Ponto Vermelho
Palavras e ideias do Presidente
15 de Agosto de 2014
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A sequência de emagrecimento do plantel com a saída de alguns dos principais obreiros do triplete interno e que falharam por pouco a conquista da Liga Europa, logo seguida de uma pré-época horrorosa, levou muitos adeptos benfiquistas a assumir um pessimismo exagerado que veio contrariar a anterior onda de entusiasmo que varreu os mesmos adeptos e os levou aos píncaros da euforia. Como se isso não fosse suficiente, à crise prolongada que vem afectando o país e o Mundo, juntou-se a derrocada do império BES um dos bancos que mais atenção e apoio concedia ao desporto português e ao futebol incluindo a própria Selecção Nacional. Era, como é público, um parceiro previlegiado do Benfica desde há muitos anos a esta parte.

Havendo vários órgãos de informação desportivos diários, mas também os generalistas que cada vez mais alargam o seu espaço informativo ao desporto e ao futebol em particular sem esquecer os on-line, poder-se-á intuir que a procura de notícias é uma competição renhida de todos os dias e aí, para todos os órgãos em geral, é necessário apimentar e tornar apelativas as notícias, única forma de captar a atenção e o interesse dos adeptos, provocando-lhe ao mesmo tempo dúvidas, incertezas, entusiasmo ou desânimo, dependendo de quem é afectado pelas prosas. O Benfica é um espaço previlegiado de debate e cliente obrigatório do espaço noticioso diário, dada a sua dimensão e a mole imensa de adeptos que arrasta consigo. Perante uma situação adversa que ameaçava tornar-se ainda mais complicada segundo os articulistas, o foco concentrou-se sobre si e desprezou, por exemplo, as contas interessantes da transferência de Mangala para o City por valores que excederam a própria cláusula de rescisão. Deve ter sido para compensar a famosa claúsula de 100 Milhões de Hulk…

No presente contexto encarnado, face ao amontoado de notícias avulsas por vezes contraditórias como convém, eram muitas as vozes que reclamavam que o seu responsável máximo viesse a terreiro para explicar as ocorrências. Umas mais difíceis e outras fáceis de perceber mas que se tornaram complexas devido à distorção cadenciada que os media foram estabelecendo em seu redor, ampliando-se em algumas redes sociais que antes de somarem 2 + 2 e formarem a sua própria opinião, se apressaram em dar-lhe relevo em função do seu posicionamento pessoal, com opiniões estapafúrdias e alarmistas. Se tal já não é aceitável nas mais recentes gerações de adeptos que o fazem inadvertidamente por estarem sequiosos de vitórias e de títulos, muito menos o será nos velhos do Restelo catalogados, que mal pressentem indícios de possível borrasca rapidamente surgem da obscuridade. Sempre nas piores ocasiões.

Discutiu-se o timing como se a pressão exterior o apressasse. Acabou por se concretizar em nossa opinião na altura devida, pois vamos iniciar o campeonato e ainda estamos a longas duas semanas do fecho do mercado, o que continuamos a achar uma perfeita aberração que prejudica os menos apetrechados e desvirtua a verdade desportiva. Mais uma vez o facto da entrevista ser concedida ao canal do Clube criou alguns pruridos tal como tinha acontecido, aliás, com as transmissões televisivas do jogos do Benfica no início da pretérita temporada. Quem no seu espírito não consegue ser isento, é natural que sinta essa desconfiança em relação aos outros. Não havia afinal sinais para alarme que se confirma pela ausência de algazarra, o que prova que o Benfica tem excelentes profissionais nos seus quadros.

Mais uma vez isso ontem se constatou. As entrevistas são tanto mais interessantes consoante a postura, a sequência e a clareza das respostas do entrevistado, mas fundamentalmente do nível profissional do entrevistador e da dinâmica que consegue imprimir. Nesse aspecto Hélder Conduto esteve insuperável. Daí que tenha resultado uma entrevista e não um monólogo como alguns tristes ressabiados gostam de arrazoar, em que nada ficou por perguntar (por vezes até com firme insistência como foi o caso-BES) e poucas coisas tenham restado por esclarecer dentro das limitações compreensíveis dos negócios e das obrigações enquanto presidente de uma Sociedade cotada em Bolsa.

Para quem encarou a entrevista sem quaisquer reservas mentais, terá sido, porventura, uma entrevista serena e tranquilizadora, ainda que tenha ficado mais claro do que nunca de que o Benfica, tal como todos, continuam a viver tempos de grandes dificuldades sendo preciso continuar a fazer mais uns furos no cinto para que não venham a haver surpresas desagradáveis e inesperadas que prejudiquem o crescimento seguro ainda que mais lento do Benfica no futuro. Para além dos esclarecimentos sobre a inevitável saída de futebolistas em particular do caso mais atractivo (Garay), foi deveras oportuna a abordagem mais alargada à vertente financeira perante as notícias alarmistas de alguns órgãos de informação que preocuparam muitos adeptos menos informados.

Ninguém ignora que existe um passivo elevado. Mas também é necessário equacionar que o Benfica é muito mais do que um clube de futebol e, como tal, investimentos estruturantes importantes têm sido feitos em diversas áreas que elevam o valor do seu património e dos seus activos fixos. Em suma, uma entrevista que terá ajudado a esclarecer os espíritos inquietos e que, na nossa opinião pessoal, terá sido a mais conseguida de LFV. Com postura institucional, soube resistir à tentação de dar as habituais alfinetadas nos rivais. Talvez tenha sido por isso que hoje a imprensa está calma mesmo que alguns, os do costume, ainda venham a descobrir algo que LFV não disse, pois não acreditamos que a sua fértil imaginação o dispense. Palpita-nos até que não vamos ter que esperar muito…






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