Ponto Vermelho
Surpresas e confirmações
1 de Setembro de 2014
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A primeira surpresa do jogo de ontem à noite na Luz foi que, contrariamente às expectativas, revelou um derby quase sempre bem jogado e de luta intensa durante os noventa e três minutos que durou o prélio. E, também à revelia do que muitos pensaram, sem grandes queixas ou reclamações da arbitragem por parte dos responsáveis e jogadores leoninos. Não sabemos até que ponto o empate teve influência decisiva no seu estado de espírito, mas empatar na Luz depois de épocas consecutivas a ser desfeiteado moderou e deu um novo alento ao leão que assim pode continuar a alimentar a previsão de alguns, a começar pelo seu presidente, de que o Sporting é um real candidato do título.

Como é normal, antes do jogo várias considerações foram avançadas sobre qual o clube que iria estar mais pressionado, dividindo-se as opiniões; para uns era o Benfica porque jogava no seu reduto e tinha de ganhar para não perder de vista os da frente e em simultâneo alargar o fosso para os eternos rivais mas, para outros, era o Sporting devido ao facto de já ter deixado dois pontos em Coimbra e correr o risco de ficar a 5 dos outros dois grandes. A nossa opinião estava mais em consonância com a destes últimos, sem contudo deixar de reconhecer que este derby prematuro não iria resolver coisa nenhuma pois estamos no início, mesmo sabendo como as primeiras 10 jornadas podem ser decisivas…

Com o risco das saídas a pairar sobre a cabeça de jogadores das duas equipas, havia alguma expectativa sobre a forma como se iriam comportar os envolvidos, levando em linha de conta que situações deste tipo pesam sempre sobre o íntimo dos jogadores que se poderiam apresentar desconcentrados e a serem mais comedidos nas abordagens aos lances sobretudo os mais rasgadinhos para evitarem qualquer lesão inoportuna de última hora que inviabilizasse a transferência. Dos que estavam mais na berlinda, Enzo (em particular este) e Gaitán por parte do Benfica e William Carvalho e Slimani do lado do Sporting, nada se notou (antes pelo contrário), sendo que no caso de Enzo e Slimani apenas se observou na parte final do desafio que a sua condição física não dava para os noventa minutos.

Começou melhor o Benfica e a materialização desse ascendente chegou bem cedo mal tinham passado 11 minutos. Pela forma como o jogo estava a decorrer até então, pensou-se que se iria repetir o mesmo que já tinha acontecido nas temporadas mais recentes. Houve depois, naturalmente, reacção leonina ainda que sem grande expressão, até que a imprevisibilidade do futebol deu outra tonalidade ao desafio. O guarda-redes encarnado que desde o início do desafio vinha demonstrando alguma intranquilidade e nervosismo (dizem os sábios devido à presença de Júlio César no banco), resolveu presentear o Sporting com o golo do empate. Um acontecimento súbito mas, vendo bem, não totalmente inesperado.

O golo do empate que o Sporting pouco tinha feito por merecer, ou se quisermos a forma algo caricata como aconteceu teve o condão de desferir um rude golpe anímico na equipa encarnada acabando por a enervar. Sentindo isso o Sporting aproveitou a oportunidade para se libertar dos traumas passados e causar perigo na defensiva benfiquista que passou a estar intranquila, uma situação que se propagou às bancadas. Até ao intervalo foi do Sporting o domínio do jogo, ficando-se na expectativa sobre qual o efeito que o descanso iria ter nas duas equipas, esperando-se um Benfica já liberto da situação de infortúnio do seu guarda-redes.

Foi isso precisamente que aconteceu. Durante os primeiros vinte minutos após o recomeço, o Benfica através de um futebol pressionante e enleante com Gaitán em grande plano foi criando oportunidades atrás de oportunidades, mas umas vezes por deficiente finalização outras por mérito do guarda-redes leonino, o golo não voltou a acontecer para desespero dos jogadores e do imenso público benfiquista que enchia as bancadas da Luz. Terá sido um pouco isso que acabou por afectar os jogadores encarnados que à medida que o tempo decorria foram desacreditando e dando mostras de algum cansaço perante um Jorge Jesus que não estava virado para o campo das substituições, o que levou de novo os sábios a considerarem que ele não confiava no banco. Terá então passado por muitas cabeças a velha tese de quem não marca sofre e isso esteve prestes a acontecer nos derradeiros instantes. Por ironia do destino havia de ser Artur a fonte de compensação

Por nos ter sido concedida a honra de ter no jogo o melhor e mais completo árbitro da galáxia estão para ele reservadas as últimas palavras. Foi um jogo fácil de dirigir, sem casos relevantes a assinalar onde os jogadores não criaram dificuldades. Logo temos que o avaliar em função do grau de dificuldade que foi mínimo, onde, apesar de toda a conjuntura favorável não se esperaria que pudesse ser perfeito. Ainda assim e porque continuamos a defender que algo o afecta sempre que apita um jogo do Benfica, várias foram as situações em que falhou sobretudo no campo disciplinar com prejuízo encarnado ainda que desta vez não tenha tido influência no resultado. Tendo em conta o grau de complexidade que se lhe deparou podia e devia ter feito melhor. Ou será que alguma coisa o inibiu?

PS: - Regressaram de férias os bombistas. Para a Liga é sempre a somar…






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