Ponto Vermelho
Ódio & corrupção-IV
5 de Setembro de 2014
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Por EagleView

Depois de concluído o capítulo sobre a tremenda influência de José Maria Pedroto em princípios da década de oitenta e da forma de interacção posterior com Pinto da Costa (PC), regresso para abordar uma outra figura importantíssima no xadrez e que, sobretudo em toda a parte da implantação e consolidação da estratégia pintista foi de uma eficácia decisiva no fornecimento de meios que rasgaram caminhos e horizontes a PC. Refiro-me a Reinaldo Teles (RT) um homem discreto e quase sempre fora dos holofotes da imprensa mas sempre presente e a quem PC muito deve.

PC sempre se apoiou em RT. Chegou a dizer, por mais de uma vez, que só confiava em RT e no seu cão. Foi durante muitos anos o braço direito de PC, ou o homem-sombra, que sempre tentou escapar ao mediatismo. RT sempre foi uma das figuras mais discretas das sucessivas Direcções do FC Porto presididas por PC. Raríssimas têm sido as entrevistas concedidas, como muito escassas têm sido as suas declarações à Imprensa. Sempre que fala diz o básico, para não falar de mais. Contrastando com a sua eficácia na ajuda a PC, RT sempre pareceu ter algum receio das palavras o que permite várias interpretações.

A exemplo de muitos outros, RT nasceu pobre e foi trabalhar para a tasca de um tio. Esteve sempre ligado a casas de alterne. Não hesitou em usar a violência e a corrupção para vencer no seu objectivo de vida. Foi acusado de crimes de burla e alvo de penhoras (por dívidas de jogo). Tudo sobre este campeão de boxe que... negociou a vitória e conseguiu um falso KO. Estranho, porque RT nunca foi um homem de medos. Caso contrário não teria sido empresário da noite, proxeneta, segurança, chefe de capangas e... campeão de boxe. Desempenhou magnificamente o papel de braço direito de PC e de homem-sombra, sempre afastado do barulho das luzes. Mas, apesar de tudo, RT não conseguiu escapar ao mediatismo. As penhoras por dívidas de 300 mil euros ao Casino de Espinho e as acusações de fraude ao Fisco colocaram o seu nome, repetidas vezes, nas capas dos jornais. As prostitutas escondidas numa arca de uma boîte, constituiram um dos episódios mediáticos que o atingiram.

A chegada de Reinaldo Teles ao FC Porto dá-se na liderança de Américo de Sá, que encontrou neste campeão de boxe o perfil ideal para segurar as então sempre agitadas assembleias do clube. Reinaldo Teles era treinador de boxe e juntou os seus rapazes para impor a lei do mais forte, nessas reuniões magnas. Escreve Marinho Neves, no livro "Golpe de Estádio", que, "nessa altura, Pinto da Costa temia-o, porque não era um brigão vulgar e muito menos um marginal estúpido e incompetente". Reinaldo Teles, dava as ordens para descascar à fartazana e depois surgia como o apaziguador, o bom rapaz que nada tinha a ver com toda aquela violência". Sempre esteve perto da luta entre homens da noite, de prostitutas e marginais, quando serviu na tasca do tio. Assistiu a cenas de pancadaria e associou essas imagens ao seu instinto violento".

Prossegue Marinho Neves: "Queria ser tão mau como os vilões, tratar as mulheres com o poder da força, como se estivesse na arena de combate. Deu uma tareia a um chulo por causa de uma das suas prostitutas, com quem perdeu a virgindade. Os dois estavam apaixonados. A prostituta gostava do miúdo, mas para ficar com ele tinha de pensar numa forma de o proteger", escreve Marinho Neves. "Reinaldo estava cercado e precisava de ganhar poder para se defender e ser mais forte que os fortes – um pouco à semelhança do que aconteceu com o FC Porto. Conheceu um treinador de boxe do Porto e começou a treinar... A partir daí, quando as coisas aqueciam na tasca do seu tio, Teles fazia uns treinos-extra, passando a ser conhecido e respeitado. Depois de fechar a tasca, aproveitava a boleia de um amigo e ia ter com a sua amada prostituta, que atacava em Santos Pousada", conta Marinho Neves. "O boxe retirou Reinaldo Teles da tasca. Dedicou-se a esta 'arte' e somou o título de campeão. Estava a um pequeno passo dos bares de alterne, onde viria a ser segurança e proprietário. No meio de prostitutas, viria a casar-se com uma delas".

O primeiro acto de corrupção, segundo Marinho Neves, foi praticado na final que lhe viria a dar o título de campeão de boxe. Teles queria ganhar para impor respeito num mundo sem lei: as casas de alterne. "O seu adversário era poderoso. Teles, sempre inclinado para negócios marginais, colocou em prática um plano diabólico. Ele sabia que no boxe profissional a corrupção era prática constante. Contactou o adversário, negociou a vitória no terceiro round e um KO mal disfarçado deu-lhe a oportunidade de saltar no ringue elevando as luvas em sinal de vitória. A lei e o fair-play nunca fizeram escola no portfólio de valores do actual vice-presidente do FC Porto. A violência, a prostituição, a corrupção, o conflito e hábitos deploráveis sempre constaram do seu subconsciente". (…)








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