Ponto Vermelho
Dificuldades (in)esperadas
25 de Agosto de 2014
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Tendo em conta a actual forma e capacidade de resposta das três principais equipas candidatas ao título, analisando em antecipação de forma ponderada e serena o grau de dificuldade dos seus jogos na 2.ª jornada, dir-se-ia que era distinto. O que, à partida, teria menos dificuldades seria o Sporting que jogava em casa onde tinha cilindrado o Arouca na temporada anterior e tinha trazido para a ribalta um dos goleadores (Montero) que tem andado desaparecido, e contava com o suplemento adicional que representava a vinda de Nani que levou o presidente (ou o adepto?) Bruno de Carvalho ao Aeroporto para a recepção da praxe, e a Alvalade milhares de adeptos leoninos ávidos de rever o filho que tinha regressado.

Mau grado Coimbra ter sido uma lição sobretudo pelas insuficiências demonstradas e que culminaram com o golo do empate da Académica no derradeiro suspiro, pareciam, pois, reunidas as condições para uma tarde memorável para os sportinguistas, dado que não é todos os dias que se assiste à actuação de um jogador com o percurso de Nani. A recente rábula protagonizada por Rojo e Slimani não eram de molde a diminuir o entusiasmo e a alegria esfuziante dos adeptos. Confirmaram-se as lacunas já detectadas e a forma como o Sporting não conseguiu ultrapassar a esperada táctica defensiva arouquense. Com Nani a ser empurrado para assumir o papel de estrela da tarde, terá sido isso que acabou por conduzir à cena do penalty que tanto falatório deu. É assunto para resolver no interior da equipa, mas é evidente que algo não esteve bem. Sobretudo por parte de Marco Silva que deveria ter intervido. Valeu o golo-salvador no último sopro porque senão…

A capital do móvel recebia o FC Porto regressado de França da primeira mão de uma eliminatória em que tem tudo para ser feliz. Alguns ainda pensaram que o facto do treinador pacense conhecer o interior portista lhe iria conferir alguma vantagem. Tal evidentemente não aconteceu porque a estrutura do plantel portista sofreu uma revolução com a entrada de jogadores que não actuavam no campeonato português, tem um técnico estrangeiro que nunca tinha treinado um clube e, porque, Paulo Fonseca parece sofrer de uma estranha apatia sempre que defronta os portistas. Como aliás já se tinha constatado no ano em que o Paços deu cartas no campeonato e se apurou para as competições europeias.

A moralização portista era evidente e o facto de já ter começado a contagem decrescente para o jogo da 2.ª mão do play-off de acesso à Champions cujo apuramento é absolutamente vital para os azuis e brancos, levou o treinador a poupar alguns jogadores com a novela Quaresma a abortar de imediato. Pelo menos para já. Foi pois um FC Porto confiante que se apresentou a um Paços algo receoso. Mas apesar do golo de Jackson perto do descanso e de ter feito descansar alguns jogadores, o que é facto é que a orquesta portista ainda não mostrou afinação e permitiu algumas veleidades a um timorato Paços de Ferreira que poderiam ter originado complicações. Ou então somos nós que estamos a ser demasiado exigentes porque estávamos a fazer fé nos elogios que a imprensa tem prodigalizado e criámos elevadas expectativas.

Que dizer do Benfica depois de uma pré-época atribulada e de um começo positivo nos jogos a doer? Depois de ultrapassado o trauma psicológico da 1.ª jornada ante um Paços curiosamente desinibido, a deslocação ao Bessa era tida, por muitos fazedores de opinião como que um marcar do ponto. Não era a nossa opinião. Porque tradicionalmente sempre o Benfica encontrou dificuldades, porque a equipa tenderia a jogar de forma aguerrida à imagem do seu treinador e porque, apesar de ter sido desvalorizado pelos encarnados, o sintético não deixaria de favorecer quem nele está mais rotinado. Não pode de nenhum modo servir de desculpa mas não deixou de ter os seus efeitos, porque por diversas vezes se observou que o esférico saltitava mais e nos passes entre jogadores encarnados a bola ou ficava curta ou saía demasiado comprida, acabando por inviabilizar as jogadas.

Com um Boavista demasiado retraído o que também não constituiu surpresa para ninguém, vieram ao de cima alguns problemas já detectados no meio-campo (que se agravaram com a lesão de Rúben Amorim) onde um Talisca a quem se reconhece potencial mas ainda verde, e no ataque onde Lima apesar de muito trabalhar parece estar demasiado solitário, falta um avançado que o acompanhe e tenha capacidade concretizadora. O que não parece ser o caso de Franco Jara. Se no meio-campo apesar da indefinição em torno de Enzo, a situação tenderá a melhorar com a chegada de Samaris, a questão do ataque parece mais complicada mas decerto será encontrada a solução. Uma palavra para a arbitragem que, tal como as equipas, parece estar no princípio de época. Sobretudo o chefe do trio que acumulou erros de julgamento (técnicos e disciplinares) com prejuízo do Benfica o que acabou por enervar os jogadores e equipa técnica que, contudo, têm que esforcar-se ainda mais para se controlarem (não é Talisca, Eliseu e Jorge Jesus?), dado que em muitos mais jogos irão ser confrontados com mais do mesmo. Vá lá, acertaram nos principais lances o que já não é mau…








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