Ponto Vermelho
Falemos ao Domingo…
24 de Agosto de 2014
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1. Em tempo de férias para a uma escassa minoria de portugueses e da ausência do local de trabalho para a grandíssima maioria (isto para os previlegiados que podem afirmar que têm emprego nesta terra de cada vez menos oportunidades), o (des)governo que tenta sem êxito gerir a crise minado por contradições que sucedem todos os dias prepara-se, de novo à boleia das negas do Constitucional, impôr a tradicional política de terra queimada que aponta sempre para as mesmas soluções; tornar pobres os mais pobres, e penalizar castigando quem trabalha em detrimento de alguns cuja inércia lhe confere posição e que, por via disso, usufruem de todos os condimentos a uma feliz vivência…

2. Enquanto isso decorre com a maior das normalidades e os portugueses esperam resignados (como quase sempre) pela rentrée que nos oferece como prenda de bom comportamento novos aumentos de impostos com mais um saque descarado ao bolso dos mais necessitados e infelizes, seria manifestamente impensável que as outras áreas navegassem em águas tranquilas, onde nos pudéssemos rever e afirmar que afinal nem tudo está no mau caminho. Infelizmente, cada vez são menos as excepções e estamos entregues à vil tristeza de ter que lutar diariamente pela sobrevivência. Uma fatalidade, aliás, recorrente…

3. Não é, portanto, caso para nos surpreendermos que numa das maiores paixões de uma grande parte dos portugueses (o futebol), o marasmo, o golpismo, os expedientes e a forma obstusa de resolver os problemas que nascem como cogumelos, haja uma evolução positiva. Não tendo havido mudança de mentalidades e alterações estruturais profundas, porque razão queríamos que assim sucedesse se a situação vigente dura há mais de trinta anos, tempo em que as novas gerações sempre viveram e não conhecem, por conseguinte, outro estado de circunstâncias? A questão que se coloca é se o panorama chegará a ser diferente e isso é uma pergunta que valeria certamente em qualquer concurso, o tradicional milhão de dólares…

4. Já estamos em plena 2.ª jornada da I Liga e depois da tardia (como é de norma acontecer) decisão de um órgão pomposamente designado de Conselho de Justiça (???!!!) que nos oferece sempre, ou quase sempre, timings inadequados de resposta sobre o que há muito já deveria ter sido decidido, temos uma Direcção da Liga em gestão corrente após ter sido aberto o caminho para novas eleições depois da validação por aquele órgão das anteriores 2 listas candidatas (Fernando Seara e Rui Alves), ainda que a conta-gotas. E, mais curioso, estranhamente ou talvez não, nada foi dito ou decidido sobre a única lista considerada válida e que se apresentou a sufrágio.

5. O lema é o mesmo de sempre: não há pressa, temos tempo, porque afinal ainda faltam 32 jornadas para chegarmos ao fim do campeonato… Essa questão da Direcção da Liga poder apenas decidir sobre aspectos de mera gestão corrente é coisa de somenos, o facto da Liga estar falida não é nada de grave porque o país e as famílias portuguesas também o estão e, não haver patrocinadores é igualmente de reduzida importância pois com a grave crise que atravessamos o investimento na publicidade está, como tudo, pela ruas da amargura… Para quê preocuparmo-nos com questões comezinhas que não contribuem para a redução do défice esse sim um verdadeiro desiderato nacional? Afinal são precisos mais sacrifícios porque estes são insuficientes dado que a dívida pública, a despeito do enorme esforço de São Bento legitimado por Belém, disparou para 134%...

6. Ao mesmo tempo que o guarda-redes da Selecção brasileira e um internacional grego aterravam na Portela sem grande alarido, o grande destaque da semana desportiva começou com Quaresma promovido de forma surpreendente a capitão. E dizemo-lo, baseados em comportamentos pretéritos, ontem, hoje, e decerto amanhã, que transmitem a certeza que o portista até morrer, pelos vistos, nem de si próprio consegue tomar conta… Oh, Paulo Bento, como foste premonitório… Mas isso, depois da atitude firme do treinador acabou num clima de semi-obscuridade, logo intensamente ofuscado pelo negócio do século que foi a chegada de Nani ao seu Sporting. Teve direito a uma intensa campanha de propaganda que até envolveu acções de populismo exacerbado com a deslocação do presidente leonino ao aeroporto, numa acção inédita e que provou, mais uma vez, que cada vez se sabe menos onde acaba o adepto e começa o presidente e vice-versa…

7. A conjuntura apresentava-se favorável; era convidado o simpático Arouca que há cerca de um ano tinha sofrido goleada. Estavam pois, reunidas as condições para o meeting e para a estreia de Nani, o que desde logo pressupunha a afluência de uma multidão a Alvalade, para aplaudir o seu regresso temporário e para reconhecer a visão de longo alcance do intrépido presidente. Para aqueles que analisam os factos com ponderação, não era contudo expectável que Nani depois de 3 treinos sem conhecer os novos companheiros, as ideias do treinador e o sistema de jogo leonino, fosse desde logo titular. Mas Marco Silva, cedendo à pressão e à emoção do momento e quiçá algo afectado com o estatuto do jogador, concedeu-lhe a titularidade e permitiu-lhe ser o novo dono da bola. De tal maneira que a hierarquia dos penalties foi suspensa e podia ter tido custos consideráveis… Na próxima jornada, com Nani mais integrado, espera-se outro rendimento…






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