Ponto Vermelho
Póquer inédito
11 de Agosto de 2014
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Não vamos ignorar os factos –, a esmagadora maioria dos nossos adversários e inimigos fidagais apostavam todas as fichas na derrota do Benfica como elemento fulcral para a desestabilização definitiva da equipa para a presente época. Era até mais do que esperança, pois baseava-se na convicção de que, a equipa apresentada pelos encarnados ao longo da pré-época com resultados catastróficos, seria deveras acessível a um Rio Ave cujo treinador até tinha conseguido um resultado favorável no princípio da época finda quando ainda se encontrava na Pérola do Atlântico. E no próprio mundo encarnado as desconfianças eram mais que muitas pois sabe-se em grande parte das vezes, que a paixão provoca intensidade e arrebatamento mas, em caso de dificuldades, esvai-se num abrir e fechar de olhos.

O facto de não ter acontecido exactamente assim causou alguma desilusão em determinados pontos. Era contudo reconhecido por uma boa parte dos comentadores encartados perante as indicações que se iam perfilando, que os encarnados eram apesar de tudo amplamente favoritos no campo teórico, faltando demonstrar e confirmar no campo se essa lógica não sofreria desvios, pois todos sabemos que nem sempre é assim. Mas começou por ser com vinte minutos avassaladores de que redundou o aparecimento de várias oportunidades flagrantes não concretizadas, fosse pela inépcia dos avançados, fosse pelo mérito da defesa vilacondense e em especial do seu guarda-redes Cássio e do seu excelente central Marcelo. Essa tendência e essa constatação dariam o mote para o resto do jogo, prolongamento incluído.

Apressaram-se alguns plumitivos a justificarem a enorme superioridade do Benfica com o facto do Rio Ave se apresentar cansado pelo jogo de 5.ª feira para a Liga Europa, ou por um simples jogador do Benfica suportar todo o orçamento vilacondense. Ambos os factos têm algum fundo de verdade. Mas como esta está em cada um de nós, perguntamos quantos ciclos de jogos o Benfica atravessou, por exemplo na última época em que, se se pode argumentar com a diferença na extensão e na qualidade do plantel, também se deve contrabalançar com o festival de lesões de jogadores importantes. Foi inegável alguma azia com um dos jornais do empresário Oliveira a titular que «Só nos pénaltis o Benfica de Jesus fez história». Pois, também foi nos pénaltis que o Benfica não ganhou a Liga Europa....

Aliás, a esse propósito, nas duas anteriores finais com o mesmo valoroso adversário em que os jogos foram muito mais repartidos (sobretudo o do Jamor), em que estado físico se encontravam os jogadores encarnados depois de sequências infernais de jogos de elevado grau de dificuldade em curtíssimo espaço de tempo? Acresce que o Rio Ave levava alguma vantagem por ter iniciado primeiro os trabalhos e, dando de barato a diferença e qualidade dos plantéis, a realidade foi a de que os encarnados se apresentaram com alguns jogadores que tendo sido titulares na época passada, se apresentavam a jogo com uma semana de treinos ainda que com as ideias de jogo assimiladas como gosta de dizer o treinador encarnado.

Paradoxalmente o Benfica acabou por ser bafejado por alguma sorte nas duas únicas ocasiões (não) construídas pelo Rio Ave, mas ambas tendo Artur como protagonista que viria a redimir-se (e de que maneira!) nos pénaltis, ainda que na última a meias com o central Jardel. Se na primeira, a ter acontecido o golo vilacondense haveria muito tempo para recuperar, na segunda, no momento em que tal aconteceu, seria praticamente impossível dar a volta ao texto. Este é justamente um dos grandes aliciantes do futebol-espectáculo, pois nem sempre aquele que faz quase tudo para ganhar consegue suplantar o que impassível no seu canto, se limita de forma cínica a aproveitar as ofertas do adversário. Afinal, que culpa teria o Rio Ave de tanto falhanço e de tanta ineficácia dos avançados encarnados?

Pela nossa parte, em função das contingências da pré-época ficámos agradavelmente surpreendidos. A equipa depois do regresso daqueles que são os titulares habituais e de outros que são opções frequentes, ganhou dimensão, estratégia e rotinas de jogo que em certos períodos nos fizeram recordar temporadas passadas. Pecaram na concretização onde continuaram a ser demasiado cerimoniosos na altura de rematar à baliza, parece-nos terem decaído fisicamente nos derradeiros momentos da 2.ª parte e sobretudo no prolongamento, o que é natural tendo em conta as circunstâncias, ao mesmo tempo que o cansado Rio Ave parecia dar mostras de outra pujança no último período. Em suma, só nos resta aguardar pelo jogo de Domingo para acabar de vez com a malapata de não vencer a abrir, e esperar que se confirmem as boas indicações de ontem. E aguardar expectante se os dias que faltam não causarão maiores estragos do que o previsível. E, já agora, pelos reforços tão badalados que nos fazem alguma confusão pelo pedido público de Jesus ainda que em resposta aos plumitivos. Quem estivesse distraído até poderia ser levado a pensar que o treinador não fala em privado com o presidente…








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