Ponto Vermelho
Ódio & Corrupção-V
6 de Setembro de 2014
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Por EagleView

Reinaldo Teles era claramente um polivalente e dominava várias áreas. Viciado em jogo, enfrentou várias tentativas de cura. Como já referido, chegou a acumular uma dívida de 300 mil euros ao Casino de Espinho, o que lhe custou uma acção em tribunal. Este caso originou uma penhora."A dívida de Reinaldo Teles à Solverde, empresa concessionária do Casino de Espinho, é de 297.700 euros mais juros de mora. O assunto é melindroso nos meios portistas. Contactada pelo DN, a SAD do Futebol Clube do Porto, através de um assessor, disse 'não ter comentários a fazer para já', mas admitiu 'reagir mais tarde'", escreveu o DN. Também o 'Jornal de Notícias' deu destaque a outra faceta do dirigente portista: o homem envolvido em fraude fiscal. "Reinaldo Teles foi acusado pelo Ministério Público por dois crimes de fraude fiscal, na qualidade de proprietário de uma construtora da Maia. Acusado foi também António Araújo, empresário de jogadores envolvido no caso Apito Dourado".

Esteve também envolvido numa rusga à casa de alterne 'Taverna do Infante'. A PSP encontrou nove brasileiras escondidas "em locais tão estranhos como uma arca congeladora", escreveu o "24 Horas online". "Estavam todas em situação ilegal no País e cinco foram detidas. A operação da PSP e do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) visitou de surpresa duas boîtes, mas foi na famosa 'Taverna do Infante', na Ribeira do Porto, que encontrou maior resistência. O dirigente portista estava presente e terá mesmo assumido uma postura de responsável pela casa", acrescenta. "E este é um curto filme da vida de Reinaldo. Um homem que nasceu sem nada e que enriqueceu com processos obscuros, no mundo da noite. Este é o homem em quem Pinto da Costa confia..."

Já muito antes de rebentar o Apito Dourado se ouvia falar de orgias de prostitutas com árbitros e outras pessoas. Até na II divisão isso acontecia e quem conheça pessoalmente alguém ligado à arbitragem facilmente perceberá do que estou a falar. Marinho Neves também já havia falado dessa realidade, muitos anos antes de António Araújo entrar no mundo do futebol e de se ouvir falar em Apito Dourado. O envolvimento com prostitutas é uma forma de pressão extremamente eficaz. Se por um lado premeia e vicia, por outro permite sempre chantagear, mantendo nas mãos, quais marionetas, quem por uma vez cai nessa rede, nomeadamente através de câmaras de filmar ocultas. Estando muitas das casas de alterne da zona do grande Porto ligadas a Reinaldo Teles, é fácil perceber as potencialidades deste esquema.

No dia 19 de Maio de 2004, o inspector António Gomes acompanhado pelos inspectores Jorge Melo, Casimiro Simões e Nuno Pinto e pela inspectora estagiária Sandra Rodrigues, deslocou-se à Residencial Cativo, sita na Rua do Cativo, Porto, para obterem informações junto das cidadãs brasileiras, Cláudia Cristiane e Maria Fabiana, de forma a confirmar os encontros de cariz sexual cujas suspeitas haviam sido levantadas pelas conversações escutadas. É preciso ainda acrescentar, entretanto que, considerados pelos investigadores como suspeitos de "corrupção activa e corrupção desportiva", a lista de suspeitos a ser escutados pela Polícia Judiciária alargara-se a Jorge Nuno Pinto da Costa, presidente do FC Porto, António Araújo, empresário com fortes ligações ao presidente portista e a Jacinto Paixão, árbitro de futebol.

A diligência dos inspectores citados conduziu-os a Coimbra onde residia uma outra cidadã brasileira, conhecida das inicialmente interrogadas, e que poderia ter mais informações sobre os factos em apreço. Assim foi possível obter declarações de Hannah Danielle Matias do Nascimento, conhecida por Dane. Afirmou Dane que, numa determinada noite de Janeiro, na casa de banho de um quarto do Hotel Meridien, na cidade do Porto, tinha tido relações sexuais com um árbitro que lhe disse que havia acabado de dirigir um jogo do FC Porto. Esse encontro de cariz sexual, afirmou Dane, foi combinado e pago pelo seu amigo António Araújo. O valor pago, segundo Dane, foi de 130 Euros. Disse ainda Dane aos inspectores da Polícia Judiciária que nessa mesma noite, no mesmo local, tinham ocorrido mais dois encontros de carácter sexual entre duas colegas suas, de nome Gabi e Patrícia, e dois homens indicados por António Araújo.

A cidadã brasileira de nome Claúdia contactou então a referida Patrícia que se prontificou a encontrar-se mais tarde, já no Porto, com os inspectores, o que veio a acontecer. Patrícia identificou-se como Celina Santos Fonseca, igualmente cidadã brasileira, sendo Patrícia o seu nome profissional. Confirmou Patrícia as declarações de Dane, acrescentando que mantivera relações sexuais com um árbitro de nome Paixão e que o encontro entre ambos tinha igualmente sido promovido e pago por António Araújo. Perante a exibição que lhe foi feita de diversas fotografias de árbitros e árbitros assistentes portugueses no activo, Dane viria a reconhecer o árbitro assistente Manuel Quadrado como o amigo de António Araújo com o qual manteve relações sexuais.

Posteriormente, Cláudia Cristiana de Oliveira Gomes viria a prestar declarações nas quais confirmou ter conhecido António Araújo em Maceió, Brasil, tendo-lhe este sido apresentado por João Feijó, conhecido naquela cidade por ser presidente do clube Corinthians Alagoano. Por sua vez, Celina Santos Fonseca, conhecida por Patrícia no seu meio profissional, seria interrogada no dia 19 de Maio de 2004 e, perante a exibição das fotografias, reconheceu o árbitro Jacinto Paixão como o homem que com ela mantivera relações sexuais no Hotel Meridien." (…)






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