Ponto Vermelho
Um breve olhar…
27 de Agosto de 2014
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Para quem aprecia esse exercício, é deveras interessante acompanhar a par e passo a evolução de pensamento dos inúmeros palradores que gravitam na órbita do futebol e compará-lo ao fim de algum tempo com os comentários e opiniões de um passado recente. Está há muito estabelecido que só os burros não mudam de opinião. Não por que sejam estúpidos, mas porque insistem em levar a sua teimosia até ao fim. Nos humanos existem sempre três leituras a extrair; ou porque ficam a dever algo à inteligência, ou porque a evolução dos acontecimentos ou aparecimento de novos dados os leva a alterar a opinião ou, finalmente, porque se recusam a pensar de outra forma mesmo que reconheçam estar errados…

Esta teoria poder-se-ia aplicar, mais uma vez, ao evoluir das situações e do novo panorama em que se pode e deve incluir a transição da pré-época para o momento actual. Ainda que com insuficiência de dados perante a falta de confirmação definitiva dos plantéis (sobretudo dos grandes) face à aberração de um defeso que nunca mais acaba, trazendo preocupados os dirigentes e adeptos que receiam ser surpreendidos à ùltima hora, como aliás aconteceu ao Benfica num passado recente ao levar de rajada e no derradeiro sopro, dois tiros no porta-aviões. Uma preocupação latente e de que não há muito a fazer a não ser tentar resistir e esperar que as coisas evoluam de forma favorável.

Recuemos pois um pouco sem retroceder muito. Por razões díspares e nalguns casos antagónicas, os principais candidatos ao título seguiram estratégias diferentes considerando que a realidade de cada um era muito específica. O Sporting que conseguiu, contra a maioria das expectativas, realizar uma campanha interna surpreendentemente positiva e, dado que não esteve envolvido nas competições europeias, não teve oportunidade de mostrar os seus jogadores ainda pouco afirmativos no plano internacional. Não foi muito assediado no defeso e isso permitiu-lhe manter basicamente o plantel com apenas a alteração do treinador. O Mundial projectou dois dos seus jogadores (Rojo e Slimani) e por essa razão começaram os problemas; o primeiro saiu e veremos o que acontece com o segundo. Dier que também partiu obedeceu a um contexto diferente. Era, na pré-época e aparte as megalomanias do seu presidente, para alguns, o principal candidato ao título.

O FC Porto com uma época anterior desastrosa estava entre a espada e a parede. Permitir, sem reagir com vigor, a revalidação do título pelo Benfica representaria, muito provavelmente, o fim da era dourada que se prolongou ao longo de quase 3 gerações de adeptos. Era preciso uma revolução à moda antiga pintista para alterar o estado de circunstâncias adversas e devolver aos adeptos o entusiasmo. E foi o que fez com a preciosa colaboração e ajuda de Jorge Mendes ao contratar um treinador espanhol que, com carta-branca, renovou cerca de ¾ do plantel com jogadores espanhóis com potencial às pazadas como diria o inefável Alberto do Rosário que entretanto já actualizou o termo para arrobadas… À medida que a revolução ia acontecendo, os plumitivos iam alterando a opinião, sendo que o FC Porto passou então, a ser o principal favorito ao título. Essa assumpção ainda se mantém, agora mais actualizada com o acentuar da expressão claríssimo. A factura terá juros pesadíssimos se algo correr mal, embora o primeiro grande objectivo esteja atingido…

Finalmente o campeão Benfica. Ao contrário do Sporting e até do FC Porto, a final da Liga Europa que atingiu pelo 2.º ano consecutivo trouxe, mais uma vez, os jogadores para a ribalta europeia. Não tardou por isso a cobiça a que se aliaram dois factores adicionais importantes: a necessidade de realizar encaixes importantes e a expectativa legítima dos jogadores disputarem Ligas com maior visibilidade com os correspondentes proveitos salariais. Seguiu-se a debandada com boas contrapartidas financeiras, mas a recomposição tem tardado especialmente em lugares considerados chave. Sendo que nenhum pode afirmar com segurança que até ao fecho do mercado ninguém mais sairá, é público e notório que o Benfica ainda corre riscos sérios de ver sair, pelo menos, mais uma peça que, enquanto as alternativas não se afirmarem, representam importante handicap na afirmação e produção global da equipa, agravado agora com a lesão grave de Rúben Amorim. Depois da incrível pré-época em que ficou desde logo posicionado em 3.º lugar, a opinião dos experts também se foi alterando e parece agora ocupar o 2.º lugar à condição. E isto porque há já derby no Domingo e isso poderá contribuir para nova actualização…

Mantemos que é demasiado cedo para a fundamentação de opiniões conclusivas. Não se sabe a versão final dos plantéis e isso é um factor muito importante para ajudar a perceber coordenadas fundamentais. Além de que estamos no início da época e surpresa seria se qualquer das equipas apresentasse já índices acentuados de forma. Há muitos ajustamentos a fazer e há que completar a integração dos novos jogadores e a respectiva habituação às ideias do treinador. Para além dos níveis físicos que ainda não se encontram no patamar considerado ideal. E depois, os resultados que também ajudam a fortalecer ou a fazer regredir a confiança individual e colectiva. Com todas essas condicionantes temos naturalmente curiosidade em observar daqui a uns tempos como param as modas








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