Ponto Vermelho
Reflexões sobre um dérbi prematuro
29 de Agosto de 2014
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Por Bolandas

A 3.ª jornada aproxima-se a passos largos logo com um dérbi como figura máxima de cartaz. Este embate sabe-se que será precedido dos habituais comentários de circunstância na tentativa de aliviar ou acentuar a pressão dos artistas - muitos deles sem qualquer experiência em jogos desta envolvência e desta responsabilidade. O jogo surge de facto numa altura prematura e nada de transcendente certamente acontecerá por haver muito campeonato pela frente. Contudo, o efeito perverso do alargamento – quantos pontos perderão os três grandes de tão nivelada por baixo que é a nossa Liga? E que dizer do intenso tráfego de autocarros que decerto irá acontecer em várias jornadas?

Parece pois que em caso de vitória de uma das equipas o jogo alguma coisa decidirá. Mais que não seja o futuro a curto/médio prazo de cada uma delas; ora porque, sendo um dérbi, os vencedores ganharão novo elã numa altura em que ainda apresentam demasiadas debilidades; ora porque os derrotados dificilmente recuperarão o estado anímico nas próximas semanas, com a factura que isso por norma implica e a descrença que se implanta entre muitos dos seus adeptos.

Importa referir que Benfica e Sporting são duas equipas que pouco mostraram até à data, e que viram modestos Paços de Ferreira, Boavista, Académica de Coimbra e Arouca surpreendentemente a causarem-lhes enormes dificuldades. Daí a importância de uma vitória, que certamente conduzirá a equipa vencedora a um novo patamar de confiança. Será certamente um jogo diametralmente diferente do da época transacta em que a equipa de Jorge Jesus se superiorizou sobremaneira ao pior Sporting de 2013/14, até porque o Benfica é um claríssimo downgrade comparativamente à pretérita temporada, sem poder de fogo na frente e com um meio-campo sem grande entrosamento e com demasiadas indefinições, mesmo para esta altura da época.

Mantendo-se a toada e o tom exibicional das equipas nas duas primeiras jornadas, o Sporting ganhará o miolo ante um meio-campo adversário onde pontifica Talisca que terá porventura de custar pontos para sair da equipa, como aliás já sucedeu noutras ocasiões. E nesse contexto as soluções do Benfica passarão certamente pela criatividade das suas alas, socorrendo-se ainda da solidez defensiva onde Maxi, Luisão, Jardel e ainda Eliseu têm permitido que a equipa não abane ainda mais neste início de época cheio de dúvidas e de penumbra.

Com efeito, se a saída significativa de jogadores parecia ser uma inevitabilidade pela conjugação de diversos factores o que desde logo pressupunha que a equipa decrescesse de qualidade, esperava-se que por esta altura a escassos 3 dias de fechar o tão temido defeso e mesmo sem considerar eventuais saídas de última hora, perante factos ocorridos já a alguma distância, o Clube estivesse melhor apetrechado de jogadores para posições nevrálgicas como sejam aquelas que enumerei (meio-campo e ataque), pois não se me afigura que a insistência em Talisca nesta fase (ainda que revele potencial) como parceiro de Lima que parece ter suspendido o poder de fogo que o costumava caracterizar, seja a solução mais adequada. A solução Bessa com Franco Jara também se tem revelado inconsequente ainda que o argentino revele estar a fazer pela vida desde a pré-época.

Por sua vez o meio-campo era (é) outro dos sectores fortemente debilitado com a lesão prolongada de Fejsa e agora também de Rúben Amorim. Samaris acabou de chegar e pese embora apresentar credenciais, necessita do indispensável tempo de ambientação. Para além do pronto-socorro André Almeida não há muito mais por onde escolher (João Teixeira não mereceria outra oportunidade?), pelo que o céu se apresenta bastante nublado esperando que seja apenas uma situação passageira e contrarie o cepticismo que há em mim. Se porventura houver ainda mais saídas e não houver aquisições-surpresa de última hora de jogadores para entrarem directamente como titulares naquelas posições, então nada de bom prevejo.

Futebol à parte, será forçoso falar de arbitragem deste dérbi pois preconiza-se algazarra em seu redor caso a vitória não sorria aos sportinguistas, apesar de haver indicadores positivos dado ter sido nomeado pelo excelso Conselho de Arbitragem o melhor árbitro da galáxia. No entanto, dada a recorrência e a avaliar pelas duas primeiras jornadas, é fácil de identificar o padrão de Alvalade que não foge do habitual. Não faltarão por isso famílias a vir a terreiro desvalorizar o triunfo encarnado, propalando um favorecimento para naturalmente retirar contrapartidas num dos famosos ciclos infernais que por vezes nos atingem.






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