Ponto Vermelho
Alívio temporário
2 de Setembro de 2014
Partilhar no Facebook

Eram grandes as expectativas sobre o dia (e noite) de ontem pois correspondia ao derradeiro esforço de várias equipas; umas para tentarem contratar jogadores em última hora aproveitando situações de mercado favoráveis, outras para tentarem resistir às investidas de compradores de pechinchas ou em desespero de causa. Claro que os grandes potentados desportivos não sofrem quase nunca dessa angústia e por norma estão sempre em condições de tratarem do assunto a tempo e horas embora, como já se viu, sem desdenhar de eventuais negócios que se apresentem como muito favoráveis nos últimos ataques, aproveitando a vulberabilidade financeira dos menos apetrechados.

É certo que nas últimas horas antes do fecho já havia algumas certezas mas mesmo assim só quando o mercado encerrou temporariamente até Janeiro houve a confirmação daquilo que já andava no ar. Temos então que todos aqueles que eram apontados como alvos e candidatos à saída (Jackson Martínez, William Carvalho, Slimani, Enzo Pérez e Nico Gaitán) continuam com os mesmos emblemas ao peito, ainda que não exactamente pelas mesmíssimas razões. Há que reconhecer que a gestão das respectivas SAD’s em tratar de tema tão melindroso foi meritória, com discrição e prudência através da sensibilização dos jogadores e, naturalmente, com a revisão das respectivas condições remuneratórias como prémio de fidelização, a par de outros pormenores interessantes a ajuntar.

No FC Porto, Jackson Martínez para além do resto, viu ser-lhe outorgada a braçadeira de capitão em detrimento de Ricardo Quaresma que numa decisão estranha e a contrariar toda a lógica, a SAD portista tinha promovido momentaneamente àquele posto, uma situação que ninguém percebeu mas rapidamente foi revogada sem grande alarido. É, sem sombra de dúvida, um dos candidatos a sair no próximo defeso de Janeiro. Entretanto foram paletes de aquisições que vieram encarecer e de que maneira a folha salarial portista. Se as coisas derem para o torto é previsível que venham a acontecer diversos problemas de liquidez no reino portista, daí que a próxima janela de transferências já se perfile no horizonte…

Em relação ao nosso vizinho Sporting, a questão da cobiça teve algumas nuances que derivam do empolamento que a entourage leonina fez questão de passar para a opinião pública. Parecia haver, de facto, interesse de Inglaterra em William Carvalho mas as sondagens dos clubes, de qualquer deles, estava muito longe dos valores líricos e astronómicos da cláusula rescisória com que é norma Alvalade blindar os seus elementos como se fossem os melhores do Mundo. Por Slimani terá havido igualmente algum interesse mas que não passou disso mesmo. Logo, não foi necessário fazer grande esforço para os manter com as evidentes contrapartidas. Sendo valores com possibilidades de mercado futuras sobretudo se a campanha europeia os conseguir potenciar, em Janeiro, se calhar, voltar-se-á a ouvir falar deles…

Por último o Benfica que viu partir muitos titulares. Como tem acontecido nos últimos anos, várias contratações sucederam-se mas parece ter havido mudança de paradigma; os novos elementos adquiridos, salvo excepções, não se destinavam a reforçar a equipa mas sim para fazerem parte do plantel. Isto alguns, porque outros houve que depois de três ou quatro treinos e porque porventura não se adaptaram às ideias de jogo de Jorge Jesus sobretudo quando a equipa não tinha a bola, logo receberam guia de marcha por empréstimo ou despachados definitivamente para outros clubes.

Talvez tenha sido por isso que houve atraso nas contratações para posições nevrálgicas onde a equipa estava carenciada, sendo que a linha média e a baliza foram preenchidas já com o campeonato em andamento e o tal avançado com características diferentes tão publicitado por Jorge Jesus acabou por não chegar o que, visto do ponto de vista do balneário, constituiu certamente uma grande achega para a moralização dos outros pretendentes ao lugar. Mais Enzo e menos Gaitán acabaram por não partir e viram reforçado o seu estatuto, mas parece ser inegável que em Janeiro poderá, de novo, a questão vir à baila, sobretudo no tocante ao primeiro. Há, evidentemente também a possibilidade de reforçar a linha da frente, esperando-se que nessa altura não seja já demasiado tarde. Mas, mesmo que seja, terá a oportunidade de enquadrar-se na equipa e aprender em 6 meses o que alguns levam 3 a 4 anos a conseguir. Isto partindo do princípio que por lá continuam o que é cada vez mais difícil…








Bookmark and Share