Ponto Vermelho
Ecos do clássico
14 de Janeiro de 2013
Partilhar no Facebook

Quase que tinha sido um fim-de-semana em cheio no futebol para os sportinguistas anti-benfiquistas. O Benfica não ganhou, o Sporting venceu pela segunda vez consecutiva sem sofrer golos e afastou mais a possibilidade de descer de divisão, reduziu a desvantagem para 21 pontos dos encarnados, ficou a 3 pontos da Liga Europa e está apenas a 11 da almejada possibilidade de atingir o play-off da Liga dos Campeões. Para que tudo fosse em beleza só faltou mesmo o amigo FC Porto ganhar. Pena foi que ao contrário do pretérito fim de semana em que até derrotaram o Benfica em Futsal e comemoraram efusivamente, este último tenha sido frustrante nas modalidades pois o Hóquei em Patins e o Andebol não quiseram colaborar e saíram derrotados pelo Benfica. E perder com os encarnados, seja em que modalidade for, é sinónimo de tristeza e frustração para as bandas de Alvalade. Não restam dúvidas que ver o Benfica ser derrotado é para a maioria dos sportinguistas sinal de alegria e de júbilo. É por isso que já dentro de 2 jornadas quando se realizar a 1ª da 2ª volta, estaremos curiosos para assistir à complicada opção dos sportinguistas; Por quem vão torcer? Pela derrota do Benfica que lhes será prejudicial pois isso significará que mesmo que ganhem o seu jogo não diminuirão o fosso pontual para o acesso ao play-off da Champions, ou pela vitória contra-natura dos encarnados que os beneficiará? Que terrível dilema certamente sentirão. Não queríamos estar na sua pele…

Sobre o clássico foi deveras estimulante observar o estado de desespero dos pintistas em várias vertentes; porque a despeito de tudo não conseguiram a nomeação de Pedro Proença ou outro do mesmo calibre, porque as provocações habituais para obrigar o Benfica a ripostar não tiveram eco e foram completamente ignoradas, e basicamente porque não ganharam. Terá sido certamente isso que originou o estado de espírito caótico do seu treinador e do seu presidente, para além de termos voltado a assistir a mais um show mediático do médico-treinador-dirigente-polícia-árbitro-fiscal-de-linha-delegado. Confessamos que ficámos deveras preocupados com o «estado de revolta do balneário portista». Deve ser terrivelmente frustrante constatar que desta vez não encontraram oposição e ficarem a falar sozinhos e sem os inimigos fidagais lhe ligarem peva. Será deveras difícil a um burro velho aprender línguas, mas esperamos que ao menos a sua ironia previlegiada que nunca chegou a ser fina, tenha sabido extrair as devidas ilacções. Nunca é tarde para aprender. Sobretudo para algumas pessoas…

Essa foi, digamos, a vertente mais positiva e emblemática de um clássico diversificado. Porque quanto ao jogo propriamente dito não houve verdadeiramente surpresas, ainda que os primeiros 16 minutos tenham dado azo a uma emoção incontida porque a cada investida de golo portista tivemos uma imediata reacção encarnada. Mas como não devemos ser dogmáticos, importa reconhecer a já esperada maior consistência portista no miolo, sem que contudo isso tenha correspondido a uma superioridade traduzível em oportunidades de golo. E depois a opção algo arriscada do árbitro em tentar apitar à inglesa teve como consequência o desenvolvimento da tradicional opção portista de impedir que os adversários joguem à bola, destacando-se nesse particular o ex-maçã podre João Moutinho que desmente o físico que tem e é um obstáculo a ter em conta no capítulo disciplinar. Tal como o polvo Fernando, em que conseguem impedir através de jogo faltoso sistemático a fluidez de jogo dos adversários mais poderosos e têm beneficiado da tradicional benevolência dos árbitros portugueses em relação a jogadores portistas. Por exemplo no jogo de ontem anotámos nada mais nada menos do que 8 faltas a João Moutinho nesse particular e a única coisa que surpreendeu foi o cartão amarelo só ter chegado aos 82m. Mas afinal isso é um facto normalíssimo pois não acontecia o mesmo com Bruno Alves, esse magnífico exemplo de correcção? Porque é que deveríamos de estar admirados? Não é isto o futebol portoguês?

Quem não tivesse presenciado o jogo de ontem e hoje reparasse na imprensa e lesse os inflamados bitaites portistas e dos seus apêndices, ficaria com a sensação que os azuis e brancos tinham sido altamente prejudicados. Nada mais falso. Uma análise séria e consequente daria como resultado que os prejuízos foram praticamente salomónicos e se eventualmente Matic poderia ter visto o 2º amarelo e Maxi Pereira um cartão de outra cor (apreciámos o desempenho teatral de Moutinho similar a outras ocasiões), a verdade efectiva é que Mangala numa entrada arrepiante, Fernando pela repetição e o próprio Moutinho que foi o campeão das faltas, enfileiraram na lógica dos que defenderam que os dois benfiquistas deveriam ter sido expulsos. Não é preciso muito, mas um pouco de coerência não ficaria mesmo nada mal a esses justiceiros de camisolas que medem e julgam as faltas em função da cor das ditas. Mas como vimos tudo isso é passível das mais variadas interpretações e todos sabemos o que a casa gasta. Justamente por isso, é de aguardar pelos desenvolvimentos futuros imediatos e continuar vigilantes porque tudo isso já foi ontem












Bookmark and Share