Ponto Vermelho
Fundos de Investimento: Um dos temas do momento-II
16 de Agosto de 2014
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Por Bolandas

1. De facto, com a janela de oportunidades que se abriu, o negócio dos Fundos de Investimentos de Jogadores (FIJ) adquiriu rápida expansão que, como é da praxe, atraiu uma multidão de interessados em busca do El Dorado e, com eles, inevitavelmente oportunistas e homens pouco escrupulosos. Começaram aí os pontos de interrogação, porque a falta de legislação adequada e a ausência de controle por parte dos Estados e das entidades reguladoras do futebol permitiram que o negócio fosse aproveitado para lavagem de dinheiro e branqueamento de capitais. Tal começou a levantar uma onda de suspeitas que acabou por meter no mesmo saco investidores, entidades sérias e transparentes, bem como oportunistas sem escrúpulos que aproveitando-se das amplas liberdades concedidas começaram a actuar a seu bel-prazer.

2. Não podemos ignorar que os FIJ, sendo em si mesmo um investimento igual a outro qualquer, são abrangentes e confinantes com várias áreas e, como quase tudo na vida, têm obviamente os seus prós e os seus contras. Mas no caso específico do futebol levando em linha de conta que 99% dos emblemas ibéricos se debatem com problemas de financiamento, não devemos nesse particular ter pruridos que não se justificam face à selva em que vivemos mergulhados e está bem à vista. Ou então ser excessivamente ingénuos e românticos. Os tempos não estão para isso…

3. Devido à fortíssima crise que nos assola e que parece ter vindo para ficar durante mais uns tempos, com a torneira do crédito bancário fechada, os clubes portugueses têm sido forçados a procurar alternativas de forma a conseguirem certos jogadores que depois de bem trabalhados lhes têm rendido verbas significativas absolutamente vitais para a manutenção da sua tesouraria em níveis minimamente aceitáveis. E aí têm entrado os FIJ como se tem visto nos tempos mais recentes, pois sem eles muitos dos jogadores que renderam depois excelentes mais-valias, nunca teriam chegado sequer a entrar em Portugal como Ramires e Markovic apenas para citar dois exemplos… Comporta evidentemente vários problemas, riscos e inconvenientes, mas até agora é inegável que têm revelado utilidade. A falta de legislação adequada e o controle que deve ser exercido por quem de direito é a questão que se coloca e que parece estar a causar alguma agitação neste momento.

4. Sabendo de antemão que o interesse dos investidores se resume basicamente a conseguir retorno do investimento, a sua participação não deve ser liminarmente condenada apenas e só porque está na moda diabolizar tudo o que cheire a FIJ sem haver a preocupação, tal como na problemática das "Offshores", de separar o trigo do joio. E isso é urgente que seja feito para acabar com os interesses obscuros e que deixam muitas dúvidas sobre a actividade e legalidade de alguns deles. É pois indispensável que sejam regulados e fiscalizados de modo a que se tornem inteiramente transparentes.

5. O que resta saber é quem o vai fazer e como tal tarefa será concretizada, sabendo-se que nos últimos tempos, a fiscalização e o controle das actividades no mundo financeiro a começar por Portugal, falhou redondamente e acabou por dar origem à precipitação de uma crise global sem precedentes. Sem uma articulação e vontade efectiva globais que parecem difíceis de conjugar, esta temática revela-se complicada. É que não basta legislar avulso e debitar interessantes teorias para a imprensa a fazer crer que estão a ser adoptadas as medidas adequadas; é preciso sobretudo actuar e fiscalizar o cumprimento escrupuloso das regras para que se saiba, por exemplo, quem são os detentores dos Fundos na sua totalidade (e não apenas de jogadores) e onde estão sediados, para evitar a obscuridade que se verifica em muitos deles. Não é justo, por hipótese, confundir o Benfica Stars Fund ou o mais recente Sporting Stars Fund com alguns que roçam a aspectos de clandestinidade.

6. Posto isto, com o rumo que as coisas estão a levar e paradoxalmente, começa a tornar-se admissível que dentro de algum tempo os nossos clubes tenham de optar por outras alternativas e, tal como tem referido LFV, essa via tenha de ser abandonada sendo forçados a apostar no recrutamento junto da Formação. Mas sem haver consenso alargado e imposições em torno do jogador português – que no que subtrairia à competitividade dos nossos clubes a curto prazo acrescentaria à sustentabilidade e futuro a médio prazo -, sem se conseguir encontrar outras fontes de receitas que não a venda de jogadores e valores residuais como os de um tal FMI do futebol português também ele em declínio e a socorrer-se de expedientes para manter um império decadente, olhar com repúdio e negação para os FIJ não me parece neste momento ser o caminho a seguir. Até porque olhando para o passado e presente do futebol nacional, clubes ricos não existem, cumpridores são cada vez menos, e não se vê qualquer luz ao fundo do túnel…








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