Ponto Vermelho
Assim vai o futebol…
10 de Setembro de 2014
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Sendo um problema de sempre que tem atravessado todas as gerações, talvez nunca como agora se esteja a assistir de uma forma tão nítida à sobreposição de interesses de pessoas e entidades que pouco ou nada têm a ver com o futebol mas que descobriram nele um novo filão inesgotável a explorar, em que o vale tudo é a questão nuclear que desperta apetites inconfessáveis que sobrelevam tudo o mais. Tudo isto acontece perante a atitude de apatia das grandes instâncias que regem o futebol da nossa época. Nunca como nos tempos actuais foi tão grande e descarada a caça ao negócio duvidoso e mesmo ilegítimo, que tem vindo a comportar todo o tipo de expedientes para atingir os fins em vista – os lucros desmedidos – de toda a casta de oportunistas que gravitam na órbita do futebol. É mesmo o que está a dar… até se esgotar como outros de igual jaez.

Para salvar as aparências e para que não se diga que as entidades responsáveis não estão atentas e não pugnam pela legalidade e verdade desportiva, de vez em quando vão saindo medidas avulsas e inconsequentes que mais não são do que tentar tapar o sol com uma peneira. De facto, para os detentores do poder que pretendem conservá-lo e prolongá-lo a todo o custo, convém dar mostras de algum dinamismo para que os papalvos crentes que são todos os contribuintes do futebol (directos e indirectos) vão deixando passar esse dolce far niente, deixando no ar a convicção e a esperança de que as coisas vão mudar para melhor num futuro próximo. Elas vão mudando é uma realidade, mas sempre na direcção desejada pelos detentores do poder ainda que por vezes pareça transmitir a falsa ilusão do contrário.

O ex-coronel Joseph Blatter que está à frente da FIFA desde 1998 e que pelos vistos pretende seguir as pisadas de João Havelange (com quem certamente aprendeu as técnicas da longevidade e da conservação do poder), já anunciou a sua candidatura ao próximo mandato e por este andar tenderá a eternizar-se no poder tal como aconteceu com o seu antecessor. Entretanto, sucedem-se as decisões estapafúrdias como por exemplo a já tão sublinhada atribuição do Mundial ao Qatar, um país que para além de não ter história e tradições no futebol, está muito longe de reunir as condições ideais para albergar um acontecimento da natureza e dimensão de um Campeonato do Mundo. Tudo à luz de interesses que têm a ver com a sua manutenção no cadeirão da presidência do organismo.

Provada que foi a inexistência de condições minimamente aceitáveis nas datas anunciadas devido às condições climatéricas adversas que elevam os padrões de temperatura no Verão a situações insuportáveis para a disputa de jogos de futebol da competição, a nova nuance proposta aponta para o Inverno, pasme-se! Como tal não configura uma decisão do bom senso e parece ser de difícil exequibilidade, a questão motivou de pronto reacções de condenação a começar pela Associação de Ligas Europeias. Vamos ver como isto vai acabar e se não aparecerá nova proposta das mentes iluminadas de Zurique para parar os campeonatos em todo o Mundo para satisfazer os compromissos assumidos em má hora por Blatter.

Entretanto, numa outra vertente, prossegue a tentativa de diabolização dos Fundos de Investimento de Jogadores. Uma hipocrisia sem limites, porquanto só há pouco tempo as cabecinhas pensadoras parecem ter dado pela sua existência quando há muito que eles existem e em todos os sectores de actividade e não só no futebol. Há Fundos bons e Fundos maus? É uma realidade. Precisam de regulação e de ser enquadrados nas leis vigentes que permitam que as suas actividades sejam fiscalizadas e controladas? Evidentemente que sim. Mas já que estão tão preocupados, é uma boa altura para resolverem a questão na sua globalidade e não apenas parcialmente para fingir que estão atentos e agem em conformidade. O universo do futebol é vasto e complexo e as receitas (sobretudo as dos direitos televisivos – um dos grandes objectivos da FIFA e da UEFA –) só aumentarão se houver mais e melhor competição e para isso torna-se necessário e indispensável que para além dos clubes milionários que tudo compram recorrendo aos milhões que lhes são proporcionados muitas vezes sem se saber a sua proveniência, existam os outros clubes para poder haver provas e competição…










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