Ponto Vermelho
Exultações
20 de Agosto de 2014
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Por Bolandas

1. É de facto fantástico constatar que o Benfica, quer esteja bem, mal, ou assim-assim, continua a despertar paixões exacerbadas nos adeptos mas atrai igualmente uma panóplia de plumitivos, adversários e inimigos. É por isso que leva por vezes alguns eternos ressabiados e cheios de azia a ficarem seriamente incomodados pelo simples facto de se falar constantemente do Benfica não importando o quê, talvez fazendo por ignorar que também os encarnados gostariam certamente de mais recato…

2. Reparemos, ao acaso, num habitué que, repetindo-se constantemente, faz do Benfica tema obrigatório:
«Contratação de jogadores à carrada» -, Artigo no jornal Record de 19 de Agosto de 2013.
«(…) Jogadores contratados a granel» -, Artigo no jornal Record, 12 de Agosto de 2013.
Assim repisava Alberto do Rosário (AR) na pretérita época sobre a incursão do Benfica no mercado. Este ano parece que o discurso mudou, exulta com as compras e não com as vendas. Vá lá perceber-se a lógica… Nesta 2.ª Feira tivémos novamente mais um naco de prosa, prosseguindo a cruzada inglória do articulista contra o Benfica, socorrendo-se da pálida hegemonia portista (de que é admirador confesso) para atestar as suas estapafurdices. É sempre um problema quando o Benfica ganha, como se estivéssemos proíbidos de ser felizes. Desta feita, à parte a sistemática bajulação ao FC Porto reclama da atenção exagerada que os meios de comunicação concedem ao Benfica. Mas, contradizendo-se a ele próprio dá o exemplo e, semana sim, semana sim, nas suas crónicas só dá Benfica, porque a sua fixação nos encarnados é algo a que ele não consegue resistir…

3. «Percebo a ambição de Rojo e os negócios da Doyen Sports, mas não podemos esquecer que os contratos foram assinados de livre vontade e nessa altura o jogador não tinha o estatuto que o mundial lhe deu.» - Hermínio Loureiro, jornal A Bola, 18 de Agosto de 2014.
Recordamos que o mundo do futebol indígena exultou quando o Sporting desviou Rojo da Luz para Alvalade. Numa reedição do que se passara recorrentemente nos anos anteriores entre FC Porto e Benfica, desta feita era Godinho Lopes a substituir P.C. para gáudio dos nossos adversários e inimigos. Pouco interessou - e poucos se perguntaram - em que termos, ou se o ex-líder sportinguista assentira às pretensões da Doyen. E, talvez por desconhecimento, Hermínio Loureiro não refere a cláusula indemnizatória que obriga o Sporting a pagar à Doyen caso o atleta permanecesse em Alvalade, sendo que o Clube, a par de Rojo, também não foi obrigado a assinar o contrato.

4. O Fundo, perante condições sobejamente mais interessantes, colocou Rojo no Sporting, ao que se seguiu as habituais juras de amor eterno por parte do jogador, próprias da emoção do momento e das circunstâncias. Numa acção comando o Sporting fez agora negócio com o M.U. mas para isso, teve que rasgar o contrato com a Doyen pelas razões que se conhecem, um imbróglio que ainda vai dar muito que falar e cujas consequências poderão vir a ser muito dolorosas para o clube de Alvalade.

5. Para já e até com o regresso temporário de um dos filhos dilectos, Bruno de Carvalho sai em ombros até que a eventual factura carregada de juros e despesas chegue… Mas parece está na moda proteger o Sporting e tudo o que o seu líder pensa, faz ou diz, pois um contrato assinado preto no branco parece não ter qualquer legalidade, sendo que a leitura de um guião gasto para papalvos é entendido como um acto de gestão louvável. A temática da regulação e fiscalização dos Fundos fora-da-lei é uma outra situação completamente diferente que é de facto necessária e urgente, mas que não interfere directamente com a questão que aqui estou a focar.

6. O Benfica arrancou bem na Liga e pôs termo à malapata da 1.ª jornada. Ainda assim, contrariamente às boas indicações da Supertaça, desta vez foram visíveis os problemas no miolo, com Talisca a ser um a menos quer a 9,5 ou a 8. É difícil projectar o que será o Benfica sem Enzo, ainda que um todo-o-terreno como Rúben Amorim tenha dado conta do recado e sabido colmatar as insuficiências no jogo do argentino e do brasileiro. Já se percebeu que Talisca tem futebol no seu pé esquerdo, mas mais fácil é perceber que o seu entrosamento com a equipa ainda deixa muito a desejar. Valeu Artur, e valeu o golo inaugural quando pouco ou nada justificávamos, caso contrário era um jogo com o credo na boca, mais de transpiração do que inspiração. Projecto de Jorge Jesus ou não - decerto precisa caso queira aumentar a competitividade de um plantel ainda curto - o técnico é vítima e culpado. Vítima porque tem vindo a perder pedras importantes no xadrez, culpado porque João Teixeira deu melhores indicações do que o brasileiro. A classe dos nossos jogadores acabou por se revelar decisiva, mas continuam a pairar núvens sobre 2014/15.

7. L.F. Vieira disse aos benfiquistas para estarem descansados, ainda que o defeso venha em contra-ciclo com o que havia sido dito não há muito tempo - não haveria necessidade de vender mais jogadores. As saídas devem ser analisadas caso a caso, sendo que algumas fazem francamente sentido, e outras nem tanto. Na globalidade apreende-se a necessidade do Benfica manter a flexibilidade, designamente numa altura em que ainda não sabe o veredicto do ex-BES sobre muitos milhões. Só assim se compreende esta política, depois de no orçamento para 2014/15 aprovado pré-Caso GES, não estar contemplado uma travagem deste quilate. A conjuntura assim nos obrigará e mais sentido faria se mais dados houvessem. Naquilo que controlamos, a flexibilidade em torno de Maxi e Gaitán era bem-vinda, no suor e na classe são Benfica e a renovação era um prémio para todos.






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