Ponto Vermelho
Considerandos no início da maratona
22 de Agosto de 2014
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Na semana passada já tinha arrancado a enorme maratona do campeonato da II Liga de Futebol que passa a comportar o número impensável de 24 equipas (+2) agrupadas numa única série com 46 jornadas (+4). No último fim de semana tivémos a tão ansiada 1.ª jornada da I Liga que regressou a 2005/2006 com mais um alargamento e os competidores, depois de 9 anos de interregno, voltam a situar-se nos 18 (+2). Por via disso as jornadas esticam para 34 (+4), o que significa que teremos mais um mês de competição, a menos que haja jogos a meio da semana se para isso houver disponibilidade competitiva das equipas, sobretudo das que, assim o esperamos, ainda estejam a disputar as competições europeias. É de facto um fartote!

Tal deriva da larguíssima visão dos doutorados da bola que continuam por aí a fazer e a desfazer consoante o posicionamento e a variação de interesses que se vai registando. Na II Liga, depois da aprovação em 2 Zonas uma medida que na altura se nos afigurou sensata e equilibrada, voltou tudo à primeira forma e, como se isso não bastasse, houve também aumento do número de equipas. Isto, numa altura de forte crise com os clubes cada vez com maiores dificuldades para sobreviverem, em que Liga está sem rei nem roque, falida e aguardando novas definições não se sabe para quando. Mesmo assim, tomam-se resoluções estapafúrdias com o aumento inevitável de despesas e a diminuição de receitas pois nem patrocinadores existem. Isto já sem falar em mais árbitros e mais custos associados.

Por outro lado, como qualquer pessoa medianamente atenta ao fenómeno do futebol consegue enxergar sem dificuldade, a competitividade entre as equipas tende a diminuir pois muitas delas não têm condições objectivas para disputar provas longas a este nível. Porque os seus orçamentos não lhes permitem adquirir jogadores com padrões aceitáveis de qualidade para competirem em provas desta exigência, as infraestruturas são deficientes e as receitas irrisórias e, nalguns casos, praticamente inexistentes. Vamos certamente ouvir falar várias vezes de ordenados em atraso. Foi a megalomania de alguns dirigentes que ajudou a florescer o império Oliveira, sendo que depois destes anos todos a questão que se coloca é a de que, para além do compadrio a todos os níveis que ainda perdura, que tipo de evolução real e qualitativa sofreu o futebol português nas últimas duas décadas? Houve, de facto, alguns resultados assinaláveis mas basicamente por mérito individual, pelo que não se deve confundir com o todo do futebol português e com a competitividade da nossa Liga.

Aproveitou-se a boleia do regresso do Boavista ao escalão maior vindo directamente do CN Séniores para justificar o alargamento, uma evidente desculpa de mau pagador. Apesar de ser um histórico do nosso futebol o salto foi demasiado grande porque depois de todas as vicissitudes porque passou o clube do Bessa, não é fácil adequar estruturas à nova realidade necessariamente muito mais exigente. Apesar de dispor de um Estádio moderno e que foi construído para servir de palco ao Euro 2004, o Boavista será um dos clubes que se irá deparar com enormes dificuldades para levar a tarefa a bom porto. Os jogos no seu recinto serão disputados em piso sintético (ainda que da última geração) o que será uma novidade pouco agradável. Entendemos que tem que haver exigência e uniformização tal como há anos aconteceu no consulado do então Secretário de Estado do Desporto, Miranda Calha.

Finalmente, também os capatazes da arbitragem não páram de nos surpreender. Ainda com o espírito de revolta bem latente com o recorrente caso das classificações e dos critérios de nomeação pelo douto Conselho que já tinham feito furor na época anterior e que ninguém de boa fé percebeu, nova alteração de regras motivada pela questão que durou toda a temporada com a temática da bola na mão e a mão na bola ou da intensidade das cargas, dos encostos, dos tropeções ou dos empurrões. A avaliar pelo que observámos na 1.ª jornada vamos ter por certo pano para mangas em toda a época, pois pelos vistos nada se alterou de substantivo e cada árbitro pode decidir a seu bel prazer mesmo que hajam decisões totalmente antagónicas de jogo para jogo.

Sabemos que esta matéria é complexa e não se resolve de uma só penada. Porque para além dos casos de difícil julgamento para mais para quem o tem de fazer numa fracção de segundo, há a situação da desonestidade da maior parte dos jogadores que tudo fazem para ludibriar os árbitros com simulações que por vezes levam ao engano. Assim sendo e em determinados tipos de lances como os que referimos, a adopção de um critério uniforme será porventura aquele que menos problemas acarretará. Como está é bizarro e dá azo a situações contraditórias como foi o caso de Coimbra e de Penafiel. Na Luz o caso foi de intensidade, pois as mãos nas costas tornaram o jogador pacense demasiado frágil… É preciso que com urgência os critérios sejam uniformizados e adoptados por todos os árbitros sem excepção, porque como se viu, o deliberado teve interpretações diversas em dois campos logo na 1.ª jornada. Se continuar assim vai haver bagunça e contestação e é isso que deve ser evitado. Para bem da verdade desportiva e do futebol português.








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