Ponto Vermelho
Os Homens e as circunstâncias
17 de Setembro de 2014
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Sendo uma realidade a que ninguém escapa, os erros cometidos pelos Homens assumem mais ou menos relevância em função de quem os comete e em particular as circunstâncias em que os mesmos acontecem. Poder-se-á cometer um erro grave mas que pode ser minimizado e vir a ter mesmo consequências relativas, como pode acontecer que um erro muito menos grave atinja enormes proporções e consequências. Sendo uma lei da vida, depende sempre das circunstâncias do momento e da capacidade de reacção de quem os comete. Como nenhum ser humano está imune, venham de lá então os que nunca erraram para atirar a primeira pedra.

No futebol por ser um desporto de paixões e dar azo a uma exposição mediática contínua, os erros são escrutinados ao milímetro por milhões de olhos com interesses contraditórios que observam tudo até ao mais ínfimo pormenor. Felizmente para o vocabulário nacional que o treinador Julen Lopetegui introduziu na linguagem futebolística um novo vocábulo, pelo que doravante, não devemos insistir nos erros (grosseiros para o sportinguista Eduardo Barroso), mas antes optar por um bem mais suave Equívocos. É mais delicado, não é ofensivo e reflecte na mesma a essência dos factos que se pretendem verbalizar.

Mas existem equívocos corriqueiros – as também designadas falhas que não são catalogadas todas da mesma maneira. Um avançado pode falhar duas ou três ocasiões flagrantes de golo que não é crucificado, um médio pode equivocar-se no posicionamento de uma jogada que dá golo, um defesa pode ter um equívoco de marcação, um treinador pode demorar demasiado uma substituição e equivocar-se no jogador que nada de grave acontece. Mesmo que o resultado não deslumbre. Já quando se trata de um guarda-redes (e não estamos a falar de equívocos persistentes) o caso muda de figura, pois quando comete um mesmo que o resultado seja mais atractivo, fica marcado pelos adeptos e pelos media. E então se desse equívoco resultar a derrota, a forca fica desde logo à sua espera…

Ontem, na Luz, as circunstâncias aconselhavam a equipa do Benfica a não cometer equívocos se queria alimentar a chama da vitória, tendo em conta que do outro lado estava uma equipa recheada de jogadores de topo que o dinheiro pode comprar. Entre o desejo, a constatação e a realidade efectiva pareceu distar uma enormidade, pois os equívocos iniciais acabaram por decidir o jogo ainda não havia vinte minutos. A fava saiu a Jardel que com dois passes mal medidos precipitou os acontecimentos, com a agravante de no segundo ter originado a expulsão de Artur que só aconteceu por este ter hesitado uma fracção de segundo na abordagem ao lance.

Podendo acontecer a qualquer um, muito provavelmente, com a grande maioria das equipas ambos os lances não teriam circunstâncias tão penalizadoras. Seriam apenas registados os equívocos en passant. Contudo, face a jogadores de nível muito alto, qualquer lapso ou distracção é de imediato rentabilizada podendo até dar ao jogo um cariz irreversível e definitivo. Foi isso que aconteceu, restando especular com o que poderia ter ou não ter acontecido caso as duas equipas continuassem intactas até ao fim. A história assim acabou por ser escrita quiçá de maneira diferente, mas não menos efectiva e real.

A imagem que transpareceu foi a de que o Benfica foi mais afirmativo a partir da consumação do resultado. A conclusão foi de que afinal, contra algumas expectativas, os encarnados jogaram melhor com 10 do que com 11, o que não é caso virgem. Na busca de possíveis explicações, fica a imagem de que com menos um avançado o Benfica dedicou mais atenção à desvantagem no meio-campo e, por outro lado, que o Zénit com uma vantagem algo confortável e cônscio da sua superioridade numérica, terá passado a tentar controlar o desafio só lançando ataques pela certa na tentativa de ampliar o resultado e assim poder estar a salvo de qualquer percalço que, aliás, esteve eminente por mais do que uma vez. Villas-Boas acabou por confessá-lo no final.

Pareceu evidente que alguns jogadores precisam de mais tempo para estarem totalmente integrados. Tirando o caso especial de Júlio César por lesão, temos Samaris que aparte a sua enorme precisão no passe curto e longo, ainda anda à procura da melhor integração. E, excluído da Fase de Grupos, Jonas aguarda a sua vez restando saber até que ponto o seu encaixe se processará de forma célere trazendo poder de concretização a um sector carenciado. Não estando de forma nenhuma hipotecadas as possibilidades de apuramento, há que ter a consciência que tudo pode acontecer dado o aparente equilíbrio dos competidores, pelo que o jogo de Leverkusen poderá assumir particular relevância. Mais uma arbitragem de fraco nível, pois tanto no aspecto técnico (desde quando não é pénalti sobre Salvio?) como no disciplinar o prejudicado foi o Benfica, sendo que o facto do patrocinador do Zénit (a Gazprom) ser em simultâneo um dos principais patrocinadores da UEFA é tão só uma coincidência!

P.S.: - Se ser benfiquista constitui sempre um motivo de orgulho, há momentos como o de ontem que ficam para história pois constituiu mais um factor em que fomos, mais uma vez, pioneiros. Os No Name cujos excessos pirotécnicos de alguns dos seus elementos aqui temos verberado, deram o mote para os inolvidáveis 10 minutos finais de apoio ininterrupto à equipa traduzido das mais diversas formas que contagiou todas as bancadas. Um marco que ficará para sempre registado no orgulho benfiquista!






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