repetidas afirmações presidenciais sobre a incorporação de elementos da formação voltaram esta época a cair em saco roto quando havia (felizmente) muito por onde escolher. Enxergamos que a não estabilização da equipa torna essa tarefa mais difícil, mas se e quando houver falência da política que tantos frutos tem dado nos últimos anos, como será então possível estabelecer uma equipa competitiva? Alega-se que a transição não é feita por falta de experiência competitiva ao mais alto nível, mas será que alguns dos elementos que têm chegado, para além de não serem superiores técnica ou tacticamente, a possuem? Do nosso ponto de vista é uma questão que urge analisar sob pena de se virem a perder elementos de grande valor formados no Benfica como alguns dos recentes empréstimos parecem indiciar. Para que tudo isto esteja a acontecer haverão certamente razões plausíveis que esperamos ouvir dia 14 da boca do presidente. O mundo benfiquista necessita urgentemente de calma e ponderação, pois só assim serão atingidos os objectivos.






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