Ponto Vermelho
Negócio Rojo: nebulosidades…
21 de Agosto de 2014
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Por EagleView

Começo pelas certezas; o regresso de Nani ao futebol português visto de forma desapaixonada e longe da fobia clubística ainda que apenas e só por uma época), é, sem dúvida, uma boa notícia para todos os amantes de futebol que assim têm oportunidade de ver ao vivo, um dos jogadores que se porventura conseguir a motivação necessária é, em teoria, uma excelente mais-valia a evoluir nos relvados portugueses que delas está necessitado atendendo à passagem meteórica desse tipo de jogadores pelo nosso futebol.

Mas o negócio que permitiu o seu empréstimo ao Sporting, aparte ser um bom negócio do ponto de vista desportivo dada a inevitabilidade da partida de Marcos Rojo, quer para os leigos quer para aqueles que não o sendo desconhecem as coordenadas do contrato com a Doyen Sports, gera uma enormidade de dúvidas que requerem o máximo de prudência face à inevitável e duríssima batalha judicial que se irá seguir nos Tribunais e nas Instâncias Desportivas onde parece estar muito dinheiro envolvido.

Se me encontrasse no papel de adepto de clube leonino, ao mesmo tempo que manifestava a euforia natural pelo regresso a casa de um dos nossos filhos pródigos, reservava uma boa parte das minhas preocupações para o que se irá seguir num futuro próximo, porque é expectável que a Doyen (aliás já o anunciou em comunicado) não fique de braços cruzados e recorra através de todos os meios legais ao seu alcance para ser ressarcida daquilo a que se julga com direito.

Se por outro lado fosse presidente do Sporting, do dinheiro recebido do Manchester United (MU) pela venda de Rojo, tratava imediatamente de constituir provisões porque, sem contar com as despesas judiciais que serão necessariamente avultadas, pode vir a acontecer que tenha que haver devolução muito superior aos 3 milhões referidos no comunicado do Sporting. Contudo, registe-se que Bruno Carvalho (BC) certamente aconselhado (bem ou mal é o que se irá depois constatar), já ensaiou a fuga para a frente comprometendo-se perante os sócios e adeptos leoninos a reservar 9 milhões da verba a receber para o novo Pavilhão cuja campanha pública de angariação de fundos está em marcha.

Observemos então aquilo que em primeira análise parece ser um negócio altamente vantajoso para o Sporting, mas que, depois de alguma análise e ponderação (pese embora o desconhecimento do contrato estabelecido com a Doyen) levanta todo um conjunto de dúvidas e incertezas. Com efeito:
a) Dos anunciados 20 Milhões de € a receber do MU, logo à partida 4 Milhões serão destinados aos russos do Spartak de Moscovo anterior clube de Rojo;
b) Dos restantes 16 Milhões, aproximadamente 4 Milhões serão para a Doyen Sports (3,25 Milhões respeitantes aos 75% + 0,75 Milhões que o Fundo avançou para liquidação da 1ª prestação que incumbia ao Sporting pagar ao clube russo;
c) O jogador Nani dispunha, como seria previsível, de um contrato-milionário com o MU onde usufruia de uma verba a rondar os 5 Milhões anuais. Segundo foi noticiado, o Sporting recebe Nani sem encargos pois o clube inglês iria suportar integralmente o seu vencimento. Isso é apenas uma parte da verdade pois, na realidade, segundo consta do estabelecido no acordo de empréstimo, o MU apenas será responsável por 60% do salário (3 Milhões) cabendo ao Sporting a diferença. Aliás, convenhamos que é lógico que assim seja, pois, por mais sagacidade negocial que exista em Alvalade (o que não ponho em dúvida), do lado inglês também não andam propriamente a dormir…

Dando de barato a razão subjacente a tudo isto (a necessidade de contornar, pelo Sporting, a proibição de venda de jogadores a clubes ingleses com percentagens detidas por Fundos de Investimento), temos que para além do que interessa vir a público tornando o negócio em mais uma acção propandística de BC, há uma verdade incontornável que não pode ser escamoteada e que acarreta custos elevados para o Clube de Alvalade; é que os 5 milhões anuais a que aludi acima são líquidos, o que significa que a verba dispara se considerarmos que há a acrescer os tradicionais encargos obrigatórios, como sejam impostos, seguros ou SS. Contas feitas en passant, poder-se-á dizer que os custos que o Sporting terá de suportar serão, objectivamente, muito mais elevados.

Para nós benfiquistas e ainda que com contornos algo diferentes, é impossível dissociar esta acção de denúncia de contrato do Sporting com a Doyen Sports com a que foi perpetrada pelo nosso João Vale e Azevedo quando rasgou o contrato com a Olivedesportos. É indiscutivelmente uma acção de enormíssimo risco para o Sporting que sabe-se como começou mas não se sabe como irá acabar e isso, volto a repeti-lo, se fosse adepto leonino consciente, para além da pretensa firmeza da atitude de BC, da euforia registada com a vinda de Nani e das loas que têm sido tecidas por uma imprensa rendida aos dotes negociais de BC, sentir-me-ia deveras preocupado.

É que face à periclitante situação financeira do Clube com um alto índice de endividamento e com obrigatoriedades contratuais importantes para cumprimento do serviço de dívida, a última coisa a ser feita seria meter-se numa aventura desta natureza que ameaça poder vir a ter uma resolução contrária aos interesses leoninos o que se poderá vir a revelar catastrófica. Neste tipo de matérias que envolvem grande complexidade, quando se opta por decisões que soam a expedientes precipitados para ultrapassar uma dificuldade momentânea, os riscos aumentam exponencialmente. E, ainda que não tendo sido BC a assinar o contrato para a aquisição de Rojo, foi o Sporting, pelo que nestas circunstâncias os contratos são para respeitar e cumprir. Todos sem excepção. A acompanhar com atenção!




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