Ponto Vermelho
Personagens interessantes-II
16 de Setembro de 2014
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Por EagleView

As coisas valem o que valem e qualquer pessoa pode extrair as ilacções que tiver como mais ajustadas. Mas a realidade nua e crua é que o FC Porto desde que Pinto da Costa assumiu a presidência do clube precisamente em 1982, passou a ser de forma significativa um dos clubes titulados do planeta, praticamente na mesma altura em que António Garrido começou a desempenhar funções no clube azul-e-branco. A maior parte das pessoas atribuem grande parte do mérito das conquistas do clube ao seu presidente, homem que é bom não esquecer esteve suspenso 3 anos por corromper árbitros e que levou o clube a ser penalizado com a perda de 6 pontos pelo mesmo motivo.

Mas, talvez, os adeptos do FC Porto devessem estar gratos também a António Garrido, o ex-árbitro que entrou no clube azul e branco quase lado a lado com Pinto da Costa e acabou por ter, igualmente, um papel relevante nessas conquistas. Olho de JM Pedroto... Em concreto e para os amantes das estatísticas aqui fica a evidência: a dupla constituída por Pinto da Costa e pelo ex-árbitro António Garrido conquistou em quase 30 anos, 17 Campeonatos Nacionais, 11 Taças de Portugal, 16 Supertaças, 2 Ligas dos Campeões e 1 Taça UEFA.

O FC Porto, até à entrada do presidente condenado por corromper árbitros e do ex-árbitro António Garrido, era um clube sério e honrado. Tinha ganho apenas 7 Campeonatos Nacionais, 4 Taças de Portugal e 1 Supertaça. Com a mudança tudo se alterou, e arrepio-me ao verificar que os métodos permanecem quase os mesmos. No fim de contas, faz-se jus ao lema Em equipa que ganha, não se mexe. Por muito que tentem descolar António Garrido da imagem institucional do FC Porto, torna-se evidente que o ex-árbitro foi um assalariado do clube ao serviço do qual teve quase duas dezenas de anos de prestação de serviços ininterruptas. O que me envergonha como português é verificar que o FC Porto tem vindo a contribuir para a degradação da imagem do nosso futebol no estrangeiro, evidenciando-se paulatinamente como clube potenciador da corrupção. Para as pessoas com memória, muitos anos serão necessários para lavar uma mancha de tão grandes dimensões.

Como sempre, grande parte da imprensa e em particular a afecta ou influenciada por Joaquim Oliveira procurou abafar as notícias menos abonatórias. É de facto triste e degradante mas não temos que estranhar. É o que sempre tivémos… A partir de certa altura começou a ser notório que António Garrido era um dos elementos mais importantes no esquema e na teia do Sistema por ter influência e ser um profundo conhecer de todos os meandros de um sector vital para a prossecução dos objectivos em vista. Inteligente, cedo percebeu que para melhor levar a sua avante e atingir os objectivos estabelecidos pelo seu empregador, deveria ceder à discrição e afastar-se das luzes da ribalta. Porque tinha demasiados telhados de vidro e não queria atrair as atenções.

Os homens como seres humanos falíveis têm vícios. Um deles e que tem desgraçado a vida de muita gente é o jogo. Garrido, depois de sair do activo, tornou-se viciado. Uma particularidade que comungava com o dirigente portista Reinaldo Teles. Por via disso, os seus contactos intensificaram-se em Espinho, no Casino. Ora toda a gente sabe que um vício, seja ele qual for, implica custos regra geral elevados. Então o do jogo...You scratch my back, and I scratch yours. Os mafiosos de todos os tempos e geografias sempre foram conhecidos por saberem tirar proveito das fraquezas das suas vítimas. Tornam as pessoas dependentes de si. Sabendo das suas fraquezas, os particularmente interessados foram-lhe alimentando o vício. Em troca, Garrido foi intercedendo junto dos árbitros, especialmente os estrangeiros nos jogos internacionais - mas, interessante, apenas do FC Porto - sob a sua alçada. Para isso aproveitou-se dos seus inúmeros contactos e conhecimentos.

Passou a ser comum ouvir-se sussurrar que os portistas eram ajudados, especialmente em momentos importantes e decisivos, com acento tónico no decisivos, pelos árbitros internacionais que visitavam o Porto. Deixou de fazer sentido António Garrido poder negar a sua forte ligação ao FC Porto a partir do momento do auto de busca e apreensão que a PJ realizou à sua residência. Nessa diligência a PJ descobriu vários documentos que provaram a ligação ao clube de Pinto da Costa. Na busca realizada à sua residência em S. Pedro de Muel, foi encontrado um talão de depósito do BPSM cujo titular indicado era Reinaldo Teles no valor de cinco mil contos (25.000€), assinado pelo próprio punho deste, com a data de 17/12/1993. A principal prova é uma letra passada pelo FC Porto ao antigo árbitro no valor de 2.039 contos (10.195€), com quatro reformas.

Além disso um misterioso sobrescrito dirigido ao antigo árbitro com a inserção, "Haver cheque s/BPA no valor de 1.000.000$00". A PJ achou por bem também apreender 2 cheques do BNU ambos no valor de 3 mil contos. Da lista de documentos faziam ainda parte também nove cheques todos eles ao portador, de uma conta de António Garrido no antigo BESCL. No total perfaziam 11 mil contos (2.200 €). Jorge Gomes, que esteve ligado durante quase dez anos seguidos ao Departamento de Futebol das Antas, confessou que o antigo árbitro internacional trabalhou mesmo para o FC Porto. Uma revelação no mínimo escaldante numa altura em que então Pinto de Sousa escolheu António Garrido para Assessor do Conselho de Arbitragem.






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