Ponto Vermelho
O acalmar das hostes
13 de Setembro de 2014
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1. É interessante constatar que os profetas da desgraça que inundam a nossa praça vão sofrendo metamorfoses tipo relâmpago o que vem provar uma verdade insofismável: – nada é imutável e definitivo a não ser o além misterioso que nos espera, mais cedo ou mais tarde, a todos nós mortais. Um Mundo cada vez mais materialista move-se pela obtenção de resultados rápidos, relegando para plano secundário tudo o resto. Mesmo que isso contradiga o imediatismo do momento derivado de factos ocasionais conjugados que concorreram para que certos e determinados desenlaces tivessem um epílogo contraditório.

2. Jorge Jesus tem repetido uma verdade de sempre: – isto não é como começa mas como acaba, querendo significar o que no futebol profissional é tido como uma realidade incontornável – a constatação do momento pode ser fugaz e alterar-se de forma radical no próximo desafio, bastando para isso que o resultado obtido venha a determinar o apuramento ou a eliminação numa qualquer prova. Mesmo que isso venha a acontecer com um golo com a mão, com um penalty que não existiu, num offside descarado ou com um golo na própria baliza no último sopro do encontro. O resultado é determinante nas análises subsequentes e na reacção dos adeptos.

3. Nas últimas temporadas o começo do Benfica desde a pré-época, por força de um conjunto diversificado de circunstâncias, tem-se revelado nada consequente e por isso mesmo desanimador para os adeptos. As duas últimas épocas foram francamente reveladoras como o simples acaso dos resultados ainda que tenha havido consistência nas exibições e da força transmitida pela equipa, determinou análises diametralmente opostas; na penúltima a equipa chegou a vias de facto mas não o conseguiu por os derradeiros minutos terem sido fatídicos, enquanto que na última com o mesmo padrão e nível exibicional, os mesmos momentos terem oferecido desenlaces opostos com uma excepção, e mesmo essa devido a um conjunto de arbitrariedades.

4. Por força desses sentimentos contraditórios dos adeptos e das análises extenuantes dos media, a fasquia curiosamente e por muito contraditório que possa parecer, no início das temporadas foi colocada a níveis muito baixos. Em 2013 devido aos resultados que não às exibições (à excepção da da final da Taça de Portugal), em 2014 pela monumental razia de muitos dos obreiros que catapultaram o Benfica para um inédito triplete e pela incerteza do mercado que ameaçou até ao último momento levar as restantes pérolas do plantel. Tudo isso conjugado com uma pré-época deprimente e por aquisições pouco entusiasmantes, derreteu as expectativas favoráveis que, mau grado todas as movimentações, ainda existiam.

5. Contrastando com as previsões (o que veio mais uma vez provar como o futebol é inconstante, ilógico e imprevisível), o início da presente época oficial foi animador pois coincidiu com a conquista do primeiro troféu e revelou um herói inesperado: o patinho-feio Artur que parecendo querer continuar a desmentir a desconfiança dos adeptos, voltou a ser decisivo no pontapé-de-saída do campeonato. Foi, no entanto, sol de pouca dura pois na 3.ª jornada repôs a verdade contabilística com um momento de desnorte e de infelicidade. Mas, sendo neste momento o saldo zero nesse capítulo, a realidade indiscutível é a de que, conforme tem sublinhado Jorge Jesus, a equipa encarnada está melhor do que no ano anterior e até matou um borrego que estava a engordar há 9 anos…

6. Com as últimas aquisições serôdias mas ainda muito a tempo de compensações por perdas e danos, parece estar a haver uma volte-face nas análises dos profetas da desgraça e de alguns adeptos que por questões de inflexibilidade mental continuam a confundir as críticas legítimas com pseudo-perseguições pessoais que não os deixa enxergar quaisquer méritos mesmo que eles possam existir com alguma abundância. O Benfica, enquanto Instituição que está acima dessas minudências pessoais de ocasião, certamente ficaria grato se tal não acontecesse.

7. Setúbal confirmou que existe matéria-prima para que se possa voltar a sonhar. Não devemos, contudo, embandeirar em arco porque não há, por ora, razões substantivas para que isso aconteça. Há que dar tempo ao tempo e esperar por novas confirmações em situações mais difíceis e complexas para se poder avaliar a textura e a consistência da equipa. É que, como sabemos até à exaustão, os cenários são traiçoeiros, podem mudar num ápice, e as opiniões são tão voláteis como o próprio futebol. Se tivermos que escolher, deveremos optar por extrair ilacções das críticas sérias e honestas e fazer o possível por ignorar os elogios balofos e oportunistas do momento.






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