Ponto Vermelho
Benfica: à 10.ª foi de vez…
18 de Agosto de 2014
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Depois de uma atribulada pré-época o que já não constitui propriamente novidade, ainda que a presente tenha comportado a nuance de terem saído jogadores titulares em número mais elevado do que o normal, a moral dos adeptos estava, como é evidente, em patamares baixos que, com a tendência de se olhar sempre para o que faz o vizinho, ainda mais se agravaram. Ainda que o mercado de transferências continue activo, os nossos principais rivais têm dado mostras de grande vitalidade pois enquanto o Sporting assumidamente candidato ao título se mantinha praticamente inalterável na sua estrutura, o FC Porto naqueles negócios que o costumam caracterizar, adquiria os direitos desportivos de jogadores (muitos) que dizem os entendidos da bola são verdadeiros craques na verdadeira acepção da palavra, ainda que fossem suplentes nas principais equipas espanholas.

Percebe-se a estratégia pintista de entusiasmar os adeptos e tentar recuperar o título, enquanto que no Sporting, à partida só estavam verdadeiramente em perigo eminente de saída dois dos jogadores mundialistas, tendo em conta que os outros dois, face à quase deprimente prestação portuguesa no Mundial, não pareciam com condições objectivas de emigrarem dada a ausência de propostas condizentes. Para gáudio (desportivo) de Bruno de Carvalho, mas com o lamento do tesoureiro leonino que via aí boas oportunidades de criar algum equilíbrio apesar do Sporting estar longe de deter a totalidade dos direitos económicos dos jogadores. Entretanto, subitamente, saiu Eric Dier…

Com o aproximar do fim de Agosto as movimentações in e out têm-se sucedido e enquanto o FC Porto salvo qualquer operação de última hora (mesmo a sair…) sempre susceptível de acontecer prossegue a sua espanholização acelerada, o Sporting de repente viu-se a braços com dois casos de indisciplina precisamente com os dois jogadores que tiverem sucesso no Mundial, sendo que isso depois do Perdóname de Rojo em directo e em tons verdes parece levar à sua saída definitiva, restando saber o que acontece com Slimani. Mas de facto, é justo que se reconheça que Bruno de Carvalho, aparte alguns exageros que sempre acontecem nestas circunstâncias, esteve bem a defender os interesses do seu clube. É claro que essa instabilidade teve algumas repercussões no seio do plantel restando saber até que ponto influenciou em Coimbra.

Perante isto, o Benfica começou a arrumar a casa e a despachar alguns que pareceram erros de casting, sendo que, quando ainda está na expectativa de poder acontecer mais alguma saída, tem vindo a tentar colmatar algumas lacunas há muito identificadas mas que só agora parece querer acelerar. Foi já nessa conjuntura que disputou com êxito a Supertaça que teve o condão de mostrar que afinal a equipa encarnada continuava a ter potencial apesar das partidas importantes. Isso levou pelo menos à travagem no pessimismo espelhado nos adeptos, mas longe da euforia que os nossos adversários e inimigos se têm apressado e insistido em espalhar por tudo o que é órgão de informação para nos distrairem e, perante a possibilidade de um eventual fracasso, nos atacarem sem só nem piedade. Estamos certos que a grande maioria dos adeptos benfiquistas estão perfeitamente cientes das dificuldades e não vão embandeirar em arco com uma simples vitória, por mais significativa que seja.

Surgiu, entretanto, o início do campeonato com o Benfica a receber o Paços de Ferreira. Depois da exibição de Aveiro era inegável que algumas expectativas tinham sido criadas e os adeptos estavam convictos da vitória. Mas também sabiam que para trás estavam 9 épocas de insucessos na 1.ª jornada, quer em casa quer fora (5 já com Jorge Jesus ao leme), pelo que ainda que confiantes, estavam algo desconfiados porque a tradição ou lá o que lhe queiram chamar, pesa sempre nos espíritos quando chega a hora da verdade. E de facto depois de um assomo inicial do Benfica a querer dar mostras de impor o seu jogo, o Paços reagiu e ainda alguns adeptos não se tinham acomodado de todo e já os pacenses estavam a beneficiar de um penalty que o árbitro entendeu assinalar.

Temeu-se o pior e de repente quase todos se recordaram do passado. Por momentos houve um misto de sentimentos no espírito dos adeptos que misturaram a inevitabilidade com o sonho súbito de que acontecesse o prolongamento de Aveiro. De repente, paradoxalmente, as esperanças estavam depositadas nas luvas de um dos patinhos-feios que no passado tantas vezes tinha merecido a condenação do tribunal da Luz. A vida e o futebol têm destas coisas, deprimentes nuns casos e maravilhosas noutros. Foi um momento sublime e curiosamente muitos dos inflexíveis que nada lhe têm perdoado, aplaudiram como se fosse uma primeira vez. Terá começado aí, porventura, a vitória do Benfica. O resto, foram os suspeitos do costume que catapultaram os encarnados para o sucesso precisamente na 10.ª época. Porém, dúvidas e interrogações ficaram a pairar no ar. Algumas perfeitamente comprensíveis outras nem tanto. Vamos esperar para ver no que dá o fecho do mercado mas até lá ainda há campeonato com duas jornadas importantes, sendo crucial que continuemos a vencer. É isso que esperamos.








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