Ponto Vermelho
Falar para pouco dizer…
28 de Agosto de 2014
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O presidente federativo Fernando Gomes falou, finalmente, para fazer o balanço e para conceder justificações sobre a paupérrima participação portuguesa no Mundial do Brasil. Sem qualquer tipo de surpresa a montanha pariu um ratinho. De facto, se se percebe que seria precipitado tecer considerações no imediato, também não se entende muito bem porque levou longos dois meses para pouco ou nada justificar... Se fosse para arquitectar e introduzir alterações significativas na estrutura da Selecção compreender-se-ia, mas agora para anunciar apenas a remodelação da parte médica e manifestar intenções sobre o que há tempo tem vindo a ser debatido publicamente é demasiado curto

Já há muito se percebeu que Gomes gosta mais de passar despercebido para assim lhe ser mais fácil não se molhar quando chove com mais intensidade. A renovação antecipada do seleccionador Paulo Bento antes de partir para o Mundial foi algo precipitada, tendo em conta a forma como o apuramento de Portugal foi conseguido e às deficientes prestações que o seleccionado português produziu durante toda essa fase, pelas mesmas razões que se seguiriam em que apenas o talento individual do principal jogador sobressaiu e esteve no vértice da resolução nos dois jogos do play-off com a Suécia.

Ao ter-se decidido pela renovação e tecido os maiores encómios ao Seleccionador naquilo que foi interpretado como uma forma de transmitir confiança ao próprio e ao núcleo de jogadores seleccionados antes da partida, Gomes ficou desde logo amarrado a esse compromisso e se alguma coisa corresse mal e fossem por exemplo, nítidas e patentes as responsabilidades de Bento e este resolvesse não optar pela demissão ou até pela colocação do lugar à disposição, seria uma complicação sabendo-se como neste tipo de contratos estão sempre consagradas claúsulas indemnizatórias significativas. Além de que seria a constatação do falhanço do próprio Gomes que não ficaria assim bem na fotografia

Sobre o fracasso, inúmeras foram as explicações avançadas pelos diversos observadores e, excluíndo as daqueles que criticam de forma recorrente e abusiva e estão sempre contra seja qual for o Seleccionador que ocupe o posto, certamente muitas tiveram pertinência e fizeram um diagnóstico que se aproximou porventura da real verdade das incidências que estiveram na base do fracasso. Mas apesar de tudo, por mais dados de que dispusessem, foram feitas do lado de fora eventualmente com a recolha de alguns testemunhos em off que reflectiram meramente opiniões pessoais, logo de alguma forma distorcidas ou inquinadas.

Impunha-se por isso que de forma oficial o Presidente da FPF fizesse um balanço da nossa participação de forma atempada (pelo que o tempo intermédio da sua alocução deveria ter sido reduzido), dizendo de sua justiça e naquilo que na opinião federativa que viveu por dentro toda a sequência de acontecimentos, acabou por pesar mais no falhanço da Selecção. Sendo certo e até compreensível que nem tudo poderia ser transmitido pois isso poderia levar, logicamente, a terem que ser assumidas as consequências levando quiçá à tomada de medidas conflituantes com as decisões pouco antes tomadas…

Mas se nalguma coisa haveria consenso entre os observadores, os adeptos e a opinião pública em geral, era na constatação de que a Selecção tinha sido incompetente. Quando se falha e não acontecem circunstâncias anormais a influir, é porque não se teve a competência necessária para levar a tarefa a bom termo. Pois foi essa a palavra usada por Fernando Gomes (e mesmo assim em resposta à pergunta de um jornalista), para definir a justificação da Federação para o descalabro verificado, o que fica muito aquém daquilo que a que todos os adeptos que nutrem particular simpatia e apoiam a Selecção estavam à espera. Porque na nossa simples opinião, os males de que a Selecção padece são mais vastos e não se esgotam apenas na falta de renovação por escassez de recrutamento (o que não é rigorosamente exacto) pois a formação (e não apenas a dos principais clubes pois muitos outros há já a revelar talentos) ou na estrutura médica como se poderia inferir ao ser anunciada a remodelação da estrutura.

É bem verdade que continua a existir o handicap dos clubes, nomeadamente os principais, não estarem a integrar convenientemente os talentos que produzem. Mas, por outro lado, alguns há que se estão a mostrar nas equipas B (um mérito que tem que ser creditado ao próprio Gomes), e que poderão vir a ser úteis na renovação há já algum tempo reclamada. Contudo, não é com medidas avulso que se chega lá. É preciso que a Federação elabore e articule um plano estratégico de natureza global de todo o edifício-futebol em estreita colaboração com a Liga (caso continue no futuro…), com as Associações e os clubes que, depois de iniciado, seja acompanhado e supervisionado em full-time por forma a não sofrer desvios. Só assim, de forma estruturante se poderão notar progressos. Sendo difícil devido aos habituais interesses egoístas, é ainda assim possível…






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