Ponto Vermelho
Ódio & corrupção-VI
11 de Setembro de 2014
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Por EagleView

Revivendo o passado já distante mas que influenciou decisivamente sucessivas épocas do futebol português até ao presente, para encerrar o capítulo "Reinaldo" (embora muito mais houvesse a dizer sobre o assunto), prossigo com dados que foram apurados na altura pelas equipas de investigação e que foram objecto de divulgação pública pelos media nomeadamente pelo já extinto semanário "Independente" que os foi dando à estampa.

Prosseguindo, Reinaldo Teles esteve envolvido em lavagem de dinheiro e António Oliveira na compra de árbitros. Fernando Marques presidente do CA da AF Porto e Castanheira Gonçalves presidente do Desportivo de Chaves declararam à PJ (inquérito nº 4781/93.8, na 9.ª Secção do DIAP) no processo que o "Independente" consultou com autorização do Delegado do Procurador da República, conhecido por "processo Guímaro". Basta ver em I Volume, folhas 55-57. Apesar de negaram ao "Independente" por "receio de represálias", os seus depoimentos estão lá.

Na ocasião, Fernando Marques afirmou que "teve conhecimento que Reinaldo Teles várias vezes trocou dinheiro em Casinos com o objectivo de lavar dinheiro". A práctica de branqueamento de capitais, era então um crime punido com 4-12 anos de prisão. Antes do encontro Benfica-FC Porto (época 93/94) terá trocado no Casino Estoril a quantia de 5.000 contos (25.000€) por 3 cheques. Isto ficou comprovado pelas fotocópias em jornais em relação a declarações de 3 árbitros e 2 dirigentes, um dos quais Fernando Marques. Este confirmou também que "José Guímaro e Marques da Silva eram árbitros corruptos".

No que se refere a Castanheira Gonçalves, confirmou a Taverna do Infante e o Restaurante Antunes, na Rua da Alfândega, como "locais onde se realizavam reuniões para comprar árbitros e fabricar resultados". Referiu ainda o nome de António Oliveira (treinador do Braga em 92-94) como sendo um dos envolvidos no "negócio" da arbitragem e habitual frequentador daqueles locais. A Taverna do Infante era uma discoteca propriedade de Teles & Pinheiro Lda., constituida em Agosto de 1983 por Reinaldo Teles e Maria de Lurdes Pinheiro. O Restaurante Antunes era propriedade de Cerqueira & Rodrigues Lda, cunhado e irmã de Reinaldo Teles. (Tudo em famiglia portanto). Em conversas interceptadas pela PJ no mesmo inquérito, ouve-se Reinaldo Teles a interceder junto de membros do CA para ajudar um árbitro amigo. Pelo meio surgem António Garrido, Adriano Pinto (ambos já falecidos) e Jorge Gomes assessor do departamento de futebol do Porto. Ouve-se também Marques da Silva a pedir ajuda a Reinaldo Teles e António Garrido preocupado com a sua despromoção à 2.ª categoria.

Quando Marques da Silva pergunta desesperado se já falou com o "engenheiro" (Raul Rocha, vice-presidente do Conselho de Arbitragem da FPF) Reinaldo responde que Garrido já tinha falado. Reinaldo diz que vai estar com o Joaquim Oliveira nesse fim de semana e que este "já deu cabo da cabeça do Engenheiro". E diz mais; "O Raul Rocha tem estado porreiro connosco, eu depois explico". No mesmo inquérito, refere-se que Laureano Gonçalves presidente do Conselho de Arbitragem, "corrompe árbitros de futebol, pagou aos árbitros dos jogos Porto-Chaves e Chaves-Porto para eles marcarem “penalty contra o Chaves por 2 vezes". José Guímaro apitou o Porto-Chaves (6/12/92) e Marques da Silva o Chaves-Porto em 16/05/93.

Atentemos agora nas denúncias feitas por um jornalista do jornal "O Jogo" do Porto:
«Reinaldo Teles passou as casas de alterne para o nome de um tipo que ainda não sabemos o nome, porque dá muito nas vistas visto que o "Granada", "Calor da Noite", "Diamante Negro", entre outros, que eram os mais frequentados na altura, eram onde se faziam algumas das transações de droga. O próprio Reinaldo Teles foi apanhado em frente à Alfândega do Porto, num Mercedes cheio de droga, mas muito agente "comeu" à custa disso e nunca se soube de nada, até um jornalista do "Público" ter uma "prenda" do Reinaldo Teles quando descobriu a história».

No tocante à Olivedesportos, quando o Benfica quebrou o contracto, depois de Vale e Azevedo se tornar presidente, Guilherme Aguiar, Pinto da Costa, Manuel Tavares (editor do jornal "O Jogo"), Ronaldo Oliveira (filho de Oliveira), António Oliveira (ex-treinador do Porto) e mais uns tipos reuniram-se na sala de reuniões do jornal "O Jogo" para tomar medidas no "Sistema" para o Benfica sofrer represálias intimidatórias, tanto a nível da imprensa como a nível federativo, Liga incluida. Obviamente que esta reunião aconteceu "off the record". As questões mais banais eram as notícias fabricadas ou as inflamadas. Porque segundo o responsável financeiro pelo jornal "O Jogo", "o Benfica é que vende". Inclusivamente, até mandaram um sócio do FC Porto pagar a um cunhado para este dizer que o jornal o tinha subornado para dizer mal do FCP. Este caso foi notícia em 3 televisões…






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