Ponto Vermelho
Fundos de Investimento: Um dos temas do momento-I
14 de Agosto de 2014
Partilhar no Facebook

Por Bolandas

1. Os Fundos de Investimento de jogadores de que nos lembramos há mais de uma década, têm vindo a crescer exponencialmente, o que significa que o negócio está em franca expansão e é altamente rentável. Curiosamente, Estados e entidades reguladoras do futebol entre as quais a UEFA, só há relativamente pouco tempo começaram a revelar preocupação e, como é hábito acontecer neste mundo do salve-se quem puder, só quando algo começa a tornar-se incontrolável é que passamos a ouvir preocupações, queixas e lamentos aqui e ali que, bastas vezes, cheiram a hipocrisia.

2. Parece ser uma das cruzadas actuais de Monsieur Platini, a par da luta feroz para impedir que as novas tecnologias cheguem às provas organizadas pela UEFA. Pena é que, igualmente, o escândalo do período de transferências que continua a decorrer em paralelo com o início das provas não esteja, do mesmo modo, no topo da agenda das suas preocupações (em conjunto com a FIFA), criando distorções graves e favorecimentos aos mais abastados. Mas Platini é um homem de convicções e como alimenta outras ambições, tem-se desdobrado em empreendimentos.

3. Para além do referido, também como é sabido introduziu o eufemístico fair-play financeiro uma expressão destinada a ludibriar os mais distraídos que, pelo menos até ao momento, tem sido uma medida de eficácia duvidosa. A ideia não é, do meu ponto de vista, nada descabida na sua concepção mas, pelo menos a partir do momento em que começaram a ser aplicadas as primeiras sanções, notou-se que dos vários clubes-prevaricadores, apenas os mais débeis e menos influentes sofreram as consequências totais dos incumprimentos. Na outra extremidade, os mais ricos e poderosos a começar pelo campeão do seu próprio país, foram atingidos apenas de raspão com a tradicional multa que ainda que significativa, não os impede de participar nas provas uefeiras. Sendo assim, os seus detentores, seja ele qualquer oligarca ou xeique não tem a mínima dificuldade em resolver a situação em três tempos sem qualquer tipo de esforço.

4. No entretanto, as centenas e centenas de milhões disponibilizados para a aquisição dos clubes parecem continuar a não preocupar Platini, a UEFA, a FIFA e os respectivos governos que têm fechado os olhos. Afinal, na prática, são investimentos estrangeiros e não é isso que os governos de todos os países andam à procura e por isso facilitam a entrada de capitais e concedem uma tributação mais suave aos investimentos? Tudo isto, apesar de parecerem ser coisas totalmente distintas, não podem ser desligadas do contexto em que se move o Mundo actual. De quando em vez há alguém que actua, normalmente perante casos concretos que deram escândalo ou arrostaram muitas dúvidas e foram objecto de grande destaque nos media.

5. Foi o caso em 2007 com a problemática transferência de Carlos Tevez para o Manchester United que conduziu à proibição dos Fundos de Investimento de jogadores por Inglaterra. Em declarações à Bloomberg, Tom Cannon, uma autoridade na área, defendia que é sobejamente importante para os simpatizantes dos clubes saberem que os jogadores pertencem inteiramente aos emblemas, como forma de proteger uma indústria pujante e em constante crescimento, que por sinal em 2013/14 e circunscrevendo-me à Premier League, superou a marca dos 3 biliões de libras. Afirmações, aliás, carregadas de toda a lógica.

6. Mas isso foi em Inglaterra onde a indústria futebolística continua a revelar uma pujança invejável, porque na simpática Península Ibérica que nos interessa particularmente e onde, por sinal, apenas dois clubes têm conseguido acompanhar a pedalada por via de receitas astronómicas, aceitamos o chauvinismo de terras de Sua Majestade e voltamo-nos contra os Fundos que parecem agora ser o bode expiatório e a fonte de todos os males do futebol e culpados dos clubes estarem a lutar com grandes dificuldades. Ponderação precisa-se!

7. E, com o exagero que caracteriza a sociedade e o universo actual, já não existem Fundos Bons nem Maus. São todos obscuros e de origem duvidosa. E quando algum negócio corre mal não existem culpas próprias pois já têm dono atribuído mesmo que não seja bem assim… Em tempos de seca, é quase utópico exigir aos nossos clubes terem jogadores de topo só seus, a menos que os candidatos oriundos da Formação tivessem hipóteses… E se calhar mesmo assim por muito pouco tempo…






Bookmark and Share