Ponto Vermelho
Agitação - Parte II
15 de Janeiro de 2013
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A poderosa máquina do Sistema já tinha dado indícios que se sentia incomodada, pois já era tempo de ter acontecido algo de decisivo que deixasse o FC Porto mais tranquilo no que toca ao campeonato, pois as energias são bem necessárias para que a concentração se comece a transferir em regime de quase exclusividade para a Liga dos Campeões onde os portistas e os que lhe são próximos, apostam as fichas de valor mais elevado. Como entretanto e contrariamente ao previsto o Benfica não descolou, importa começar a desenvolver aquelas teias e expedientes que parecendo aos olhos da opinião pública pormenores sem a menor importância, são afinal poderosos instrumentos que acabam, nas alturas certas, por fazer toda a diferença e contribuir decisivamente para alcançar os objectivos em mente.

O adiamento nunca bem explicado do jogo de Setúbal foi apenas um simples detalhe nessa estratégia. Bem como a oportuna transferência do goleador Meyong que assim já não defrontará os dragões no dia 23 (noite em que apenas são previstos aguaceiros que esperamos sejam pouco frequentes e de reduzida intensidade). E, já agora, a inocente confissão do presidente-amigo Fernando Oliveira em como o seu homólogo portista tinha, aquando do recente jogo dos setubalenses no Dragão, mostrado interesse em contratar Meyong… Tudo notas soltas ou pequenas peças se quisermos, de um puzzle laboriosamente construído época após época com os resultados que tão bem se conhecem. É, saibamos reconhecê-lo, uma estratégia bem urdida e que passa facilmente despercebida. O que é duplamente vantajoso.

Falhada a nomeação de um apitador controlado, entrou em acção o plano B que seria sempre levado à prática mesmo que porventura o FC Porto tivesse vencido na Luz. A questão centrava-se apenas em haver mais ou menos argumentos para desenvolver esse plano. Como só excepcionalmente haverá um derby ou um clássico sem polémica, as possibilidades de êxito estavam desde logo asseguradas, até porque, como os lacaios e freteiros ao serviço dos azuis e brancos nos fizeram questão de recordar, João Ferreira tinha sido o 4º árbitro e testemunha presencial dos incidentes ocorridos no túnel após o célebre jogo de 20 de Dezembro de 2009 e responsável pela elaboração do relatório que acabou por castigar a dupla Hulk & Sapunaru por comprovadamente terem praticado Karaté quando o jogo de futebol já tinha terminado…

O critério do deixar jogar até ao limite que João Ferreira adoptou veio dar azo a um conjunto de entradas mais duras, sabendo nós que por norma os jogadores do FC Porto estão habituados a gozarem de quase total impunidade nos relvados portugueses. E, é dos livros, uma reacção provoca sempre uma contra-reacção e isso pode levar a caminhos que descambem em acções lesivas do próprio futebol. Deveria Maxi Pereira ter recebido o vermelho em vez do amarelo? Aceita-se. Deveria Matic ter sido contemplado com o 2º amarelo? Também se aceita. Mas… e os outros? Que dizer de João Moutinho «uma máquina de faltas» e que foi responsável por 40% das infracções portistas? De Fernando que dada a posição que ocupa no terreno tem tendência para ser faltoso? E de Mangala que teve uma entrada para esquecer?

Não deixa de ser curioso observar que a equipa do Benfica, mesmo quanto tem uma percentagem de posse de bola superior a 60%, é sempre mais penalizada que o adversário. Ora no jogo de Domingo a posse foi equivalente para as duas equipas, mas tendo o FC Porto maior controle durante certas partes do desafio, foi o Benfica que cometeu menos faltas (16 contra 20). No entanto, a amostragem de cartões deu uma clara vantagem para os portistas (3 a 1). Seria pois exigível que os diversos opinadores se debruçassem sobre os dados factuais que são reais e tivessem comentado sensatamente essas incidências. Todavia, se vários de facto o fizeram demonstrando independência de análise, uma boa parte não conseguiu a tempo livrar-se da camisola, e juntou-se ao expectável coro da estrutura que, como é óbvio não perde nenhuma oportunidade para fazer prevalecer os seus interesses. Presentes e essencialmente futuros…

Nesse contexto e apesar da tradicional propensão para o disparate gratuito, foi deveras interessante constatar que o tão vilipendiado (pelos próprios apaniguados portistas) Vítor Pereira, apesar de ter feito uma exibição totalmente contrária à sua personalidade apagada (certamente picado pela estrutura de sonho), foi fortemente elogiado pelo seu discurso e atitudes trauliteiras, o que prova sem a menor dúvida, que muitos dos portistas se revêem nesses comportamentos e outros que não o sendo, aceitam-nos como normais. Como aliás já se sabia há muito. Acresce que felizmente, mau grado algumas tentativas nesse sentido, todas as informações recolhidas apontam para uma saudável correcção, o que devendo ser sempre a normalidade, na maior parte das vezes não tem sido. Viu-se como alguns ficaram desiludidos…

Teremos pois, com base no último jogo, toda a estrutura portista e as suas extensões na comunicação social a lutar denodadamente para demonstrar que o Benfica foi amplamente beneficiado no jogo da Luz e assim tentarem desfazer a tese propalada pelas hostes benfiquistas (desde a estrutura aos adeptos) em como o benefício é sempre do FC Porto. Foi o rambório do túnel durante meses a fio e agora será certamente a arbitragem da Luz e que impediu os portistas de chegarem à vitória… Mas, muito mais importante que essa música roufenha será sem dúvida a estratégia de tentar condicionar as arbitragens quer em futuros jogos do Benfica quer nos dos FC Porto pela inversa. Está a chegar o pico do terrível ciclo de Janeiro e todo o cuidado é pouco. Até porque se aproxima a passos largos a próxima eliminatória da Liga dos Campeões e apesar de Málaga estar em queda, os portistas precisam de descansar em relação ao campeonato…






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