Ponto Vermelho
A propósito dos comentários de J.E. Moniz
17 de Agosto de 2014
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Por EagleView

A entrevista que o V.P. do Benfica e Administrador da SAD encarnada, José Eduardo Moniz (JEM) concedeu recentemente à Rádio Renascença parece ter causado algum mal estar. Tudo porque JEM em determinada altura focou o relacionamento do antigo BES com o Sporting, ou para ser mais preciso a ligação umbilical que um dos Administradores e por coincidência Presidente do BES Investimento mantinha com o Clube leonino de que era Presidente do Conselho Fiscal. Sem esquecer que antes, o maior desastre dos últimos tempos no reino sportinguista, teve como ponta-de-lança José Roquette ele próprio (em tempos idos) Director daquela Instituição de Crédito, hoje caída em desgraça devido à conjugação acertada de um conjunto de forças bem conhecidas que apostaram na sua destruição. A seu tempo saberemos os pormenores.

Gostaria pois de transmitir a minha visão sobre as suas palavras. Em primeiro lugar JEM limitou-se a descrever factos. O Sporting foi de facto ajudado pela banca e sem isso tinha pura e simplesmente fechado as portas! Teve a sorte de uma parte importante da Direcção do BES ser toda do Sporting e que à parte de ter feito o seu negócio beneficiou por várias vias o clube de Alvalade, viciando as regras da equidade em relação aos outros dois clubes seus concorrentes directos. Agora tudo se alterou, mas o essencial está feito!

Com efeito, JEM não fez qualquer choradinho e apenas constatou factos evidentes. Mas ninguém tenha qualquer dúvida que o que aconteceu com o Sporting não teria sido possível em qualquer país civilizado da Europa. Perguntem ao Glasgow Rangers, ao Servette ou ao Neuchatel da Suíça. No entanto, os sportinguistas, embora contentes por terem escapado à guilhotina, terão de aceitar a realidade, nos próximos 10-20 anos estão castrados nas suas possibilidades de investir e crescer. Grande parte das mais valias com jogadores e prémios já estão penhorados.

Se os dirigentes forem competentes, porque se não forem, o Clube irá certamente passar um mau bocado! O Sporting ainda apresenta custos operacionais (CO) demasiado elevados, -34,5% dos proveitos operacionais (PO), os CO ultrapassam em mais de um terço os PO. Significa isso que tem de reduzir ainda mais os custos de pessoal e como se sabe, os custos com a equipa profissional de futebol constituem a parte do leão.

Aproveito, igualmente, para me debruçar sobre o outro rival – FC Porto, que em contraciclo está nitidamente a ensaiar uma fuga para a frente, uma coisa que se chama Chasing Losses. Qualquer jogador experiente de roulette, em Las Vegas, Macau, etc., conhece de cor essa estratégia que consiste em aumentar a aposta quando se está a perder, estratégia essa que não costuma ser muito smart. E isto porquê? Porque exige por um lado uma carteira muito funda que o FC Porto claramente não tem, por outro lado está vulnerável a surpresas desagradáveis que no mundo aleatório do desporto são mais do que evidentes.

O FC Porto está a inflacionar tanbém ainda mais os custos de pessoal, que já de si estavam muito inflacionados. Para além dos custos de pessoal apresentados no R&C (3.º Trimestre - 39,4 Milhões), tem ainda cerca de 10 Milhões de custos de pessoal camuflados em saco azul como Fornecimento e Serviços Externos (FSE) na empresa FCP-Serviços Partilhados, que não é consolidada com as outras empresas do Grupo e que foi criada para isso mesmo, para poderem cumprir o Fair-Play Financeiro da UEFA (<70% dos Proveitos Operacionais), como veio escrito no R&C.

Para lembrar: No R&C de 2011/12, verifica-se que a FC Porto–Serviços Partilhados (SP), criada em Março de 2011, tem como objectivo a "prestação de serviços de assessoria empresarial, administração e recursos humanos a todas as empresas do Grupo", sendo que os seus custos são afectos à rúbrica de Fornecimentos e Serviços Externos. A própria SAD admite que "parte dos funcionários, que estavam alocados às várias empresas da SAD, transitaram para a Serviços Partilhados." A razão pela qual não consolidam a empresa FCP-Serviços Partilhados com as outras do grupo, é exactamente para não mostrarem os custos de pessoal gigantescos que na realidade têm. Em vez dos 39,7 Milhões no 3.º Trimestre de 2013/14, mostrariam custos de pessoal acima dos 50 Milhões em apenas 9 meses, isto é, quase iguais aos proveitos operacionais (56,2 Milhões). Revelavam ao mundo uma gestão incompetente e catastrófica.

Os custos, com outro nome, não desapareceram, continuam lá todos. Aumentando ainda mais os custos de pessoal, mostram que o défice de exploração mensal que já estava nos 2 Milhões/mês irá subir exponencialmente. Também o défice de tesouraria agravar-se-á. O FC Porto terminou o ano passado com uma enorme falta de liquidez, salários e outros custos de pessoal em atraso, que resolveu com a venda de alguns jogadores e, como já foi dito, um empréstimo de Jorge Mendes (JM) no valor de 30 Milhões o qual também lhes permitiu investir em alguns jogadores. A ligação a JM permitiu-lhes ter alguns jogadores emprestados que embora suplentes de equipas de topo espanholas têm salários muito acima da média (de outro modo teriam recusado).

Resumindo; para sabermos quando é que o FC Porto vai dar o estouro tudo dependerá se entram ou não na Champions. Se porventura não entrarem, o Jackson Martinez terá que ir à vida de imediato. Se conseguirem aceder, o jogador colombiano apenas será vendido na janela de Janeiro. Isto, obviamente se tudo correr bem e não tiver o azar de vir a sofrer alguma lesão sempre susceptível de acontecer em futebol. Porque com o tal défice tão grande de exploração de 2 Milhões/mês) e um défice de liquidez mensal à volta de 1,5 Milhões, serão mesmo forçados a vender. Não esquecer que, entretanto, já anteciparam alguns dos proveitos!


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