Ponto Vermelho
Kick-Off
10 de Agosto de 2014
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Por Bolandas

Em plena época de férias ainda que sem nada a condizer, desde o tempo passando pelo desfile de notícias a conta-gotas como convém que martelam diariamente a vida e a escassa paciência dos portugueses que vêem o País esboroar-se sem que os responsáveis pareçam estar muito preocupados com isso, começa hoje a época oficial da equipa de futebol do Sport Lisboa e Benfica. Com pessimismo para o futuro que aí vem, ante um adversário valoroso, que no extremo oposto ao nosso teve uma pré-época francamente positiva com especial foco na qualificação na Liga Europa. Procura-se pois algo de positivo para as hostes encarnadas que permita de certo modo afastar o cinzentismo da pré-época - a vitória, associada a uma exibição convincente, como fica bom de perceber. Nada impossível mas algo difícil de acontecer tendo em conta os antecedentes.

Jorge Jesus, pessoa encabeçada da comunicação encarnada neste defeso - com os contíguos ziguezagues que isso sempre acarreta, da «qualidade de trabalho nas vitórias à «falta de qualidade» (do plantel) nas derrotas, do «trampolim» das antevisões à absoluta necessidade do regresso de jogadores há pouco lesionados e outros porventura já vendidos na altura das derrotas - assegurou neste Sábado que a equipa está preparada para este primeiro embate. Esperemos francamente que sim para colocar alguma acalmia em espíritos muito agitados que andam por aí…

Desde caras novas - Benito, Eliseu, Talisca, Derley e o regresso de Jara - a jogadores à partida titulares a atravessar uma gritante falta de confiança ou ainda à procura da sua melhor forma - Artur no primeiro caso, Luisão, Eliseu e Enzo no segundo - resta aguardar e fazer votos que o técnico esteja certo na sua análise, e que neste primeiro embate estejamos à altura dos pergaminhos do clube, o que para já representaria um oásis no deserto de ideias e de exibições que tem sido este defeso para esquecer ou para lembrar consoante o ponto de vista de cada um.

Face ao que se tem visto e às notícias que insistentemente circulam, a hegemonia interna no futebol há tanto tempo procurada está por conseguinte periclitante e de muito difícil concretização. Não se trata de ser pessimista mas antes de tudo o mais, pragmático e realista. Por públicas questões conjunturais e exógenas - caso GES -, mas também por evidentes culpas próprias - empurrar com a barriga compromissos hoje inadiáveis; falta de critério no mercado (porquê Luis Felipe e porquê jogadores de médio prazo?); e ainda a crónica falta de versatilidade de um treinador, que como fica bom de perceber teimará nos mecanismos e no sistema táctico de 2013/14, sem que pareça ainda ter percebido não dispor de jogadores a curto prazo para o interpretar.

Esperemos pois que o arranque da época não venha a agudizar o desencanto, em particular naqueles que bebendo do «milagre financeiro» deparam-se hoje com uma enxurrada de realismo, com o Benfica made in Seixal disperso por clubes da bitola de Jorge Mendes que, convenhamos, acaba por estar bem longe do «inimigo público n.º 1 do Benfica» inicialmente lançado. Neste cada vez mais intrincado mundo da bola onde como em todos os outros sectores, os ricos, os subitamente ricos e os influentes e poderosos ditam leis (as suas), não há lugar para improvisações porque até a esfera dos negócios em que por norma se sabia com o que contar, sofreu uma metaformose em que, tal com a célebre tirada de António Pimenta Machado, o que é verdade à 3.ª feira é uma completa mentira na 6.ª, havendo sempre justificações de mau pagador nem que seja com recurso a milagrosas Directivas Comunitárias transpostas com todo o propósito e oportunidade. Para enganar papalvos.

Não há, portanto, muita volta a dar. Estamos numa nova conjuntura que para variar ainda é pior que a anterior e, como já estamos habituados de anteriores situações, a culpa continuará a morrer eternamente solteira, seja na política, no dia a dia dos negócios, ou no futebol, muito embora este continue a ter as costas largas. O que nos vale é a nossa eterna capacidade de absorver as golpadas dos outros com um sorriso de esgar e de comiseração nos lábios ressequidos, porque infelizmente continuamos a ser demasiado tolerantes e com um espírito de sacrifício que até nós nos surpreendemos… Colocados aqui estes desabafos, que role então a bola. Sempre servirá, mais que não seja, para nos distrair por breves momentos dos problemas com que alguns, triunfantemente impunes, teimam em nos criar.








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