Ponto Vermelho
Mau estar
12 de Agosto de 2014
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Por Bolandas

1. Contrariamente a algumas perspectivas mais sombrias e pessimistas, a equipa do Benfica não arrancou em falso e conquistou em Aveiro a Supertaça Cândido de Oliveira com brio, generosidade e mérito, deixando para já em stand-by e quiçá mesmo adiando as teses calamitosas que pela praça íamos ouvindo, lendo e saboreando... Sucederam-se como é da praxe as naturais ondas de choque, relativizações e comentários mesquinhos com indisfarçável azia de quem, tendo responsabilidades de ser imparcial e objectivo porque a isso o obriga a profissão, não consegue por um minuto sequer despir a camisola ou descolar da agenda que mantem sempre imutável. Ontem como hoje e certamente amanhã, nada se alterará continuando a ser como sempre foi. Está-lhe no sangue!

2. Alberto do Rosário continua a confundir desejo com realidade, pedindo que o Benfica não tenha futuro por viver preso no passado. É claramente um saudosista mas do tempo dos “5 violinos” que perduram na mente de todos os verdadeiros desportistas e não só dos sportinguistas. Rivalidades à parte, felizes dos apreciadores de futebol que então os viram jogar. Num ensaio sobre a cegueira certamente, até porque isto é bem simples de compreender; o Benfica respeita o passado e quem o construíu; tem um presidente e uma estrutura que não devem nada a ninguém em termos de inovação; e por último as novas gerações, conhecedoras do passado grandioso do Clube e sedentas de vitórias e de títulos que estão, dificilmente vão baixar a guarda e contentarem-se com o que têm. Fica bom de perceber que o Benfica tem passado, presente e futuro... ainda que se tivesse tido perdões a 20 anos tudo seria naturalmente mais fácil…

3. Vizinhos preocupados e mentes brilhantes - que nunca dormem! - como Bernardo Ribeiro (BR), que desvendam agora que a diabolização do BES anda a cargo do malvado gabinete de comunicação encarnado, um dos seus focos e das suas predilecções. Seria igualmente interessante indagar qual a parte mais interessada na excruciação do BES, se o Benfica ou quem mais dividendos tem tirado disso. É uma questão deveras interessante… Mas como a igualdade de tratamento é ponto assente, BR lá decidiu esperar pelos provocados desabafos do jovem Ivan Cavaleiro desde a Coruña para finalmente se debruçar sobre os do igualmente jovem Eric Dier a partir de Inglaterra. 100% de acordo que Benfica e Sporting devem apostar mais na prata da casa antes de irem buscar jogadores de qualidade duvidosa, mas porquê a insistência na conversa da moda, a tradição a nível de formação agora é nossa? A vida de facto dá muitas voltas…

4. Na rádio a coisa não melhora, com a Antena 1 a voltar a escalar dois portistas para o relato e comentários do jogo da Supertaça. Nada contra, havendo isenção e sem flutuações de voz conforme as cores das camisolas, mas isso é algo inimaginável em indivíduos da jaez de Manuel Queirós. Tanto que conseguiu descortinar uma arbitragem tendenciosa de Duarte Gomes - um dos seus protégés a par de Bruno Paixão - em favor do Benfica. Um jogo à parte, pois há muito tempo, mesmo muito, que em Portugal antes ou depois de um desafio, ninguém se referia à arbitragem fosse do interior das equipas ou fora delas. E quando é um facto quase inédito a arbitragem passar inteiramente despercebida, é sinónimo que tudo correu bem e ninguém deu pelo juíz de campo como, aliás, devia ser sempre. Queirós, como é habitual, quis ser diferente…

5. Tarefa evidentemente ingrata para a comunicação do Benfica, que a par de tudo o que revolve em torno do clube acaba por ser presa por ter cão e por não o ter. Mas importa assumir que o meio jornalístico português está empestado e vivemos na era da caça ao clique, o que conduz a notícias sensacionalistas, repisadas e a conta-gotas para levar as pessoas mais desatentas a acreditar, por norma nocivas aos interesses do Sport Lisboa e Benfica. O enorme desafio de lançar a rádio Benfica e eventualmente aumentar a periodicidade do jornal deve ser pois aceite, sem no entanto cairmos no erro de contar com indivíduos acríticos que mais não constituem do que uma violação dos princípios democráticos que sempre nos ajudou a crescer.










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